quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Carlos Estermann

O Padre Carlos Estermann foi um etnólogo e antropólogo missionário que estudou as etnias do sul e sudoeste de Angola. O Padre Estermann nasceu em Illfurth, no Alto Reno, região da Alsácia, na França em 1896. Morreu em Angola em 1976. Leia mais clicando aqui



sábado, 2 de maio de 2020

Faleceu Maria Lucília Reis Rodrigues - Caluquembe

21-12.1936 a 1-04-2020


Um mês. Sim...faz hoje um mês que a minha mãe faleceu. Só agora consegui vir até aqui para fazer-lhe esta pequena homenagem.

Querida mãe, acredito que no lugar lindo onde estás, vás dar uma boa gargalhada com o que escrevo sobre ti, sobre mim, sobre nós.
Sabes quantas vezes me chamavas durante o dia??? E quando anoitecia???? 10 vezes??? 20 vezes???30 vezes??? 40 vezes???talvez um pouco mais. Até adormeceres querias sempre alguma coisa. Tudo menos sopa que a tua filha Elisabete fazia com tanto amor e carinho. Das 19:00 ás 20:30, eu e os nossos gatos, a Duna e o Shalom, aproveitávamos a relaxar, pois tu ficavas tranquila e muito calminha com a visita da tua filha Graça. Por estranho que pareça, não lhe pedias nada. Ela dava-te o iogurte que tu comias sem reclamar, ao contrário do que fazias comigo. Assim que a tua filha Graça ia embora, começava de novo a festa: 

PPIILLIICCCO
......

vezes sem conta chamavas pela tua Pilico. Tantas que comecei a não gostar da alcunha que o meu pai me deu quando criança e que ficou para o resto da minha vida. O que querias??? Rebuçados, goiabada, fiambre, os croquetes do Sr. Martinho, etc etc tudo o que um diabético não pode nem deve comer. Quando não me chamavas para comeres, chamavas para procurar o telemóvel, o telefone, o comando da televisão que quase sempre estavam na tua mão ou muito perto de ti. Todos os dias tomavas o calmante para dormires. Sabes quantas vezes me perguntavas se já o tinhas tomado??? 10 vezes????? Eu respondia:

 JJJÁÁÁ 
 ou
 SSSIIIMMM


Gafanhotos ???

Pouco antes de nos deixares, à força querias comer gafanhotos. Fiz-te a vontade, mas enganei-te.😀😀😀 dei-te camarão. Saboreaste o petisco dizendo que estava muito bom. No momento deves ter revivido o tempo, em que os gafanhotos te matavam a fome. Como foste CHATINHA querida mãe. Sabes que até a tua amada gata, a  Duna reclamava???

Tudo isto durante 2 anos, desde que o teu amado Jorge partiu.

De início não eras tão chata, pois entretias-te com o facebook. Aos poucos foste largando este passatempo até não conseguires dar conta dos comandos do teu tablet. De uma coisa te podes orgulhar: há quase dois anos que nada publicas ou partilhas, mas continuas a ter dezenas de likes . Porquê??? porque tu eras

 A M O R


facebook ....

Lembras-te quando fizeste anos? Por coincidência quando apagaste as velas, alguem atirou foguetes. A tua Pilico, sabia o quanto te orgulhavas de ser a vedeta da praceta. Tal como aconteceu com os gafanhotos, uma vez mais a tua Pilico enganou-te.😀😀😀   Disse-te que tinha sido o sr Martinho quem mandou atirar os foguetes. Pura e ingénua, uma vez mais acreditaste na tua Pilico. Como ficaste feliz com o "gesto" do sr. Martinho. Durante dias não falavas noutra coisa.

De repente, 2 dias antes de ires para o hospital, tudo mudou. Evitavas chamar-me e quando o fazias pedias desculpa, dizias obrigada. Foi a partir daí que me deixaste preocupada. Quando entrava no teu quarto, estavas serena e a conversar sempre com alguem, mas ninguém estava contigo. Por vezes conversavas em umbundo, a língua da tua amada terra, outras vezes em português. De tudo isto, o que mais me marcou, foi quando perguntavas, onde estavam as meninas. Que meninas perguntava eu. Tu respondias: as meninas estavam sentadas uma de cada lado da cama, tu entraste e elas foram embora. Porquê que as meninas foram embora??? repetias tu a pergunta.
 Querida mãe, não sei quem eram as meninas, mas quero acreditar que elas estiveram sempre a teu lado e que te acompanharam até onde estás agora. Essas meninas fizeram o que as tuas filhas estavam impedidas de fazer. Por causa do maldito vírus, não nos foi permitido estar a teu lado quando partiste.

Agora querida mãe Lucilia Rodrigues, sabes o que mais desejava neste momento? Ouvir a
 tua voz a chamar:

PPPPPIIIIIILLLLLLLLLIIIIIIICCCCCCCOOOOOO

Sei que tu sabes, que tinhas muitos amigos. Sei também que tu sabes, que embora não lhes fosse permitido irem ao funeral, eles estavam contigo, comigo e com todos nós.


Lucilia no seu melhor

Espero que tenhas gostado da musica que acompanhou o teu funeral. Durante anos ouviste e obrigaste os vizinhos a ouvir, pois fazias questão de abrir a janela da varanda para que todos ouvissem a musica da tua terra, a partir da tua pequena coluna de som.



Leonel Simões




Joca Rodrigues

Para ti querida mãe, agora acabaram as saudades,
Vás para onde queres, ficas onde queres e sei que uma boa parte do teu tempo é para mim, como tambem sei que esse tempo é eterno.

Até já ...



quinta-feira, 16 de maio de 2019

Faleceu Henrique Lino - Caluquembe Angola


Nesta pagina, quero prestar a minha sentida e profunda homenagem ao grande amigo:

Henrique Lino



Acabou querido amigo! Não voltaremos a ter conversas que duravam horas.
Pessoas como o senhor nunca morrem. Graças a Deus, tive o privilégio deo ter como amigo e conviver consigo.
Recordarei sempre o tempo que passamos juntos: do seu sorriso, da sua força e vontade de viver. Nada mais será igual daqui para a frente.
Até sempre e descanse em paz amigo!
“Suku Eye Ungombo wange, si yokoka momo Ove o kasi lame.”

Ana Paula Rodrigues






O Sr Henrique Lino deixa sua esposa e 7 filhos, e nos últimos anos trabalhava junto com C Maeder na Ebanga, cheio de energia e plantando arvores e desenvolvendo uma agricultura.

A sua obra irá permanecer por muito tempo. O muito que fez para a IESA - Igreja Evangélica Sínodal de Angola -  e a Obra médica, desde a construção do Hospital e de outras missões, transportes diversos de obreiros e de material e medicamentos. Foi um homem cristão dedicado e membro fiel membro da IESA - Igreja Evangélica Sínodal de Angola -.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Homenagem a Jorge da Conceição Rodrigues Caluquembe - Angola

JORGE DA CONCEIÇÃO RODRIGUES




4.8.1930     -      26.12.2017


Faz hoje, 26 de dezembro, um ano em que o marido, pai, avô, bisavô, tio, primo, e Amigo, partiu... Vítima de errada avaliação clínica por parte de determinada médica no hospital onde se solicitou socorro, a qual que lhe deu alta estando ele em estado crítico evidente.

Tomamos a liberdade de transcrever de seguida o texto (aperfeiçoado) que foi lido aquando da missa de corpo presente.

 Partiu…quando todos esperávamos poder continuar com o seu
conselho, os seus conhecimentos históricos de Angola, de Portugal e do Mundo, o saber bíblico invulgar (crente inabalável no Supremo); o ouvi-lo horas infindas – em duas palavras – de sabedoria universal. Autodidata, purista nas línguas (portuguesa, umbundo e muíla), não precisou de faculdades.

Memória de excelência, vasta e excecional cultura, repositório global da história da família. Estudo intenso da Bíblia. Crítico atento e frontal, sem meias palavras pois, acerca do que nos rodeava neste país, e não só, nos diversos setores da vida política e económica. Era um sábio.

Nascido na povoação da Huíla, em Angola, na sua tão querida terra que amava como ninguém, mas onde amarguradamente nunca mais voltou desde 1975; foi, em Caluquembe, guarda-livros, comerciante (loja e posto de abastecimento de combustíveis e lubrificantes), agricultor (criação de gado, pomar e horta), autarca e associativista, enfim um empreendedor. Dotado de uma bela e ímpar caligrafia. Era figura respeitada e consultada, pautada pelo rigor e honestidade, lutador inabalável contra atos administrativos injustos ou desonestos nomeadamente quando tais atos vitimizavam alguém da etnia negra. Era, apreciado e admirado, como pessoa íntegra e de rigor, mas que sabia reconhecer os seus erros.

Foi vereador ativo da Câmara Municipal de Caluquembe, presidente dedicado do Clube Recreativo de Caluquembe em vários mandatos.

Há anos, escreveu um livro de divulgação restrita que ficará como rica memória para toda a família a que chamou “TESTAMENTO”.

Estas palavras são parcas. Afloram, no essencial, quem foi o Homem grande e sabedor Jorge Rodrigues. Mas muito ficaria por dizer para o caraterizar na sua plenitude.

Partiu… suavemente no seu quarto, o seu grande refúgio em casa, se bem que de forma inesperada após ter tido alta indigna do hospital onde procurara cuidados urgentes. Marido dedicado dum casamento de 67 anos; pai de três filhas que muito amava; avô e bisavô de quem ele queria muito; último tio de muitos de nós ou vós; primo; amigo de um número infindável de muitos outros espalhados por Portugal, Angola e outros países. Todos o “veneravam”.

Partiu…o inesquecível Jorge da Conceição Rodrigues que tanta falta nos fará e já faz.

Paz à sua grande Alma entregue ao Criador no dia seguinte ao Natal de 2017.

Texto de Júlio Rodrigues

domingo, 28 de outubro de 2018

Filme Completo - JESUS Segundo o Evangelho de Lucas dublado em Umbundo

Dedico este vídeo a todos os angolanos, especialmente ao meu saudoso povo de etnia Umbundo


JESUS Segundo o Evangelho de Lucas dublado em Umbundo



JESUS Segundo o Evangelho de Lucas dublado em Português


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Faleceu Jorge da Conceição Rodrigues Caluquembe - Angola






- JORGE DA CONCEIÇÃO RODRIGUES -
Partiu…quando todos esperávamos poder continuar com o seu conselho, os seus conhecimentos históricos de Angola, de Portugal e do Mundo, o saber bíblico invulgar (crente inabalável no Supremo); o ouvi-lo horas infindas – em duas palavras – de sabedoria universal. Autodidata, purista nas línguas (portuguesa, umbundo e muíla) não precisou de faculdades.
Memória de excelência, vasta e excecional cultura, repositório global da história da família. Estudo intenso da Bíblia. Crítico atento, mas sem meias palavras, do que nos rodeava neste país, e não só, nos diversos setores da vida política e económica. Era um sábio.

Nascido na povoação da Huíla, em Angola, na sua tão querida terra que amava como ninguém, mas onde amarguradamente nunca mais voltou desde 1975; foi, em Caluquembe, guarda-livros, comerciante (loja e posto de abastecimento de combustíveis e lubrificantes), agricultor (criação de gado, pomar e horta), autarca e associativista, enfim um empreendedor. Era figura respeitada e consultada, pautada pelo rigor e honestidade, lutador inabalável contra atos administrativos injustos ou desonestos nomeadamente quando tais atos vitimizavam alguém da etnia negra. Era apreciado e admirado, como pessoa íntegra e de rigor, mas que sabia reconhecer os seus erros.




Foi vereador ativo da Câmara Municipal de Caluquembe, presidente dedicado do Clube Recreativo de Caluquembe em vários mandatos.
Há anos, escreveu um livro de divulgação restrita que ficará como rica memória para toda a família a que chamou “TESTAMENTO”.
Estas palavras são parcas. Afloram, no essencial, quem foi o Homem grande e sabedor Jorge Rodrigues. Mas muito ficaria por dizer para o caraterizar na sua plenitude.
Partiu… suavemente no seu quarto, o seu grande refúgio em casa, se bem que de forma inesperada após ter tido alta indigna do hospital onde procurara cuidados urgentes. Marido dedicado dum casamento de 67 anos; pai de três filhas que muito amava; avô e bisavô de quem ele queria muito; último tio de muitos de nós ou vós; primo; amigo de um número infindável de muitos outros espalhados por Portugal, Angola e outros países. Todos o “veneravam”.
Partiu…o inesquecível Jorge da Conceição Rodrigues que tanta falta nos fará e já faz.
Paz à sua grande Alma entregue ao Criador no dia seguinte ao Natal de 2017.
(Texto, revisto e aperfeiçoado, do que foi dito, no essencial, após a sua encomendação religiosa na capela da Igreja de Corroios em 29.12.2017)

domingo, 23 de julho de 2017

Sul de Angola de João de Almeida.

Estou certa que muitos leitores deste blogue, têm interesse em consultar este livro. Para tal apenas têm que clicar sobre a imagem.

Por conter 746 páginas, leva algum tempo a abrir. Tenham calma e paciência.



Em 1906 João de Almeida, embarcou para Angola, com o posto de capitão, revelando as suas qualidades de militar. Em 1907 tomou parte nas operações do Cuamato, distinguindo-se, entre outras, nas acções de Pocolo, Mocuma e Bata-Bata. Iniciou a pacificação dos Dembos, ficando conhecido como o Herói dos Dembos. Em 1908 foi nomeado governador interino do distrito de Huíla, província de Angola, assumindo mais tarde o posto de governador efectivo.

Fonte



sábado, 17 de junho de 2017

Sa-da Bandeira 1970


Documentário sobre a criação, progresso e desenvolvimento da cidade de Sá da Bandeira, a atual Lubango, nos setores da educação, agricultura, pecuária, energia hidroelétrica e construção de estradas.


Clique aqui ou na imagem


sábado, 10 de junho de 2017

A HORA DA PARTIDA LIVRO DE CATARINA CANELAS

Entre 1974 e 1975, mais de meio milhão de pessoas que viviam nas ex‑colónias portuguesas deixaram tudo para fugir à guerra. Este livro relata, na primeira pessoa, estas vivências.











terça-feira, 4 de abril de 2017

Gramática e Dicionário Prático Português - Umbundo - Português

O umbundu ou umbundo (também grafado como m'bundo, mbundu do sul, nano, mbali, mbari ou mbundu de Benguela) é uma língua bantu falada pelos ovimbundos, povo originário das montanhas centrais de Angola. É das línguas bantus mais faladas em Angola.[1][2]

O principal grupo étnico que a utiliza é o dos ovimbundos, que se concentra no centro-sul do país. Um terço da população angolana pertence ao grupo étnico dos ovimbundos, falantes do umbundo.

É usada por cerca de 4 000 000 de pessoas como primeira ou segunda língua em Angola. É também falada na Namíbia.




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Números Umbundu

Tu tendi - Números 

              1 - mosi
              2 - vali
              3 - tatu
              4 - kuãla
              5 - talo
              6 - epandu
              7 - epandu vali
              8 - ecelãla
              9 - ecea
            10 - ekui 10 kuinii ou kuinhi
            11 - ekui la mosi
            12 - ekui la vali
            13 - ekui la vitatu
            14 - ekui la kuãla
            15 - ekui la vitãlo
            16 - ekui l’epandu
            17 - ekui l’epandu vali
            18 - ekui l’ecelãla
            19 - ekui l’ecea
            20 - akui avali
            21 - akui avali l’umosi ou lamosi
            22 - akui avali la vivali
            23 - akui avali la vitatu
            24 - akui avali la kuãla
            25 - akui avali la tãlo
            26 - akui avali l’epandu
            27 - akui avali l’epandu vali
            28 - akui avali l’ecelãla
            29 - akui avali l’ecea
            30 - akui atatu
            40 - akui akuãla
            50 - akui atãlo
            60 - akui epandu
            70 - akui epandu vali
            80 - akui ecelãla
            90 - akui ecea
          100 - ocita
          200 - ovita vivali
          300 - ovita vitatu
          400 - ovita vikuãla
          500 - ovita vitãlo
          600 - ovita epandu
          700 - ovita epandu vali
          800 - ovita ecelãla
          900 - ovita ecea
       1.000 - ohulukãi
1.000.000 - ohulua

Dias da semana/Oloneke vio semana

Eteke lia mosi - segunda-feira – (primeiro dia)
Eteke lia vali - terça-feira
Eteke lia tatu - quarta-feira
Eteke lia kuãla - quinta-feira
Eteke lia talo - sexta-feira
eteke epanduvali - sábado
Eteke lio usua - domingo (dia de descanso)

Meses do ano/Olosãi vi ulima


Janeiro - Susu 
Fevereiro - Kayovo 
Março - Elombo 
Abril - Kupupu 
Maio - Kupemba 
Junho - Kavambi 
Julho - Evambi
Agosto - Kanhenhe
Setembro - Nhenhe-vava 
Outubro - Mbala-vipembe
Novembro - Kuvala kuapupulu
Dezembro - Cemba-nima











                                       


quarta-feira, 15 de março de 2017

Chamaram-nos Retornados

Chamaram-nos

R E T O R N A D O S 





E assim deixamos Angola







quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A tragédia esquecida da descolonização Cultura e História20 Jan, 2016

A memória do abandono das províncias ultramarinas continua dolorosamente presente. O drama dos “retornados” é uma ferida que a III República não conseguiu sarar. Falta ainda que se faça justiça: para as centenas de milhar de inocentes cujas vidas foram arruinadas e para os responsáveis pela tragédia africana de 1975.

Os manuais de História tratam o tema como encerrado, mas as perguntas incómodas mantêm a sua pertinência. Com que direito os militares portugueses do MFA entregaram Angola e Moçambique a partidos aliados da (hoje extinta) União Soviética? Por que razão os povos das províncias ultramarinas nunca tiveram o direito de se pronunciar sobre o seu destino? A crise dos refugiados, vulgo “retornados”, era inevitável?

A apressada outorga de independência aos territórios do Ultramar, um dos grandes pecados da actual República, aconteceu há quatro décadas certas, decorria o ano de 1975. Nessa data, chegavam a Lisboa mais de 400 mil refugiados de África, brancos, negros e mestiços inocentes que viram as suas vidas arruinadas por uma descolonização então chamada “exemplar” mas hoje prudentemente rotulada de “possível”. Na verdade, uma tragédia desnecessária que provocou o maior movimento de repatriação de sempre na nossa História.

O império de D. João II foi abandonado à pressa, e o pouco que restava dele jazia perto do Padrão dos Descobrimentos, em contentores desconjuntados contendo as parcas posses que os portugueses ainda conseguiram salvar da guerra civil que se aproximava velozmente de Angola. Só para evacuar todos os portugueses de África foram necessários 905 voos, e a recém-nacionalizada TAP teve de dar uso até aos imponentes Boeing 747 recentemente adquiridos. Os EUA e a URSS também contribuíram, tanto para a desgraça que estava a acontecer, como com aviões para retirar do Ultramar, sobretudo de Angola, cidadãos cujo único “crime” era terem nascido portugueses. Também foram usados 27 navios, que transportaram 100 mil pessoas. Quinhentos anos depois, barcos modernos faziam a rota das caravelas, mas em sentido contrário.

Os custos económicos do abandono de 98% dos territórios portugueses foram gigantescos para os povos afectados. Em 1973, o Produto Nacional Bruto de Angola era de 2,7 mil milhões de dólares, e o de Moçambique de 3.1 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. Poucas anos mais tarde, eram apenas uma ínfima fracção desse valor. Por sua parte, Portugal passou de ter taxas de crescimento de 10% ao ano, para ter de receber o FMI pela primeira vez em 1977.

Terror e racismo de esquerda
O actual regime angolano, agora a tentar revestir-se com o verniz da legitimidade dos Estados civilizados, afirma que os “colonos” nunca foram expulsos, apenas escolheram abandonar o território por causa do seu “racismo”. Mas a verdadeira história é bem diferente, quando contada por quem viveu os horríveis acontecimentos de 1975 – como Américo Cardoso Botelho, que os deixou pungentemente retratados no seu livro “Holocausto em Angola”.

A autoridade portuguesa no território, dominada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) e manipulada pelo Alto-Comissário Rosa Coutinho, já estava em colapso mesmo antes da independência formal. Execuções públicas, saques a casas de portugueses, pilhagem generalizada eram já comportamentos comuns mesmo antes de a nossa bandeira ser arriada pela última vez. Uma situação que, com excepção das execuções, não era muito diferente da vivida em Portugal continental, a braços com a anarquia do PREC.

Retornados

Em Julho de 1974, mais de mil reclusos fogem da prisão em Angola, muitos deles homicidas, e as autoridades decidem conceder-lhes uma amnistia porque o governo já não tinha recursos para os capturar de novo. Em Luanda e Lourenço Marques a taxa de homicídios dispara. Em pleno PREC, Vasco Gonçalves declara a uma televisão alemã que as inquietações dos portugueses em África eram as “de uma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”.

Os jornais ainda estavam quase todos sob o controlo das forças de esquerda e não reportavam a situação de forma isenta, virando os portugueses continentais contra os seus concidadãos de além-mar. Um jornalista britânico, John Bruce Edlin, chegou mesmo a ser expulso de Moçambique por questionar a anarquia reinante, mas desta vez ninguém protestou no estrangeiro.

A actual República Portuguesa gostaria, por certo, de esquecer que entregou todo o Império Português ao bloco comunista soviético. Mas não há maneira de esquecer como, no momento crucial, o racismo da esquerda se revelou. Na hora da separação forçada, os brancos foram considerados “portugueses” e os negros “outra coisa”, quando anteriormente eram todos cidadãos nacionais sob a mesma bandeira.

Durante séculos, Portugal assumiu responsabilidades pelos habitantes daqueles territórios, e muitos, em troca, serviram a sua Pátria. Em 1974, metade do Exército Português era composto por soldados africanos, incluindo o mais condecorado oficial das nossas Forças Armadas, Marcelino da Mata. A vasta maioria destes soldados foi abandonada à sua sorte. E a sua sorte foram execuções em massa, tanto deles como das suas famílias.

Silêncio…
Os refugiados de África organizaram-se para exigir indemnizações ao Estado português. Esse, por sua vez, sacudiu a água do capote alegando que a III República ainda não existia à data da colonização, e consequente descolonização, dos territórios. Ainda hoje, quarenta anos depois, os espoliados de África não viram um cêntimo. Muitos não conseguiram trazer de África nem uma ínfima parte do que lá haviam construído e amealhado com o suor do seu rosto. O infame decreto-lei 181/74 tornava a transferência cambial de escudos ultramarinos para escudos portugueses uma operação quase impossível.


Os causadores de toda a catástrofe humanitária que se viveu nunca foram julgados. A elevada idade de alguns significa que já não o serão. Outros viveram e morreram no maior dos confortos, por vezes até com pensões do Estado português. Outros ainda estão no poder nos territórios africanos.

A actual República começou coxa, e ainda coxa sobrevive. Quer esquecer os acontecimentos de há quatro décadas para resguardar a “paz social”. Mas por todo o mundo a crise angolana está a despertar a atenção dos países desenvolvidos para a tragédia de 1975, especialmente tendo em conta os efeitos trágicos que teve. Todos os anos são publicados livros que contam uma história divergente da história oficial em relação à descolonização.

Livros como “Diamantes de sangue: corrupção e tortura em Angola”, do jornalista angolano Rafael Marques, “Guerra e Paz: Portugal/Angola”, de W.S. Van der Waals, “Guerra d’África, 1961-1974 – Estava Perdida a Guerra?” de Humberto Nuno de Oliveira e Brandão Ferreira (colaboradores do nosso jornal), “Holocausto em Angola”, de Américo Cardoso Botelho, “Em Nome do Povo – O massacre que Angola silenciou”, de Lara Pawson, ou “Os Retornados Mudaram Portugal”, de Fernando Dacosta, entre muitos mais, desmentem a “verdade politicamente correcta”.

O silêncio oficial continua, e nas escolas ainda o 25 de Abril e a descolonização “exemplar” são contados aos alunos segundo a cartilha esquerdista. Nas escolas, as crianças aprendem os três “D” do MFA antes de lhes ser ensinado o Hino Nacional. Mas mesmo com toda a censura e revisionismo, existe felizmente quem ainda queira descobrir a verdade.

O silêncio está a tornar-se ensurdecedor.

Fonte - Jornal o Diabo



Retornados”: os refugiados portugueses do século XX

Retornados”: os refugiados portugueses do século XX
O termo, expressão ou designação, "retornado" foi particularmente utilizado nos tempos que se seguiram à revolução do "25 de Abril de 1974".
Aquela expressão visava identificar, mas sobretudo molestar, os portugueses vindos das ex-colónias, muitos deles chegando a Portugal em sofrimento e grandes dificuldades, após se terem confrontado, sem "apelo nem agravo", com os processos impostos, precipitados, violentos, irracionais, e até mesmo traidores, das irresponsáveis independências ultramarinas.
A maioria destes portugueses retornavam ao país donde tinham partido muitos anos antes, donde haviam emigrado com enormes sacrifícios e em busca duma condição melhor, e outros, os africanos naturais, filhos ou descendentes de portugueses, aqui chegavam depois de terem sido forçados a abandonar as suas próprias pátrias, na verdade, a refugiarem-se num terceiro país.
Todos eles foram expatriados à força e contra a sua vontade das suas terras e haveres pela ação de delinquentes fardados e armados à pressa pelos oportunistas descolonizadores portugueses. 
Os chamados processos de descolonização portuguesa visaram especial e preferencialmente entregar as possessões africanas portuguesas aos interesses estrangeiros, com particular cuidado e simpatia aos movimentos internacionais comunistas, fossem eles soviéticos, cubanos ou chineses!
O amargo do reverso da medalha imperialista anti-comunista estaria guardado para o martírio do povo de Timor-Leste...
E os povos naturais africanos, sem terem alguma vez sido sujeitos a uma consulta popular, ou referendo, para o efeito, foram abandonados pelos descolonizadores ao genocídio das guerras civis que se sucederam imediatamente.
Recém-chegados à “metrópole”, nos anos 1975/76, que ameaçava então mergulhar num pântano comunista, estes “novos” portugueses, confrontados com uma realidade absurdamente diferente e mal refeitos da sua atribulada fuga, com os seus escassos haveres ou só a roupa vestida, logo se depararam com essa xenófoba “identificação”.
Mas, os naturais metropolitanos portugueses, na sua terra, possuem uma particular habilidade para agredirem os mais fracos, os judeus, os pretos, os “estrangeiros” e …todos os outros.
Eu, moçambicano português de nascimento, nessa altura, uma criança de meros 9 anos, desenraízado e assustado com uma realidade muito diferente, também fui hostilizado por crianças e adultos, algumas vezes tive mesmo de me defender com os punhos, ou, com a especial habilidade que tinha em atirar pedras, respondia-lhes com as mesmas “munições".
Também fui protegido por alguns estranhos, vizinhos e novos amigos; uma certa vez, aos meus 10 anos de idade, por ter sido identificado como “retornado” fui derrubado da bicicleta por um matulão mais velho, que, quando se aprontava para me “malhar” no chão, foi afastado pela intrépida e para sempre amiga “Lai”.
O comunismo e o marxismo dos independentistas africanos, roubou-nos o nosso património, a nossa naturalidade e, inclusivamente, os nossos registos oficiais e, a seguir, mergulhando os povos autodeterminados numa matança coletiva, entregou-nos ao maltrato dos seus “camaradas” portugueses.
Hoje, ainda não completamente sarados da traição, dos roubos e dos insultos, nunca fomos ressarcidos, e nem sequer nos pediram desculpa (mas os portugueses só expiam os seus pecados com Deus ...!), já só raramente alguns energúmenos usam depreciativamente a palavra “retornado”.
Os “retornados” foram os primeiros, e únicos, refugiados em massa em Portugal, na sua própria terra!
Chegaram à antiga metrópole nos anos "quentes" da revolução portuguesa, nos anos de 1975/1976, e, na sua grande maioria, foram votados ao abandono e esquecimento pelo Estado Português.
Depois de terem sido espoliados pelos movimentos marxistas independentistas das ex-colónias portuguesas, chegados à sua pátria natural, não receberam sequer quaisquer apoios públicos relevantes, ao invés receberam em grande parte das autoridades portugueses oficiais desprezo e repulsa.
Ainda assim, este mais de um milhão de naturais, filhos, netos, ou descendentes de portugueses, souberam, com o seus esforço, denodo, coragem e, distintamente, com o seu civismo, exemplares, integrarem-se na sociedade e economia portuguesas, tendo, inclusivamente, sido uma capital humano decisivo para o desenvolvimento económico e social de Portugal que se deu mais tarde nas décadas de 80 e 90 do século XX.
Eu lembro-me desse tempo, eu era um “deles”!
Cheguei a Portugal no distante ano de 1975, era dia 1 de Novembro, tinha apenas 9 anos...chuviscava e fazia imenso frio, como nunca tinha sentido na vida, tudo era mais escuro, as estradas eram muito apertadas, parecia tudo tão pequeno e confuso…, as diferenças pareciam abissais em relação ao que estava habituado até aí, tudo mesmo, especialmente as pessoas que passava a conhecer como jamais as tinha visto ou ouvido…
Até a língua portuguesa soava tão diferente!
O choque cultural, social, económico, político, …foi profundo e traumático, nós, os então denominados "retornados", não fomos nada simpaticamente recebido por muitos portugueses!
Apesar destas centenas de milhares de portugueses ultramarinos terem chegado, na sua esmagadora maioria, a Portugal só com a roupa que tinham vestidos, das separações familiares, do desenraizamento forçado, da fuga das suas próprias casas, escorraçados inocentemente a tiro e sob insultos das suas terras de nascimento, magoados, enxovalhados, ainda assim, foram recebidos pelos portugueses metropolitanos com frieza e rancor sob os epítetos de "colonialistas", "ladrões" e "racistas"…
A justiça histórica continuará ausente e por se fazer até ao dia em que estes portugueses sejam adequada e proporcionalmente ressarcidos dos seus danos patrimoniais e morais lhe infligidos.
Mas, os “retornados”, imbuídos pelos largos horizontes africanos, deram uma resposta de paz e de desenvolvimento como não houvera igual até aí, no século XX, em Portugal; e agora outros portugueses voltam aquelas fascinantes terras em busca do seu pão e do seu futuro.
Tempos absurdos e irracionais que foram aqueles…
E nunca mais deixámos, até hoje, de ser “retornados”, com o tudo o que isso significou e intimamente nos marcou...
As particulares nostalgia, saudade, e uma particular consciência da sua "singularidade africana", ainda hoje fazem pulsar de modo diferente a vida, a consciência e a condição destes portugueses, que um dia foram africanos e... "retornados".
E nós, os “retornados”, lembramos sempre com extraordinário orgulho e profunda saudade a “nossa” África!

- Sérgio Passos -



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Cronologia da cidade de Lubango (Sá da Bandeira)


1627 - Primeira expedição à região planáltica, pelo capitão-mor de Benguela, Lopo Soares Lasso
1764 - A notícia das condições excepcionais das terras e do clima da Huila inspiram ao Governador D. Francisco Inocêncio de Souza Coutinho os primeiros planos de ocupação do sul.
1769 - Criação da povoação de Alba Nova, mais tarde simplesmente Huila, para onde seguem o capitão-mor António Rodrigues Algarve e o padre Capuchinho, Gabriel de Braga, em missão pacificadora.
1789 - Nomeação para Alba Nova do capitão-mor António Rodrigues Jardim, após alguns anos de vida estacionária.
1790 - Nomeação do capitão-mor Francisco Inácio de Mira, em substituição do anterior.
1828 - Nomeação do regente Felício Matos da Conceição;
1837 - Nomeação do alferes João Francisco Garcia, fundador de presídios e fortalezas.
1843 - Luz Soriano, funcionário superior do Ministério do Ultramar, apresenta uma Memória em que se reforçam as ideias de Sousa Coutinho sobre a ocupação do Sul.
1845 - João Francisco Garcia regressa a Alba Nova, onde funda um presídio e lança as bases da colonização do Sul, com o apoio de comerciantes que percorriam o interior.
1850 - O Ministro Marquês de Sá da Bandeira cria o Concelho da Huila.
1856 - O mesmo titular da pasta do Ultramar manda distribuir terras aos soldados que desejem permanecer na Huila, além do subsídio de embarque, sementes e alfaias.
1864 - Inicia-se a grande estrada que ligaria Moçâmedes ao planalto, pela região de Capangombe, passando pelo Bruco e Tchivinguiro.
1866 - Por esta estrada, o Padre do Espírito Santo, Carlos Duparquet, sobe a Chela e começa a exploração das terras altas, em missão científica e evangelizadora.
1880 - Os bôeres que desde 1652 se fixaram na África do Sul, fugindo à guerra entre holandeses e ingleses, começaram a instalar-se na Huila, depois de diligências efectuadas entre o Padre Duparquet e o Governo de Lisboa.
1881 - Os bôeres chegam à Humpata a 4 de Janeiro , fixando-se ali com gado e haveres. No mesmo ano, Duparquet regressa duma viagem à Europa, acompanhado pelo padre José Maria Antunes, que funda a missão da Huila , mandando arrotear 2000 hectares de terreno e dirigindo uma exploração agrícola em moldes evoluídos , para exemplo dos nativos.
1882 - O Seminário de Luanda é transferido para a Huila, anexo ao qual passa a funcionar um internato para nativos, onde se ministra o ensino oficial. No mesmo ano, Duparquet funda a missão do Humbe.
1883 - A 17 de Janeiro, a Humpata ascende à categoria de concelho, com uma Comissão Municipal formada por bôeres, sendo administrador o alferes Artur de Paiva, que vem a casar com a filha do chefe da colónia boer, o comandante Jacobus Botha.
1884 - A 19 de Novembro, chegam a Moçâmedes os primeiros Madeirenses que se destinavam à colonização do planalto, num total de 222 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.
1885 - A 16 de Janeiro, chega ao vale do Lubango, num local conhecido por Barracões, a segunda leva de madeirenses, sendo a 19 do mesmo mês fundada oficialmente a colónia de Sá da Bandeira, em homenagem ao Marquês com o mesmo nome, que chefiava o Ministério do Ultramar, ficando a ser dirigida pelo condutor de Obras Públicas. D. José da Câmara Leme. No mesmo ano, chega ao planalto a segunda colónia madeirense, num total de 336 pessoas, 42 das quais se deslocam para as margens do rio Chimpumpunhime, fundando a povoação de São Pedro da Chibia, a 16 de Setembro.
1887 - É construída a residência da Administração da colónia de Sá da Bandeira, ocupada por Câmara Leme.
1889 - Dado o desenvolvimento desta zona, cria-se o Concelho do Lubango, nome de um antigo soba "Kaluvangu" que vivia na região.
1890 - Instala-se nas margens do rio Caculuvar, distante oito quilómetros, uma sucursal da Colónia de Sá da Bandeira.
1891 - Funda-se a Missão do Jau. É eleita a primeira Câmara do Lubango, sob a presidência de João Gonçalves de Azevedo.
1892 - Funda-se a Missão do Tchivinguiro. Artur de Paiva, administrador do Conselho da Humpata é nomeado intendente da colonização branca em todo o planalto.
1894 - Funda-se a Missão da Quihita.
1896 - Câmara Leme é transferido para S. Tomé.
1898 - Funda-se a Missão do Munhino, prolongamento da Missão mãe da Huila, onde os padres Bonnefoux e Lecomte desenvolvem acção notável.
1900 - O senso deste ano assinala 1575 habitantes no Lubango, sendo 1248 da raça branca.
1901 - A 2 de Setembro é criado o Distrito da Huila, sendo o Lubango elevado à condição de Vila de Sá da Bandeira, começando a Humpata a perder a sua importância militar e administrativa.
1906 - Chega a Sá da Bandeira a primeira professora oficial, Dona Irene Bettencourt de Medeiros Portela, com ela começando a instalação do ensino oficial, antes confiado às Missões.
1908 - O Governador da Huila, capitão João de Almeida, lança as bases do desenvolvimento da futura cidade.
1910 - Ainda no governo de João de Almeida realiza-se a primeira Exposição feira Agro-Pecuária.
1915 - O General Pereira D'Eça termina praticamente com as guerras de ocupação.
1918 - Chegada da Esquadrilha Expedicionária de Aviação.
1919 - Funda-se a Escola Primária Superior, a Associação Comercial e Agrícola, a Associação dos Empregados do Comércio e, provavelmente neste ano, aparece o primeiro jornal, de natureza panfletária, O CLARIM, de Joaquim de Figueiredo.
1923 - Sá da Bandeira é elevada a cidade, no dia 31 de Maio, por proclamação, na residência do Governo Geral, na Humpata, do Alto Comissário da República, General Norton de Matos. Neste mesmo ano, atinge Sá da Bandeira o caminho de ferro de Moçâmedes.
1929 - A Escola Primária Superior, com ensino até o terceiro ano, dá lugar ao Liceu Diogo Cão. Sá da Bandeira tinha nessa data uma população estudantil da ordem de meio milhar. Funda-se o jornal "Notícias da Huila" sob a direcção de Venâncio Guimarães, sendo chefe de redacção o jornalista Filipe Coelho.
1932 - O Padre Carlos Estermann , que se viria a notabilizar como etnógrafo, assume a direcção das Missões.
1935 - Em função do desenvolvimento de Sá da Bandeira, surge o Vicariato Geral da Chela, sob a direcção do Padre Carlos Estermann. Neste mesmo ano a Huila ascende a Província, sendo a quinta da nova divisão administrativa de Angola.
1937 - O Liceu Diogo Cão passa a ministrar o 7º ano, tendo 150 alunos, e é fundado o colégio das Doroteias, "Paula Frassinetti". Cria-se o Aero Clube da Huila.
1939 - Funda-se o Radio Clube da Huila.
1942 - É lançada a primeira pedra da Escola Agrícola do Tchivinguiro.
1949 - O Caminho de ferro atinge a Chibia.
1953 - O Caminho de ferro atinge o Chiange. Chegam à Matala os primeiros colonos, no seguimento de um programa de colonização do Inspector Superior, Engenheiro Trigo de Morais, que começara com a construção da barragem hidroeléctrica sobre o Cunene. Começa-se a publicar o "Jornal da Huila", sob a direcção do Comandante de Marinha, Venâncio Guimarães Sobrinho.
1954 - O ensino local é valorizado com a abertura da Escola Industrial e Comercial e um curso de Professores, que se propunha ser o embrião da Escola de Magistério Primário.
1955 - O Caminho de Ferro, em direcção ao leste, atinge a Matala. Funda-se a Corporação dos Bombeiros Voluntários de Sá da Bandeira.
1956 - Chega a Sá da Bandeira o seu primeiro bispo, D. Altino Ribeiro de Santana.
1957 - A Escola do Tchivinguiro ascende à categoria de Escola de Regentes Agrícolas.
1959 - Inicia-se em Sá da Bandeira o primeiro movimento pró - Universidade de Angola. A cidade conta por esta altura cerca de 30000 habitantes.
1961 - É criado o Instituto Comercial.
1962 - O Governador Venâncio Deslandes anuncia a criação dos Estudos Gerais Universitários, em bases que vêm a ser julgadas inconstitucionais pelo Governo de Lisboa.
1963 - São efectivamente criados os Estudos Gerais Universitários, em Luanda, com delegações em Sá da Bandeira e Nova Lisboa. Cria-se no mesmo ano a Escola do Magistério Primário. Funda-se a Editorial Imbondeiro, sob a direcção de Garibaldino de Andrade e Leonel Cosme, que constitui a primeiro movimento editorial angolano. A Câmara Municipal realiza o I° Encontro dos Escritores de Angola.
1966 - Começam a funcionar os Cursos dos 8º e 11º grupos e as Pedagógicas, na Delegação dos Estudos Gerais.
1968 - Começa a funcionar o curso de Ciências Matemáticas.
1969 - Extinguem-se os cursos de preparação de professores e criam-se os bacharelatos de Românicas, História, Geográficas, Pedagógicas e Matemáticas. É criada a Escola do Ciclo Preparatório "Marquês de Sá da Bandeira", logo frequentada por cerca de 1000 alunos.
1970 - O senso deste ano dava à cidade e arredores cerca de 50000 pessoas e 85000 no concelho do Lubango.
1973 - Sá da Bandeira festeja o cinquentenário de sua elevação a Cidade, contando, com as áreas circunvizinhas, cerca de 60000 habitantes, 6560 aluno primários nas área do concelho, cerca de 4000 no ensino secundário, meio milhar no ensino médio e outro tanto no ensino superior. Para assinalar a efeméride a Câmara Municipal realiza o Festival Internacional de música, com a presença de artistas de várias partes do mundo, sob a direcção do pianista Sequeira Costa, e constrói o Monumento ao Marquês de Sá da Bandeira.

Fonte

http://www.ultraperiferias.pt/2008/07/cronologia-da-cidade-de-lubango-s-da.html?m=1


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CALUQUEMBE - A SUA FUNDAÇÃO ADMINISTRATIVA FOI HÁ 100 ANOS

As terras em si já existem, não se fundam. Mas as povoações, sua estrutura administrativa, edificações, arruamentos, etc., esses, sim, começam algum dia pela decisão e mão do homem.
Foi a 9 de dezembro de 1916 que foi publicada no nº 49 do Boletim Oficial de Angola, I Série, a Portaria nº 233 do Governo-Geral de Angola, de 8 de dezembro de 1916, criando o Posto de Polícia Civil de Caluquembe, entre outros criados na mesma data. Faz agora 100 anos !
Era integrado na então circunscrição civil de Caconda, zona histórica, pertencente ao distrito de Benguela.
Do sumário do Boletim Oficial em causa extrai-se o seguinte:
“…
GOVÊRNO GERAL DE ANGOLA
Secretaria Geral do Govêrno:
Portaria n.º 233, criando, na circunscrição civil de Caconda, o posto de polícia civil de Caluquembe. “
                              
Segue-se no interior desse número do Boletim Oficial de Angola (página 329) o texto dessa Portaria:
            “ PORTARIA N.º 233
Nos termos do § 1.º do artigo 3.º do Regulamento das Circunscrições Administrativas, de 17 de abril de 1913, e atendendo à proposta do Governador do distrito de Benguela:
Hei por conveniente criar, na circunscrição civil de Caconda, o posto de polícia civil de Caluquembe, tendo por limites:
Norte – o limite sul do pôsto da Chicuma desde a nascente do rio Quê até às proximidades do rio Catumbela.
Sul – o limite norte do pôsto de Chicomba até à confluência do rio Cupacassa no Catapi.
Leste – o curso do riacho Iumbi até à sua confluência no Cupacassa; o curso deste rio até à sua confluência com o riacho Uaba. Da nascente do riacho Iumbi uma linha norte-sul até o limite sul do pôsto da Chicuma.
Oeste – o limite oeste da circunscrição, desde a nascente do rio Quê até próximo do paralelo 14º.
Cumpra-se.
Residência do Govêrno Geral, em Loanda, 8 de Dezembro de 1916. – O Governador Geral, Pedro Francisco Massano de Amorim.
Presumimos que na época (1916) se designava, como postos de polícia civil, a maioria das subunidades básicas civis, da administração do território de Angola, considerada então oficialmente uma província de Portugal. Também pensamos que esses postos de polícia civil viriam a ser designados posteriormente como postos administrativos chefiados por um chefe de posto, face a uma reforma administrativa de Angola subsequente.
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Pelo que Caluquembe, a partir de certa altura, foi designado posto administrativo. Mas, a esta distância temporal será algo difícil obter informações pormenorizadas através da memória oral, eventualmente transmitida a gerações seguintes e ainda vivas, tais como: onde teria sido instalado o primeiro posto de polícia civil, quem o chefiou de início, quando se transformou efetivamente em posto administrativo, etc.? Ou, por outro lado, será extremamente complicado ter o enorme trabalho de efetuar pesquisas intensas em arquivos históricos, nem sempre acessíveis.
No posto administrativo foi também criada, como autarquia, a junta local de Caluquembe, em meados dos anos 50.
            Caluquembe está situado no Sul de Angola, na hoje província, antigo distrito, da Huíla. Porém, à data da sua criação pertencia, tal e qual como a circunscrição civil de Caconda onde o mesmo estava integrado, ao distrito de Benguela, supomos que até aos anos 30 do século XX, sendo a partir de então integrado na Huíla.
            O posto administrativo foi promovido a concelho em 1965 (Portaria nº 14.061, de 13 de dezembro de 1965), sendo, por sua vez, dividido em quatro postos administrativos: sede, Chicomba (desanexado de Caconda), Negola (desanexado de Quilengues) e Calépi. O posto de Chicomba viria por sua vez a ser promovido a Concelho no início dos anos 70, pelo que Caluquembe ficou então com menos um posto administrativo.
            Concomitantemente à sua elevação a concelho, em 1965, foi criada a câmara municipal de Caluquembe, substituindo a anterior junta local.
            Na atualidade, o município de Caluquembe possui três comunas: sede, N’gola e Calépi. Tem uma área total de 3074 Km2 e, segundo o censo de 2014, possui 169420 habitantes.
                                                                                  
                                                                                          Júlio H. Rodrigues, 9/12/2016



                                                           
           

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