quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Escola de enfermagem em Caluquembe passa a ser instituição de ensino médio


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A escola técnica de enfermagem de Caluquembe, província da Huíla, que durante seis décadas formou centenas de enfermeiros que servem nesta região, é, desde domingo último, um instituto médio ligado ao Hospital Municipal da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA).
A elevação da escola, fundada em 1943, à categoria de Instituto de Ensino Médio aconteceu em simultâneo com a cerimónia de abertura do ano bíblico e do ano lectivo 2012, com o ingresso de 119 estudantes de várias regiões do país nas especialidades de enfermagem e técnicos de laboratórios.
O presidente da Igreja Evangélica Sinodal de Angola, pastor Dinis Eurico, explicou que a ascensão resultou do aval do governo da Huíla, após confirmar, no ano passado, as condições técnicas e humanas para transformar o estabelecimento em escola de nível médio.
O pastor Dinis Eurico disse que a transformação da escola em instituto médio de enfermagem de Caluquembe representa “um importante passo” para o desenvolvimento e o reforço da vertente social da igreja, para o bem-estar das populações da região.
“A igreja está a pregar o evangelho, mas também está preocupada com os problemas sociais, sobretudo aqueles relacionadas com a saúde das populações desta região.. O hospital de Caluquembe e a escola têm vindo a salvar vidas e a formar enfermeiros”, disse. O responsável de enfermagem do Hospital Municipal de Caluquembe, António Salomão Francisco, sublinhou que a formação de técnicos médios no município vai potenciar as unidades sanitárias com pessoal qualificado e a melhoria da assistência à população. António Salomão Francisco acrescentou que o curso médio vai permitir também o ingresso dos formados no ensino superior. O novo Instituto Médio de Enfermagem de Caluquembe que, entretanto, mantém o curso básico que lecciona desde a sua criação, conta com 18 salas, além doutras áreas.
A unidade enfrenta dificuldades em equipamentos de diagnósticos. Atende pacientes provenientes das regiões do município de Chicomba e Caconda, da Huila, e das províncias do Huambo e Benguela.
Por outro lado, o director do Instituto Bíblico de Caluquembe, pastor Moisés Miguel, disse que este ano a instituição vai receber mais de cem estudantes, matriculados no curso de teologia. O pastor Moisés Miguel disse que os estudantes vão também aprender conteúdos ligados às ciências sociais, como psicologia, sociologia, filosofia e agricultura. “O objectivo da nossa instituição é a fortalecimento espiritual do homem, porque sabemos que a boa nova transforma vidas e corações, por isso continua a ser uma aposta forte da igreja”, frisou.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sabor de Maboque de Dulce Braga

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Dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) uma jovem nascida e criada no coração de Angola, passa como de costume, suas ultimas férias escolares no verão europeu. Foram três meses de prenúncio, do rebuliço que sua vida seria dali em diante. Com o fim das férias e consequente retorno para a ainda colônia angolana, ela se vê vivendo e temendo por seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio econômica, no epicentro do rodamoinho da guerra civil angolana. É um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injetam em todos os seus participes, ativos ou passivos. Um ano depois de sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava ser ela uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar. Trinta anos depois o personagem por ela adotado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar ereta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido de seu marido e seus filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfativas, gustativas, sonoras, visuais, emocionas... A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.

 
 

 
 
 
 
 
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Faleceu Virgínia de Freitas da Silva

 

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Virgínia de Freitas da Silva,  adoptada por Caluquembe vinda da Madeira, faleceu em 26- de Junho de 2013.

Descanse em paz.

 

Em baixo fotos tiradas por Lidiane Siqueira Rodrigues da D. Virgínia com parte dos seus descendentes (família Rodrigues)  a residirem em S. Paulo no Brasil.

 

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Reinauguração do magistério primário de Caluquembe foi destaque

Lubango - A reinauguração das instalações do Magistério Primário, afecto à Igreja Católica, no município de Caluquembe, província da Huíla, pelo ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, marcou a semana noticiosa social.

A infra-estrutura reabilitada comporta nove salas de aula, gabinetes do director e sub-director, sala de professores, lavabos, entre outros compartimentos, cujo funcionamento é assegurado por 29 professores, entre efectivos e colaboradores.
No presente ano lectivo, frequentam 917 alunos no regime interno e externo e que passarão a estudar em melhores condições de comodidade.
A Missão Católica de São Tiago foi fundada e inaugurada pelo Padre Sueco Otto Balmer, em 1962.
Já o secretário da Associação Nacional dos Enfermeiros, na Huíla, Joaquim Manuel, considerou, na cidade do Lubango, ter havido "grandes" melhorias no sector da Saúde e no desempenho da classe, graças às políticas em execução pelo Executivo nos últimos 14 anos.
Falando à Angop, no quadro das celebrações do Dia Internacional do Enfermeiro assinalado na quinta-feira passada, apontou avanços “significativos” no sector como a melhoria das condições de vida e de trabalho dos enfermeiros, permitindo-lhes trabalhar em melhores condições.
A semana noticiosa ficou ainda marcada com o anúncio do Instituto Nacional de Habitação na Huíla do início de um processo de cadastramento e renovação de contratos de imóveis habitacionais do Estado, informou, no Lubango, o seu director, Muhatily Pinto Durão.
Em declarações à Angop, para se pronunciar do estado actual do sector, na Huíla, o responsável disse que a intenção é actualizar a cifra real das habitações que se encontram sob controlo do Governo, uma vez que há 15 anos que não se efectua um registo.
Serão registados e renovados os contratos, numa primeira fase, segundo Muhatily Pinto Durão, as residências existentes na cidade do Lubango, atendendo a densidade populacional da mesma.
No domínio sanitário, foi noticiado a queda de mortes por tuberculose no Hospital Sanatório do Lubango, província da Huíla, de 84, no primeiro trimestre de 2015, para 70, no período homólogo deste ano, fruto da melhoria na assistência e da colaboração dos pacientes ao tratamento.
Ao falar à Angop, o director clínico da referida unidade hospitalar, Lourenço Kotele, disse que as mortes registadas constam de um total de 486 casos diagnosticados, com uma redução de 295 em relação ao igual período anterior.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Centro de saúde de referência é construído em Caluquembe

 

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A população de Caluquembe vai passar a dispor, a partir do próximo dia 4 de Fevereiro, do primeiro centro municipal de saúde de referência, com capacidade para internar 48 doentes.
O centro foi construído na sede municipal, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural e de Combate à Fome e à Pobreza, e custou à administração municipal 20 milhões de kwanzas.
A unidade sanitária dispõe de salas para bloco operatório, curativos, consultas externas, banco de urgência, farmácia e armazém de medicamentos, além de um alpendre para albergar os doentes e familiares. O responsável da secção municipal da Saúde, Joaquim Muhanda, referiu que a prestação de cuidados médicos apenas era feita no Hospital da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), mas agora com a entrada em funcionamento do primeiro centro de saúde no município, vai haver opção de escolha.
O centro vai dispor de áreas que vão permitir proporcionar uma assistência sanitária aceitável à população, estimada em cerca de 200 mil habitantes. Além dos medicamentos essenciais adquiridos no quadro do processo de cuidados primários de saúde, existe uma verba para a aquisição de medicamentos para todos os postos de saúde.
O município de Caluquembe tem 23 unidades sanitárias com um total de 117 funcionários, dos quais 66 técnicos. Joaquim Muhada sublinhou que o município ainda não dispõe de um médico e destacou a importância da colocação de um, residente, além do reforço dos técnicos.
A malária é a doença de maior incidência, seguida pelas diarreicas agudas e infecções respiratórias agudas.

 

Fonte

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dezenas de crianças desfavorecidas ganham tecto graças à solidariedade

 

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Mais de 40 crianças desfavorecidas foram, no ano passado, integradas nos lares de acolhimentos da Igreja Católica na província da Huíla,  pelo grupo de teatro Kandimbas da Santa Cecília, da paróquia da missão do Lubango.
O responsável do grupo, Serafim Afonso, referiu ao Jornal de Angola que o processo de integração contemplou crianças identificados nas ruas do Lubango, durante o projecto de inserção social, iniciado há 15 anos. O projecto retirou da rua e encaminhou as crianças órfãs e abandonadas para as missões de Santiago e Cola, em Caluquembe do Jau, na comuna da Huíla, onde estão a receber formação profissional, académica e religiosa.
O Kandimbas da Santa Cecília possui uma área social muito forte, explicou Serafim Afonso, acrescentado que a sua colectividade pretende ajudar os mais desfavorecidos nos hospitais, lares de acolhimento para menores e idosos, cadeias e outros desvalidos, para amadurecer a fé.
“Existimos para animar os que mais precisam, para proporcionarmos alegria, através das artes cénicas, oração e recolha, e doação de fundos e bens de primeira necessidade. O processo de encaminhar as crianças para os lares começou praticamente com a criação do nosso grupo”, afirmou.
O jovem Pedro Joaquim é um dos que viu a sorte bater-lhe à porta para sair da rua e ingressar num lar onde adquire novos conhecimentos profissionais e académicos, tendo sido abrangido pelas acções solidárias do grupo de teatro.
Órfão de pai, vive na missão de Santiago e sublinha que valeu a pena ter aceitado a possibilidade dada para beneficiar de acompanhamento e carinho dos fiéis da Igreja.
O convívio abrangeu as crianças de rua dos lares Otchio, filhos de vendedoras ambulantes e doentes do Hospital Pediátrico Pioneiro Zeca, do Lubango. A confraternização foi antecedida por uma missa celebrada pelo padre Armindo Wilson, que lamentou a perda de valores como a solidariedade, o amor ao próximo e a falta de sensibilidade dos cidadãos, em detrimento do egoísmo e ganância.

Às crianças internadas na pediatria, os actores doaram bens como cobertores e brinquedos e ofereceram um almoço de confraternização, enquanto as mães zungueiras receberam cestas de ­alimentos diversos.
O grupo de teatro Kandimbas da Santa Cecília, fundado em 1990, é um dos mais consagrados da Huíla e domina os palcos com mais de 15 artistas.

 

Fonte

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Criadores de gado na Huíla solicitam tanques banheiros


Arão Martins | Caluquembe - 03 de Janeiro, 2012
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Grande parte da população da região vive da agricultura e da criação de gado.Criadores de gado bovino e caprino no município de Caluquembe, a 180 quilómetros a norte da cidade do Lubango, província da Huíla, pediram, na semana finda, a reabilitação do tanque da aldeia de Calonali.
O criador de gado Marcelino Tchilombo disse que o tanque é de referência e atendia o gado bovino oriundo das localidades de Calonali, Etete, Caloningui, Betania, Cassapa, Vandongo, Noni,  Calepi e Tchienguengue.
Marcelino Tchilombo, em nome dos criadores de gado bovino e caprino da região, pediu a reabilitação do reservatório de água, da balança e da manga de vacinação de gado, situados na aldeia.
A manga de vacinação e o tanque da localidade de Calonali são dos maiores da região norte da província da Huíla. Foram construídos em 1959 e assistem mais de mil cabeças de gado por dia.
O tanque está sob a responsabilidade da administração municipal de Caluquembe, que através da secção local de veterinária assiste o gado vindo de diversas localidades.Marcelino Tchilombo acrescentou que, devido à guerra civil, as infra-estruturas ficaram inoperantes, impedindo o tratamento do gado de maneira apropriada.
O criador de gado António Cambiça, da aldeia de Kussuka, possui 200 cabeças de gado bovino. Segundo ele, tem encontrado muitas dificuldades para cuidar o gado, por não ter um tanque. A inoperância do tanque, da balança e do reservatório preocupa os criadores, já que os animais contraem doenças de pele. “É importante a reabilitação do tanque, para que o tratamento do gado seja um facto na localidade”, alertou.
O administrador municipal de Caluquembe, Emílio Tchitacumbe, garantiu que tem estado a desenvolver acções no domínio da Educação, Saúde, Agricultura, no quadro do programa de Combate à Fome e Pobreza, em curso no país. Afirmou que as obras planificadas em 2011 foram executadas com êxito. Indicou como prioridade a construção de escolas, centros de saúde, reabilitação de vias secundárias e terciárias e a abertura de mais furos de água.
Emílio Tchitacumbe adiantou que para 2012 várias acções  de impacto social vão ser desenvolvidas, onde inclui a reabilitação de tanques banheiros para o gado bovino.
Fonte:Jornal de Angola

Tanque banheiro construído na década de 50 por Jorge Rodrigues na aldeia de Catxalunga – Caluquembe.

 

As  imagens deste vídeo são de 1974.

Fotos de uma Caluquembense


Cecile Martin, nasceu em Caluquembe, é filha de médicos missionários suíços. Não perde a oportunidade de captar a melhor cena.
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brigadas desminam reservas fundiárias para a construção de habitações sociais

 

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As brigadas de desminagem limparam, este ano, na Huíla 10.490.819 metros quadrados de terras, que foram devolvidos à agricultura e onde podem ser construídas casas sociais, disse o vice-governador para o sector político e social.
José Nataniel fez o anúncio ao apresentar o balanço das actividades da comissão intersectorial provincial de desminagem e assistência humanitária. O também coordenador provincial de desminagem afirmou que a acção desenvolvida este ano abrangeu os campos de aviação dos municípios da Matala, Caluquembe, Jamba mineira, Quipungo, Chicomba, Lubango, Chipindo, Quilengues, Chicomba e Caconda, bem como áreas de cultivo e vias de acesso.
Como resultado do processo de desminagem realizado por especialistas de várias brigadas, referiu, foram retiradas e destruídas, entre outro material, 1.740 minas anti pessoal, cinco anti tanque, 7.991 munições diversas e metais em quantidade não calculada.
As operações de desminagem na província, acrescentou, abrangeram também as montanhas de Matoti, as áreas mineiras de Mupopo, Erema, Baca ya Mitchia, Tchamutete, as reservas fundiárias do Estado, aeródromos municipais, as áreas entregues à população na zona adjacente à barragem da Matala, sede do sector de Hondeke, Mucuio, no Quipungo e Tchamutete, bem como a ponte sobre o rio Kalonga. Nas operações participaram brigadas do Instituto Nacional de Desminagem, das Forças Armadas Angolanas, da Halo Trust, Blief Tecno, da EDJESS Lda e da V.D.S.

Educação sobre o risco de minas

Mais de 800 habitantes dos municípios de Quipungo, Matala e Jamba beneficiaram de acções de educação sobre os risco das minas, mas José Nataniel disse que apesar de ter havido “uma certa evolução na mudança de atitudes da população”, os operadores de desminagem vão continuar a desenvolver acções de sensibilização. A comissão nacional intersectorial de desminagem e assistência humanitária na Huíla registou, até este mês, seis acidentes, nos municípios da Cacula, Caluquembe, Caconda, Lubango, Humapata e Jamba, com minas e outros materiais explosivos que provocaram dois mortos e quatro feridos.
José Nataniel anunciou a continuação do levantamento das áreas minadas e suspeitas de estarem, constem ou não do banco de dados, iniciado este ano na Huíla, que é realizado pela Organização Não-Governamental Clube de Jovens, em colaboração com o governo da província, sobas e agentes da Polícia Nacional.  Até agora os trabalhos foram feitos nas comunas da Huíla, Arimba, Quilemba e Hoque. A Organização Não-Governamental AMMIGA aconselhou as vítimas de minas na província a fazerem parte de associações organizadas para terem acesso ao apoio do governo e a actualizarem os dados eleitorais e a terem cédulas de nascimento.  O vice-governador lembrou que foram criadas cooperativas agrícolas “para beneficiar as vítimas das minas e outros deficientes físicos”.
O sector político e social do governo provincial, referiu, tem o registo de 209.816 pessoas que são assistidas, 4.449 das quais no Centro de Informação Comunitária.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Alfredo Berner regressa à aldeia


Deputado Alfredo Berner
Fotografia: Domingos Mucuta| Lubango
Alfredo Berner, deputado à Assembleia Nacional, foi posto à prova no regresso à aldeia de Kuilo-Galileia, município de Caluquembe, província da Huíla, sua terra natal. Participou na cerimónia de inauguração da escola primária de seis salas na aldeia da comuna de Calepi, situada a 19 quilómetros de Caluquembe. A emoção foi mais forte, ao ouvir crianças e adultos a entoarem com euforia os cânticos da terra, no acto de entrega à população da primeira escola, construída de raiz na localidade desde a conquista da Independência Nacional.
Alfredo Berner compara o passado e o presente da região. As tristes lembranças da guerra são ofuscadas pela realidade actual, porque crianças e adultos da localidade têm condições para estudar e conseguir assim um futuro risonho.
“Fiz aqui a iniciação. Naquele tempo estudar era difícil, foi graças às missões evangélicas, situadas a 30 quilómetros da aldeia, que estudei”, explica. Ele e outros finalistas do ensino primário foram obrigados a partir para o Lubango, Huambo ou Benguela, por falta de escolas na terra natal.
O estatuto conquistado por Alfredo Berner, como deputado e docente universitário, inspira as crianças e os jovens da localidade a apostarem nos estudos. O aluno da quarta classe, José Humba, prometeu que vai aproveitar as condições da nova escola para estudar muito, pois quer ser professor universitário.
O professor João Camosso diz que os 720 alunos da escola têm o deputado como um espelho, porque “Alfredo Berner é um orgulho da aldeia, como deputado e professor universitário, ele conseguiu vencer barreiras para se formar”.
O deputado Alfredo Berner diz que hoje os tempos são outros, já que a população tem condições económicas e sociais que “os nossos pais e as crianças daquele tempo nunca sonharam ter”. Por isso, Alfredo Berner aconselhou os pais da comunidade a tratarem bem da nova escola e incentivarem as crianças a estudar cada vez mais por serem o futuro da Nação.
“Estou satisfeitíssimo, porque há muitos anos que lutamos para a construção de uma escola aqui na aldeia, mas só hoje concretizamos o sonho. Todos estão contentes, por acolher esta obra que vai servir os nosso filhos e netos”, disse o deputado Alfredo Berner.
Dúvidas dissipadas
As dúvidas da população do sector de Cambuena, na comuna de Negola, estão dissipadas e ultrapassadas. A escola desejada pelos habitantes da localidade foi inaugurada e dispõe de seis salas de aulas, devidamente equipada, gabinete do director e área administrativa.
A escola de Cambuena e outros empreendimentos sociais, inaugurados em Calquembe pelo vice-governador para a Área Técnica e
Infra-estruturas, Nuno Mahapi, foram financiados pelo Programa
Municipal Integrado de Desenvolvimento e Combate à Pobreza.
No próximo ano lectivo, a escola primária vai receber 720 alunos no
ensino primário que estudavam ao relento. A comunidade quer
aproveitar também a nova escola para o ensino inclusivo da quinta à nona classe de adultos.
“Duvidámos que alguma vez tivéssemos aqui uma escola como esta, mas a realidade está à vista, neste novo edifício. É um momento de alegria porque um dos problemas de Cambuena foi resolvido”, afirmou o professor Emiliano Florindo, em nome da comunidade.
A aluna Maria Candeia, de 11 anos, fez exame da quarta classe e ficou aprovada.
Ela explicou que da iniciação à terceira classe estudou debaixo de uma árvore. Agora, disse, assimila melhor as lições. A escola vai ter merenda escolar no próximo ano lectivo e isso anima Maria Candeia e os colegas.
O objectivo da distribuição da merenda escolar é atrair as crianças às aulas e reduzir o índice de absentismo escolar.
A população constituiu a Comissão de Pais e Encarregados de Educação para colaborar na conservação da escola, que custou aos cofres do estado mais de 29 milhões de Kwanzas. O secretário do núcleo comunitário de Cambuena, Bonifácio Chinanga, assegura que a comissão está disposta a interagir com os órgãos do governo e mobilizar as populações no sentido de garantir o seu funcionamento. O secretário comunitário disse que a criação de condições nas aldeias vai impulsionar o regresso de muita gente à terra de origem. “Antes as crianças estudavam ao ar livre e debaixo das árvores, agora há confiança de que as coisas vão mudar”. Bonifácio Chinanga lamentou o reduzido número de professores na aldeia de Cambuena. São 14 professores para 3.052 alunos. O ensino conta com a participação de alguns jovens voluntários, que colaboram na instrução de crianças e adultos iletrados, informou Bonifácio Chinanga.
“O número de docentes ainda não satisfaz as necessidades. Apelamos às entidades governamentais e à Direcção Provincial da Educação a reforçar o corpo docente para integrar 1800 crianças que estão fora do sistema de ensino”, afirmou Bonifácio Chinanga.
Acesso ao Calepi
A circulação de pessoas e bens entre a sede do município de Caluquembe e a localidade de Calepi está facilitada com a inauguração , pelo vice-governador da Huíla, da ponte metálica sobre o rio Cussuca.
A montagem da estrutura, com seis metros de comprimento e 13 de largura, custou mais de 14 milhões de Kwanzas, no âmbito do Programa Municipal Integrado de Combate à Pobreza. O munícipe Eduardo Pacheco lembrou que a falta da ponte dificultava a travessia de pessoas e bens agrícolas, sobretudo no tempo das chuvas, em que o caudal do rio Cussuca transborda.
O motociclista Camaty Pacheco foi um dos primeiros a passar pela nova ponte. Disse que é segura e reduz os problemas enfrentados durante os últimos tempos pela população, para escoar mercadoria do campo para a sede municipal.
“Este rio sem a ponte era um obstáculo para as pessoas que todos dias precisavam de transitar para a vila. Agora, vamos conseguir transportar os passageiros e os camponeses podem levar para o mercado milho, massango, tomate, batatas e cabritos para o mercado”, disse Camaty Pacheco.
Água potável
A população do bairro São José, arredores de Caluqembe, está a consumir água potável. O vice-governador da Huíla para a Área Técnica e Infra-estruturas inaugurou um sistema de captação e fornecimento de água.
A construção do sistema de captação foi financiada pelo Programa Água para Todos e custou mais de 24 milhões de Kwanzas. Vai bombear a partir da captação subterrânea, centenas de metros cúbicos de água para dez mil habitantes dos bairros vizinhos.O fontenário, alimentado com energia solar, integra, além do furo de água de 34 metros de profundidade, uma lavandaria com quatro tanques, um reservatório de três mil litros e balneários públicos.
“Este sistema de fornecimento vai resolver os problemas de falta de água e contribui para melhorar a nossa vida porque acabam as doenças provocadas pelo consumo de água imprópria. Tudo faremos para que tenha um funcionamento duradouro”, prometeu um morador.
Alegria dos beneficiários
Os habitantes das aldeias da região manifestaram satisfação pelas novas infra-estruturas, num dia marcado por festa que se prolongou noite dentro. “A comunidade de Kuilo-Galileia vai conservar a infra-estrutura para as futuras gerações terem condições favoráveis para a sua formação”, disse o soba Domingos Eduardo, manifestando a sua alegria pela escola que a comunidade ganhou pela primeira vez desde a conquista da Independência Nacional.
Domingos Eduardo disse que as autoridades tradicionais, pais e encarregados de educação mobilizaram a comunidade para vigiar e limpar a escola.
Joaquina Sapalo da aldeia de Kuilo-Galileia está entusiasmada porque na reabertura das aulas vai estudar. Quer aproveitar a oportunidade para continuar os estudos no ensino de adultos. “O meu filho que está na quarta classe pede-me para ajudá-lo a resolver os trabalhos de casa, mas não posso porque só estudei até à segunda classe. Quero continuar a estudar, para ajudar os meus filhos pequenos quando começarem a estudar”, disse Joaquina Sapalo.
O professor Tito Ismael considerou a ponte metálica sobre o rio Cussuca importante para a comunidade: “faço este trajecto quase todos os dias para dar aulas em Caluquembe. As deslocações ficam, agora, mais fáceis e seguras”.
O administrador  municipal, Alexandre Chitacumbi, disse que as acções de desenvolvimento e combate à Pobreza são passos concretos e seguros para a solução das principais preocupações da população. O programa dá prioridade às zonas suburbanas e rurais com carência de serviços sociais básicos de saúde, água e educação.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cesária Évora



13

Levaste Cabo Verde pelo Mundo,
Foste humilde vestida de grandeza,
Um canto ao sofrimento mais profundo,
Uma voz que brotava da tristeza.
 
Desenhaste na tua solidão,
A rota da cruel escravatura,
Derramaste no nosso coração,
Os ecos ancestrais duma cultura.
 
Essa palavra sem correspondência,
“SODADE”:  para nós tão pessoal,
Contigo ganhou outra vigência,
 
E maior dimensão Universal.
Como retumba Angola tão distante,
Nessa voz magoada e lacerante!
 

António Moura

  Caracas 17.12.2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Governo emprega mais de 200 milhões de Kwanzas em programas de redução da pobreza

 

Caluquembe – Duzentos e 14 milhões de Kwanzas foram empregues este ano pelo executivo angolano, no âmbito do Programa Municipal Integrado de Combate à Pobreza (PMICP), no município de Caluquembe, província da Huíla.
Em declarações hoje, sexta-feira, à Angop, o administrador local, Emílio Alexandre Tchitacumbi, referiu que o montante serviu para o programa de municipalização de cuidados primários dos serviços de saúde, bem como a construção de infra-estruturas sociais, como escolas, postos de saúde, reabilitação da estrada que liga a sede municipal a comuna de Calepi, com 29 quilómetros, sistemas de distribuição e captação de água potável, assim como melhorou-se a geração e distribuição de energia eléctrica.
No campo da municipalização dos serviços primários de saúde, Alexandre Tchitacumbi destacou a ampliação do centro médico de referência da sede municipal e seus apetrechamentos, programa de campanha de vacinação contra a poliomielite, malária, construção de postos médicos nas povoações e comunas do município, compra de materiais gastáveis e medicamentos.
O governante considerou que estes investimentos estão a conferir mudanças na vida dos munícipes, pelo que enaltece a postura do governo e a vontade de ver melhorada as condições das populações.
Afirmou que 99 porcento das obras ligadas a este programa estão concluídas e algumas das quais serão inauguradas neste sábado.
“Os empreiteiros conseguiram responder as nossas expectativas, pelo que em 2012 estaremos em condições de traçar outros projectos sociais destinados a melhorar a vida das pessoas”, assegurou o administrador.

Fonte

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Meio aéreo facilita acesso às localidades

 

O processo de actualização do registo eleitoral na província da Huíla foi reforçado com um helicóptero para auxiliar o transporte da logística e dos brigadistas para áreas de difícil acesso, anunciou ontem, no Lubango, o director provincial dos Registos, António Venâncio.
Numa primeira fase, o helicóptero vai operar em áreas inacessíveis do município de Caluquembe, 180 quilómetros a norte da cidade do Lubango. O director provincial dos Registos anunciou que o processo de actualização registou até ontem 443.439 eleitores. António Venâncio indicou que 35.661 cidadãos fizeram o registo pela primeira vez, superando os 20.034 inicialmente previstos.
O director provincial dos Registos referiu que por causa das chuvas que se abatem nos municípios da província, muitas áreas ficaram inacessíveis e dificultam o trabalho das brigadas. O responsável garantiu que a província da Huíla está no bom caminho e até 16 de Dezembro, data prevista para terminar a campanha, as entidades registadoras atingem 70 por cento de cumprimento. “Já estamos para além dos 50 por cento. Vamos continuar a trabalhar para que os resultados sejam positivos”, disse.

 

Jornal de Angola

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Homenagem a Ana Maria, fadista Angolana


Em homenagem a Ana Maria, que partiu no dia em que o Fado foi consagrado Património da Humanidade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Há mais Angola além do petróleo

 

Angola considera que a agricultura é prioritária e está a preparar alternativas aos diamantes e ao petróleo. Café e algodão estão na lista dos produtos prioritários.



Exame - Expresso

"Podemos esquecer o petróleo e os diamantes, precisamos diversificar os investimentos, e isso passa obviamente pela agricultura". Quem o diz é Mateus Sá Miranda, cônsul-geral de Angola em Faro, à margem de um seminário dedicado ao tema, promovido pelo Consulado e pela Câmara Municipal de Portimão.
"A estratégia do Governo angolano está centrada na diversificação da economia e a agricultura é uma das áreas em que vamos apostar. Temos um solo muito fértil que tem de ser aproveitado e que não o foi em função da guerra", acrescenta ao Expresso Estevão Alberto, conselheiro de imprensa da Embaixada de Angola em Portugal.
Segundo os especialistas, a questão que se coloca - e que tem sido 'abafada' pelo tema da crise financeira global - é a da da escassez mundial na produção de alimentos, algo a que Angola parece estar agora atenta: "Eu penso que há muito espaço para crescer e apelo aqui aos investidores do Algarve para que olhem para Angola e pensem no seu know-how ao nível da produção agrícola, para apostarem lá em especial em produtos como o café e o algodão", adianta Jorge Kalukembe, geógrafo e CEO da Kumbu, empresa consultora de negócios sedeada em Portimão.
Como exemplo, Kalukembe aponta a valorização do café que rondou os 1400% em apenas 10 anos, quando a cota mundial de produção de Angola é de apenas 0,003%. Não será coincidência o fato de o Governo angolano estar a disponibilizar linhas de crédito que rondam os 280 milhões de dólares para fomentar a plantação de café e de algodão, numa área agrícola que ultrapassa um total de 150 mil hectares.
Desminagem 'ressuscita' agricultura
Com o processo de desminagem numa fase adiantada, é tempo de angolanos e portugueses darem as mãos e trocarem experiências e investimentos, em várias escalas. "Aqueles que não conhecem Angola vão encontrar uma nação em mudança", garante Jorge Kalulembe, autor de vários livros sobre os recursos naturais e a economia de Angola, que assim abre as portas ao intercâmbio financeiro e cultural entre duas nações cada vez mais próximas.
Recorde-se que o número estimado de angolanos em Portugal ronda os 100 mil, enquanto o de portugueses em Angola já excede os 170 mil. Um fluxo que ajudará a economia angolana a crescer, assente sobretudo na procura de quadros qualificados tendo em vista áreas de elevado potencial, como a agricultura e o turismo.
Que o diga Marta Cortegano, engenheira florestal da Associação Defesa Património de Mértola, que pegou em case studies alentejanos para mostrar o espaço de crescimento de Angola, nos recursos florestais. "No caso de Angola estamos a falar de uma biodiversidade extraordinária. Há pequenos produtos de que não nos lembramos numa lógica de investimento, tais como o mel biológico, os frutos silvestres ou as plantas medicinais e importa valorizá-los, integrá-los num processo de desenvolvimento económico", vaticina.
A seguir, virá a expansão turística: "É preciso uma mercadologia do território, que tem a ver descobrir no território elementos de diferenciação e potenciá-los como marcas vendáveis", conclui Raúl Marques, geógrafo, apelando à criação de marcas regionais que potenciem o território angolano.
 

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