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sábado, 10 de junho de 2017

A HORA DA PARTIDA LIVRO DE CATARINA CANELAS

Entre 1974 e 1975, mais de meio milhão de pessoas que viviam nas ex‑colónias portuguesas deixaram tudo para fugir à guerra. Este livro relata, na primeira pessoa, estas vivências.











quarta-feira, 15 de março de 2017

Chamaram-nos Retornados

Chamaram-nos

R E T O R N A D O S 





E assim deixamos Angola







quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A tragédia esquecida da descolonização Cultura e História20 Jan, 2016

A memória do abandono das províncias ultramarinas continua dolorosamente presente. O drama dos “retornados” é uma ferida que a III República não conseguiu sarar. Falta ainda que se faça justiça: para as centenas de milhar de inocentes cujas vidas foram arruinadas e para os responsáveis pela tragédia africana de 1975.

Os manuais de História tratam o tema como encerrado, mas as perguntas incómodas mantêm a sua pertinência. Com que direito os militares portugueses do MFA entregaram Angola e Moçambique a partidos aliados da (hoje extinta) União Soviética? Por que razão os povos das províncias ultramarinas nunca tiveram o direito de se pronunciar sobre o seu destino? A crise dos refugiados, vulgo “retornados”, era inevitável?

A apressada outorga de independência aos territórios do Ultramar, um dos grandes pecados da actual República, aconteceu há quatro décadas certas, decorria o ano de 1975. Nessa data, chegavam a Lisboa mais de 400 mil refugiados de África, brancos, negros e mestiços inocentes que viram as suas vidas arruinadas por uma descolonização então chamada “exemplar” mas hoje prudentemente rotulada de “possível”. Na verdade, uma tragédia desnecessária que provocou o maior movimento de repatriação de sempre na nossa História.

O império de D. João II foi abandonado à pressa, e o pouco que restava dele jazia perto do Padrão dos Descobrimentos, em contentores desconjuntados contendo as parcas posses que os portugueses ainda conseguiram salvar da guerra civil que se aproximava velozmente de Angola. Só para evacuar todos os portugueses de África foram necessários 905 voos, e a recém-nacionalizada TAP teve de dar uso até aos imponentes Boeing 747 recentemente adquiridos. Os EUA e a URSS também contribuíram, tanto para a desgraça que estava a acontecer, como com aviões para retirar do Ultramar, sobretudo de Angola, cidadãos cujo único “crime” era terem nascido portugueses. Também foram usados 27 navios, que transportaram 100 mil pessoas. Quinhentos anos depois, barcos modernos faziam a rota das caravelas, mas em sentido contrário.

Os custos económicos do abandono de 98% dos territórios portugueses foram gigantescos para os povos afectados. Em 1973, o Produto Nacional Bruto de Angola era de 2,7 mil milhões de dólares, e o de Moçambique de 3.1 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. Poucas anos mais tarde, eram apenas uma ínfima fracção desse valor. Por sua parte, Portugal passou de ter taxas de crescimento de 10% ao ano, para ter de receber o FMI pela primeira vez em 1977.

Terror e racismo de esquerda
O actual regime angolano, agora a tentar revestir-se com o verniz da legitimidade dos Estados civilizados, afirma que os “colonos” nunca foram expulsos, apenas escolheram abandonar o território por causa do seu “racismo”. Mas a verdadeira história é bem diferente, quando contada por quem viveu os horríveis acontecimentos de 1975 – como Américo Cardoso Botelho, que os deixou pungentemente retratados no seu livro “Holocausto em Angola”.

A autoridade portuguesa no território, dominada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) e manipulada pelo Alto-Comissário Rosa Coutinho, já estava em colapso mesmo antes da independência formal. Execuções públicas, saques a casas de portugueses, pilhagem generalizada eram já comportamentos comuns mesmo antes de a nossa bandeira ser arriada pela última vez. Uma situação que, com excepção das execuções, não era muito diferente da vivida em Portugal continental, a braços com a anarquia do PREC.

Retornados

Em Julho de 1974, mais de mil reclusos fogem da prisão em Angola, muitos deles homicidas, e as autoridades decidem conceder-lhes uma amnistia porque o governo já não tinha recursos para os capturar de novo. Em Luanda e Lourenço Marques a taxa de homicídios dispara. Em pleno PREC, Vasco Gonçalves declara a uma televisão alemã que as inquietações dos portugueses em África eram as “de uma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”.

Os jornais ainda estavam quase todos sob o controlo das forças de esquerda e não reportavam a situação de forma isenta, virando os portugueses continentais contra os seus concidadãos de além-mar. Um jornalista britânico, John Bruce Edlin, chegou mesmo a ser expulso de Moçambique por questionar a anarquia reinante, mas desta vez ninguém protestou no estrangeiro.

A actual República Portuguesa gostaria, por certo, de esquecer que entregou todo o Império Português ao bloco comunista soviético. Mas não há maneira de esquecer como, no momento crucial, o racismo da esquerda se revelou. Na hora da separação forçada, os brancos foram considerados “portugueses” e os negros “outra coisa”, quando anteriormente eram todos cidadãos nacionais sob a mesma bandeira.

Durante séculos, Portugal assumiu responsabilidades pelos habitantes daqueles territórios, e muitos, em troca, serviram a sua Pátria. Em 1974, metade do Exército Português era composto por soldados africanos, incluindo o mais condecorado oficial das nossas Forças Armadas, Marcelino da Mata. A vasta maioria destes soldados foi abandonada à sua sorte. E a sua sorte foram execuções em massa, tanto deles como das suas famílias.

Silêncio…
Os refugiados de África organizaram-se para exigir indemnizações ao Estado português. Esse, por sua vez, sacudiu a água do capote alegando que a III República ainda não existia à data da colonização, e consequente descolonização, dos territórios. Ainda hoje, quarenta anos depois, os espoliados de África não viram um cêntimo. Muitos não conseguiram trazer de África nem uma ínfima parte do que lá haviam construído e amealhado com o suor do seu rosto. O infame decreto-lei 181/74 tornava a transferência cambial de escudos ultramarinos para escudos portugueses uma operação quase impossível.


Os causadores de toda a catástrofe humanitária que se viveu nunca foram julgados. A elevada idade de alguns significa que já não o serão. Outros viveram e morreram no maior dos confortos, por vezes até com pensões do Estado português. Outros ainda estão no poder nos territórios africanos.

A actual República começou coxa, e ainda coxa sobrevive. Quer esquecer os acontecimentos de há quatro décadas para resguardar a “paz social”. Mas por todo o mundo a crise angolana está a despertar a atenção dos países desenvolvidos para a tragédia de 1975, especialmente tendo em conta os efeitos trágicos que teve. Todos os anos são publicados livros que contam uma história divergente da história oficial em relação à descolonização.

Livros como “Diamantes de sangue: corrupção e tortura em Angola”, do jornalista angolano Rafael Marques, “Guerra e Paz: Portugal/Angola”, de W.S. Van der Waals, “Guerra d’África, 1961-1974 – Estava Perdida a Guerra?” de Humberto Nuno de Oliveira e Brandão Ferreira (colaboradores do nosso jornal), “Holocausto em Angola”, de Américo Cardoso Botelho, “Em Nome do Povo – O massacre que Angola silenciou”, de Lara Pawson, ou “Os Retornados Mudaram Portugal”, de Fernando Dacosta, entre muitos mais, desmentem a “verdade politicamente correcta”.

O silêncio oficial continua, e nas escolas ainda o 25 de Abril e a descolonização “exemplar” são contados aos alunos segundo a cartilha esquerdista. Nas escolas, as crianças aprendem os três “D” do MFA antes de lhes ser ensinado o Hino Nacional. Mas mesmo com toda a censura e revisionismo, existe felizmente quem ainda queira descobrir a verdade.

O silêncio está a tornar-se ensurdecedor.

Fonte - Jornal o Diabo



Retornados”: os refugiados portugueses do século XX

Retornados”: os refugiados portugueses do século XX
O termo, expressão ou designação, "retornado" foi particularmente utilizado nos tempos que se seguiram à revolução do "25 de Abril de 1974".
Aquela expressão visava identificar, mas sobretudo molestar, os portugueses vindos das ex-colónias, muitos deles chegando a Portugal em sofrimento e grandes dificuldades, após se terem confrontado, sem "apelo nem agravo", com os processos impostos, precipitados, violentos, irracionais, e até mesmo traidores, das irresponsáveis independências ultramarinas.
A maioria destes portugueses retornavam ao país donde tinham partido muitos anos antes, donde haviam emigrado com enormes sacrifícios e em busca duma condição melhor, e outros, os africanos naturais, filhos ou descendentes de portugueses, aqui chegavam depois de terem sido forçados a abandonar as suas próprias pátrias, na verdade, a refugiarem-se num terceiro país.
Todos eles foram expatriados à força e contra a sua vontade das suas terras e haveres pela ação de delinquentes fardados e armados à pressa pelos oportunistas descolonizadores portugueses. 
Os chamados processos de descolonização portuguesa visaram especial e preferencialmente entregar as possessões africanas portuguesas aos interesses estrangeiros, com particular cuidado e simpatia aos movimentos internacionais comunistas, fossem eles soviéticos, cubanos ou chineses!
O amargo do reverso da medalha imperialista anti-comunista estaria guardado para o martírio do povo de Timor-Leste...
E os povos naturais africanos, sem terem alguma vez sido sujeitos a uma consulta popular, ou referendo, para o efeito, foram abandonados pelos descolonizadores ao genocídio das guerras civis que se sucederam imediatamente.
Recém-chegados à “metrópole”, nos anos 1975/76, que ameaçava então mergulhar num pântano comunista, estes “novos” portugueses, confrontados com uma realidade absurdamente diferente e mal refeitos da sua atribulada fuga, com os seus escassos haveres ou só a roupa vestida, logo se depararam com essa xenófoba “identificação”.
Mas, os naturais metropolitanos portugueses, na sua terra, possuem uma particular habilidade para agredirem os mais fracos, os judeus, os pretos, os “estrangeiros” e …todos os outros.
Eu, moçambicano português de nascimento, nessa altura, uma criança de meros 9 anos, desenraízado e assustado com uma realidade muito diferente, também fui hostilizado por crianças e adultos, algumas vezes tive mesmo de me defender com os punhos, ou, com a especial habilidade que tinha em atirar pedras, respondia-lhes com as mesmas “munições".
Também fui protegido por alguns estranhos, vizinhos e novos amigos; uma certa vez, aos meus 10 anos de idade, por ter sido identificado como “retornado” fui derrubado da bicicleta por um matulão mais velho, que, quando se aprontava para me “malhar” no chão, foi afastado pela intrépida e para sempre amiga “Lai”.
O comunismo e o marxismo dos independentistas africanos, roubou-nos o nosso património, a nossa naturalidade e, inclusivamente, os nossos registos oficiais e, a seguir, mergulhando os povos autodeterminados numa matança coletiva, entregou-nos ao maltrato dos seus “camaradas” portugueses.
Hoje, ainda não completamente sarados da traição, dos roubos e dos insultos, nunca fomos ressarcidos, e nem sequer nos pediram desculpa (mas os portugueses só expiam os seus pecados com Deus ...!), já só raramente alguns energúmenos usam depreciativamente a palavra “retornado”.
Os “retornados” foram os primeiros, e únicos, refugiados em massa em Portugal, na sua própria terra!
Chegaram à antiga metrópole nos anos "quentes" da revolução portuguesa, nos anos de 1975/1976, e, na sua grande maioria, foram votados ao abandono e esquecimento pelo Estado Português.
Depois de terem sido espoliados pelos movimentos marxistas independentistas das ex-colónias portuguesas, chegados à sua pátria natural, não receberam sequer quaisquer apoios públicos relevantes, ao invés receberam em grande parte das autoridades portugueses oficiais desprezo e repulsa.
Ainda assim, este mais de um milhão de naturais, filhos, netos, ou descendentes de portugueses, souberam, com o seus esforço, denodo, coragem e, distintamente, com o seu civismo, exemplares, integrarem-se na sociedade e economia portuguesas, tendo, inclusivamente, sido uma capital humano decisivo para o desenvolvimento económico e social de Portugal que se deu mais tarde nas décadas de 80 e 90 do século XX.
Eu lembro-me desse tempo, eu era um “deles”!
Cheguei a Portugal no distante ano de 1975, era dia 1 de Novembro, tinha apenas 9 anos...chuviscava e fazia imenso frio, como nunca tinha sentido na vida, tudo era mais escuro, as estradas eram muito apertadas, parecia tudo tão pequeno e confuso…, as diferenças pareciam abissais em relação ao que estava habituado até aí, tudo mesmo, especialmente as pessoas que passava a conhecer como jamais as tinha visto ou ouvido…
Até a língua portuguesa soava tão diferente!
O choque cultural, social, económico, político, …foi profundo e traumático, nós, os então denominados "retornados", não fomos nada simpaticamente recebido por muitos portugueses!
Apesar destas centenas de milhares de portugueses ultramarinos terem chegado, na sua esmagadora maioria, a Portugal só com a roupa que tinham vestidos, das separações familiares, do desenraizamento forçado, da fuga das suas próprias casas, escorraçados inocentemente a tiro e sob insultos das suas terras de nascimento, magoados, enxovalhados, ainda assim, foram recebidos pelos portugueses metropolitanos com frieza e rancor sob os epítetos de "colonialistas", "ladrões" e "racistas"…
A justiça histórica continuará ausente e por se fazer até ao dia em que estes portugueses sejam adequada e proporcionalmente ressarcidos dos seus danos patrimoniais e morais lhe infligidos.
Mas, os “retornados”, imbuídos pelos largos horizontes africanos, deram uma resposta de paz e de desenvolvimento como não houvera igual até aí, no século XX, em Portugal; e agora outros portugueses voltam aquelas fascinantes terras em busca do seu pão e do seu futuro.
Tempos absurdos e irracionais que foram aqueles…
E nunca mais deixámos, até hoje, de ser “retornados”, com o tudo o que isso significou e intimamente nos marcou...
As particulares nostalgia, saudade, e uma particular consciência da sua "singularidade africana", ainda hoje fazem pulsar de modo diferente a vida, a consciência e a condição destes portugueses, que um dia foram africanos e... "retornados".
E nós, os “retornados”, lembramos sempre com extraordinário orgulho e profunda saudade a “nossa” África!

- Sérgio Passos -



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

FOI HÁ 40 ANOS QUE CHEGÁMOS A PORTUGAL …


Neste ano, já é a terceira vez que vos escrevo acerca de 40 anos volvidos sobre diversos acontecimentos pessoais e familiares.

Desta vez, vou partilhar convosco a nossa parcela, considerando a minha família nuclear e próxima, no êxodo que constituiu a vinda de muitos milhares de refugiados deAngola, Moçambique e dos outros territórios. Por diversas formas vieram, como é consabido. No caso de Angola: grande parte dos refugiados veio pela ponte aérea paraPortugal; outros ainda vieram em navios diretamente de Angola para Portugal enquanto possível; outros milhares, refugiaram-se no Sudoeste Africano (hoje Namíbia) e na África do Sul, onde alguns conseguiram por lá ficar, mas, grande parte destes certamente teve de rumar para Portugal também, ou para outros países, quer por via aérea, quer por navios fretados para transportar os refugiados que estiveram temporariamente alojados em campos. Os números de cada situação e os globais são um tanto imprecisos, consoante as fontes, mas todos juntos fomos largas centenas de milhares de refugiados das antigas províncias ultramarinas.

Ora, narro agora o nosso caso, o da odisseia do meu grupo familiar. Era outubro de 1975. Face às condições de grande instabilidade político-militar na pré- independência de Angola, insegurança, lutas constantes entre forças do MPLA e da UNITA na cidade do Lubango, onde vivíamos nessa conturbada época, aliada à crescente escassez de bens de primeira necessidade, deficiência na assistência de saúde, enfim a zona e a cidade a aproximarem-se quase do colapso social, comercial e económico. Tempos pois estonteantes, de muito risco, altamente inseguros sob todos os pontos de vista, pelo que, fomos forçados a tomar a resolução de também partir... Tal qual, como milhares de refugiados já o haviam feito antes de nós, e como outros o fizeram depois. Era a salvação imediata. E o destino que escolhemos, face a haver uma ponte aérea, foi Portugal, reforçado por alguns de nós sermos funcionários públicos, o que permitiria, prometia-se, e veio a acontecer, ingressar no funcionalismo em Portugal, num criado quadro geral de adidos.

Eis, pois, a constituição desse grupo, desta família que fora de José Maria Rodrigues (este falecido, em condições confrangedoras, no Lubango pouco tempo antes, em 26.09.1975, como já relatei noutro escrito que vos enviei): Irene, minha mãe, na época com 64 anos; sua afilhada Joana, jovem de 14 anos; meu irmão Higino, 32; sua mulher e minha cunhada Aldina, 29; seu segundo filho Bruno, com tenra idade; minha mulher, Helga, 23; com nosso bebé Henrique, quase recém-nascido pois tinha um mês e meio de idade; minha filha Graça, 8; e eu, Júlio, com 31 anos. Nove pessoas ao todo, sendo cinco adultos, três crianças e uma adolescente.

Nas semanas anteriores, foi conseguir encomendar caixotes nas últimas carpintarias em funcionamento na cidade, e ir enchendo-os com o possível: máquina de lavar roupa, outros pequenos eletrodomésticos, máquina de costura Singer (da minha idade, pois entrou na minha casa em Caluquembe no dia em que nasci e que ainda hoje a conservo), tapetes, carpetes, utensílios, aparelhos diversos, bibelôs, imensos livros (meu pai possuíra uma biblioteca razoável e havia sido um grande leitor), algumas mobílias e peças de mobiliário, álbuns de fotografias, slides, malas da cânfora, bar chinês, projetor de slides, écran, utilidades diversas e inúmeras outros objetos que era possível meter em uma dúzia de caixotes, de diversas cubicagens. Tentávamos encaixotar a nossa vida…disfarçar o vazio que crescia na nossa alma.

A minha tia Madalena, prima direita e cunhada de minha mãe, foi incansável na ajuda que nos deu a arrumar os caixotes. Mas de notar que a maioria desses bens encaixotados pertenciam ao recheio da casa de minha mãe, e que fora do meu pai; bem como ao recheio da casa do Higino e Aldina, que arranjaram igualmente os seus caixotes. Mas, os pertences, meus e da Helga, constituídos sobretudo pelas muitas prendas de casamento, este ocorrido ainda não havia um ano na ex-Nova Lisboa (Huambo), ficaram por lá, visto que as condições de insegurança ainda foram piores, mais insuportáveis que as do Lubango e já não foi possível aos pais da Helga, onde os nossos bens se encontravam guardados, providenciarem o seu transporte para Portugal. Quanto aos automóveis, consegui ir a Moçâmedes, uns tempos antes da nossa partida, despachar o carro de meus pais, um Audi 100 LS, e o meu, um Autobianchi A111. Estacionei os dois juntos no imenso parque de viaturas à espera de embarque; ainda pensámos meter coisas nos porta-bagagens mas, receosos, não o fizemos, e ainda bem, pois só o meu carro chegou a Portugal, o de meus pais nunca apareceu…Houve quem o tivesse visto a circular, tempos depois, numa cidade em Angola, subtraído assim ao embarque... O Higino e a Aldina também despacharam dois automóveis, um seu (Mini) e outro (Lancia) dum cunhado os quais tiveram o mesmo destino, isto é, nunca chegaram a Portugal.

Voltando ao Lubango: lá conseguimos ainda alugar uma camioneta que levasse os caixotes à estação do Caminho de Ferro, sita no bairro de Stº António, que seriam transportados para o porto de Moçâmedes (hoje Namibe) a fim de seguirem para Lisboa. Todos estes afazeres, formalidades alfandegárias, requerimentos, guias de desembaraço, etc., quer em relação aos bens, quer a nós próprios, eram conduzidos num stress indescritível, com muita tensão e nervos, e sob emoção e tristeza, face ao abandono iminente de nossas casas e de muitos outros pertences, ainda que alguns fossem móveis eram intransportáveis, mas sobretudo chorávamos por dentro pela saída, forçada pelas
circunstâncias, da nossa, e de nossos ascendentes, querida terra angolana, e assim deixarmos os nossos sonhos. E ficámos apenas com a memória. Talvez alguns acessos de tristeza estivessem a ser anestesiados no momento, pela psicose coletiva que se estabeleceu, ao haver todos os dias um número crescente e imparável de refugiados de partida da cidade, entre conhecidos, desconhecidos, amigos, familiares. E, ainda, no coração de cada um, decerto, haveria uma réstia de esperança de um dia no futuro voltarmos a viver e trabalhar na nossa querida terra angolana…que não desejáramos abandonar (mas a este grupo familiar que relato nunca aconteceu alguém voltar a viver em Angola, pelo menos até à atualidade…).

As datas que refiro de seguida, penso estarem certas. Assim, o dia 10 de outubro de 1975 chegou. Foram as despedidas finais emocionantes, da prima Isaura que chorava, da Madalena que não chorava mas tinha um semblante tristíssimo (ela também, sem o imaginar na ocasião, teria de refugiar-se em Portugal meses depois), etc. Era o meu pai que ficava e deixávamos… lá no cemitério da Mitcha. Tomámos um comboio na estação de Stº António, aliás a estação que servia e serve o Lubango, visto que na época a antiga já fora desativada. Chegava a noite desse dia. Nós, e dezenas ou centenas de outros refugiados tomámos o comboio. Lembro-me que, pelo menos, a cabine onde viajámos, não tinha luz e fizemos a viagem de noite inteira às escuras… O meu amigo de peito e colega Pissarra, padrinho de casamento da Helga, também viajou nesse comboio e connosco continuou, passando praticamente a fazer parte do nosso grupo familiar.

Chegados pela manhã do dia 11 a Moçâmedes, fomos desembarcados no porto comercial. Estava-nos destinado um navio da Armada Portuguesa, a navio tanque reabastecedor S. Gabriel (que hoje já não existe; ver foto). Ali fomos arrumados para  pernoitar da forma como foi possível, mais ou menos assim: mulheres e crianças na coberta, homens no convéns, praticamente ao relento ou nos “varandins” laterais. Não nos queixávamos, resignávamo-nos. E, lá se iniciou a viagem marítima pela costa angolana, julgo que já era da parte de tarde, rumo à capital Luanda. Levávamos connosco farnéis e alguns pertences em malas ou sacos que nos podiam acompanhar. Não tivemos frio, pois em Angola, em outubro, está temperatura amena, não choveu, e dormimos, os homens, encostados uns aos outros, lá em cima, éramos muitos e havia que rentabilizar o espaço, e as mulheres e crianças em beliches na coberta, como já indicámos atrás.


 Navio tanque reabastecedor da Armada Portuguesa



Fotos seguintes: 11 e 12.outubro.1975


  No porto de Moçâmedes enquanto se aguardava o embarque
(Helga com bebé Henrique, Joana, Irene e Aldina)

 Idem, quase a embarcarem (em primeiro plano consegue-se ver o nosso grupo familiar)



Pela manhã, começava o dia 12, até avistámos golfinhos, pois quando navegávamos no final do percurso já o sol rompera, até aportarmos em Luanda.

Irene, Higino e Aldina a bordo do navio reabastecedor da Armada Portuguesa
S .Gabriel, rumo a Luanda

Aguardámos algum tempo no navio e depois fomos levados em autocarros, julgo lembrar-me, para o antigo quartel do batalhão de paraquedistas 21, nos arredores de Luanda, em Belas. O qual estava feito num autêntico campo de concentração, degradado, com instalações sanitárias imundas, falta de água com frequência. A Helga, o bebé e as mulheres e crianças lá armaram melhor proteção, dos mosquitos também, numa antiga caserna e os homens preferiram dormir quase ao relento, e no chão. O Pissarra continuava connosco. Havia distribuição de alimentos e organização dos grupos que seguiriam nos próximos aviões da ponte aérea.

E, faziam-se avisos e chamavam-se pessoas por altifalantes ou íamos a uma secretaria saber informações. Felizmente para nós, apenas estivemos ali uma noite e um dia, mais ou menos, nesse campo tão desolador e tão sujo já, do que fora um impecável quartel. O Pissarra e eu, ainda conseguimos, arranjar forma de irmos ao centro da capital, mormente para recolhermos os nossos processos individuais nos serviços de veterinária de Angola, o que era facultado a quem viesse ingressar no tal quadro geral de adidos.

No aeroporto de Luanda, na noite de 13 de outubro, pisámos pela derradeira vez o solo angolano. Tomámos, um avião soviético, apercebemo-nos disso no decorrer da viagem, rumo a Lisboa. Na cabine só podíamos trazer o indispensável, pois malas e objetos considerados a mais iriam no porão, não facultaram nada. Na barafunda da entrada para o avião, perdeu-se o leite em pó e o biberão do Henrique. A bordo, lá conseguimos que as assistentes arranjassem um biberão e outro leite, mas, para um bebé, foi uma alteração rápida e daí, talvez, o desencadear dum problema de gastrenterologia e desidratação que adveio dias depois em Lisboa, com o seu internamento, com prognóstico muito reservado, no hospital pediátrico D. Estefânia, onde, à partida, houve muita dificuldade em o internar, o que foi conseguido face à sensibilidade dum médico espanhol de serviço. E onde o bebé, sem saber, lutou pela vida durante talvez mais de dez dias. Voltando ainda atrás, à viagem de avião para Lisboa: forneceram-nos refeição a bordo e tentámos dormir, tão exaustos estávamos, psíquica e fisicamente.

Chegámos a Lisboa manhã cedo, era o dia 14 de outubro de 1975. A Cruz Vermelha encaminhou a Helga e o bebé para um local mais recolhido naquelas instalações do edifício do aeroporto, espaços repletos impressionantemente de pessoas, a maioria sentada ou deitada no chão, atapetado com cobertores, com a humidade e o frio já do outono, tudo para nós desconhecido e quase nos amedrontava. Num balcão improvisado do Banco de Angola, trocaram-nos 5 contos de escudos angolanos, por pessoa, por 5 contos do dinheiro de Portugal, embora trouxéssemos, alguns de nós,
dezenas ou centenas de contos angolanos das nossas poupanças. Dinheiro angolano esse que se tornou lixo. Porém, outros refugiados, sabia-se, nem os cinco contos tinham para troca.

Nesse dia ainda, a Helga e eu, apanhámos um táxi para irmos para o parque municipal de Monsanto procurar a casa dum amigo que nos veio a receber durante algum tempo; o táxi deixou-nos algures por Monsanto, perante uma morada incerta, e ainda tivemos de muito andar a pé para dar com a casa do nosso amigo, funcionário do parque, o Pedro Baptista. Desconhecíamos que o IARN, Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais, nos podia ter dado alojamento em hotéis. Mais tarde, viemos a fruir desse apoio. O Higino, Aldina e Bruno foram logo encaminhados, sem muito esperarem, por um cunhado, o Luís que já chegara a Portugal há semanas, para um hotel em Colares. E assim, o grupo separou-se logo à chegada a Portugal. Foi pena, mas foram as circunstâncias. O Pissarra seguiu para o norte para junto de sua família.

E, fomos tentando resolver as nossas vidas de imediato, de desenrasque em desenrasque… De luta em luta. De fila em fila.

Do grupo familiar, cada um teve o seu percurso pessoal e profissional nestas quadro décadas. Sucintamente: minha mãe, Irene, foi doméstica, viveu sempre comigo, faleceu aos 99 anos em Sesimbra; Joana, afilhada, trabalhou em diversos locais, tem um filho, e hoje vive e trabalha em Inglaterra (já foi algumas vezes ao Lubango); minha filha Graça trabalhou em várias empresas, teve três filhas, reside no concelho do Seixal onde é empregada duma indústria; Higino, meu irmão, reside no concelho do Seixal, tem três filhos de Aldina, que foi professora do ensino básico, e faleceu aos cinquenta e tal anos, em 2002, foi sepultada onde vivia ultimamente, em Mafra; seu filho Bruno, é hoje bombeiro e reside na Ericeira; Helga é funcionária e reside em Sesimbra, tivemos mais dois filhos para além do Henrique, este licenciou-se, é funcionário municipal em Sesimbra e reside na Amora, tem três filhos; por fim, eu, Júlio, fui médico-veterinário municipal em Sesimbra, hoje já aposentado, e onde resido (fui duas vezes à nossa terra Lubango: a primeira em 2003, com o Henrique também; a segunda, em 2013, sozinho, ao Lubango e Caluquembe, esta minha terra natal).

Fez há dias, em 14 de outubro, 40 ANOS QUE CHEGÁMOS A PORTUGAL. Outras terras, outras gentes, outras vidas. Os tempos seguintes, ou seja, os primeiros dias, semanas, anos e décadas, duma vida nova, diferente, difícil e desenraizada, onde a amargura pela saudade da terra e da vida que deixámos em definitivo lá longe nunca se desvaneceu, ficarão para outros escritos, talvez.

                                                                                                      Júlio (Sesimbra, out.2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A COSTELA AFRICANA DOS FILHOS DOS RETORNADOS

Entre 1974 e 1975, meio milhão de pessoas desembarcaram em Portugal vindas das ex-colónias. Chamaram-lhes retornados, apesar de muitos não terem nascido aqui. A vida nunca mais foi igual, nem para quem veio nem para quem cá estava. Nos 40 anos da independência de Angola, recordamos histórias de quem chegou ainda menino e moço mas jamais esqueceu que, um dia, tinha vivido em África.

por Dina Soares e Joana Bourgard
No dia 11 de Novembro de 1975, Angola tornou-se um país independente. Para trás, ficavam quase 500 anos de presença portuguesa e 13 anos de guerra pela libertação. Esperavam-na mais 27 anos de uma guerra civil que matou meio milhão de pessoas, provocou mais de um milhão de deslocados arrasou infraestruturas, empreendimentos económicos, instituições.
Em pouco mais de um ano, entre o Verão de 1974 e o Verão de 1975, chegaram a Portugal, vindas das ex-colónias, cerca de 500 mil pessoas. Mais de metade veio de Angola, nos 905 voos de Luanda e Nova Lisboa para Lisboa ou pelos seus próprios meios.
Entre os retornados – palavra que os repugna mas também que os une – cada um tem sua história. Os mais velhos relatam dificuldades, falta de emprego, de casa, de dinheiro, de tudo. Os mais novos – adolescentes ao tempo da independência – guardam na memória dias de liberdade e descontração. Maria José, Isabel e Paula tinham entre 12 e 17 anos quando regressaram. Cresceram e fizeram-se adultas em Portugal mas África corre-lhes no sangue. Bruno já nasceu cá, as memórias de Angola são do pai, que fez dele o cofre das suas recordações africanas.
Veja mais clicando aqui
















sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A família que comanda a Fest Comix

 

Cerca de 17 000 colecionadores de quadrinhos devem passar hoje, amanhã e domingo pela Fest Comix, a maior feira brasileira dedicada ao tema, com palestras, sessões de autógrafos e, principalmente, HQs a preços promocionais. Serão 500 mil revistas em oferta (algumas custando apenas 1 real) e outras 100 mil importadas. O evento é organizado pela Comix Book Shop, negócio que começou como uma pequena banca de jornal nos anos 80 e é comandada por uma família angolana.

O pai, Camilo Rodrigues, nasceu em 1934 na cidade de Caluquembe, em Angola. De uma hora para outra, a plantação familiar de trigo secou e os Rodrigues se viram na pobreza. Com ajuda de parentes, abriram uma “loja mista”, como eram chamados os estabelecimentos que vendiam todo tipo de artigo, de bicicletas a agulhas. Em 1974, estouraram os conflitos que levariam à independência de Angola e a uma guerra civil que durou 27 anos. Rodrigues decidiu partir com a mulher e os sete filhos para o Brasil. “A casa onde eu morava estava toda destruída”, diz. “Chegaram a me chamar de covarde pelas ruas, mas depois muitos deles fugiram para cá também.” Por causa dos bombardeios, o aeroporto da capital Luanda estava fechado. A família viajou de carro até a África do Sul, onde embarcou para o Brasil. Chegaram a São Paulo em dezembro de 1975.


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Camilo Rodrigues e Jorge comandam equipe de 26 funcionários na Comix. Foto: Míriam Castro/AE



Camilo trabalhou por 14 anos em depósitos de doces pela cidade. Um de seus filhos, Carlos Rodrigues, herdou o faro para negócios e, depois de trabalhar em bancas de jornal, decidiu comprar a sua própria, na Alameda Lorena, em 1986. “Na época, a banca estava caindo aos pedaços”, conta Jorge Rodrigues, um dos irmãos que administra a Comix. “O mercado de quadrinhos no Brasil praticamente não existia”. As revistas de super-heróis não eram importadas em sequência. Cabia aos leitores esperar pela sorte de encontrar, por acaso, o volume que procuravam em meio a uma remessa de revistas de variedades de alguma livraria. Carlos, que estava atrás de um diferencial para sua banca, foi procurado por uma importadora, que queria mudar esse quadro. A empresa oferecia uma espécie de assinatura: as revistas chegariam mês a mês, sem interrupção.

Deu tão certo que a Comix chegou a ter 200 clientes fiéis, que retiravam regularmente as revistinhas. “Alguns fregueses compravam até 10 títulos de uma vez”, afirma Jorge. Com o sucesso das HQs, a loja começou a revender card games, o que fazia com que fãs lotassem o local aos sábados. Em 1993, oa banca já tinha crescido. Mas o espaço não era ainda suficiente. Por isso, a Comix foi obrigada a se mudar para o número 1.998 da Alameda Jaú, também nos Jardins, onde está até hoje.


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Foto: JF Diorio/AE

 

São dois pisos em que é até difícil circular, já que as estantes de revistas ficam bem próximas. No térreo, ficam os lançamentos e as principais publicações do mercado, além de DVDs, Blu-Rays de séries e filmes relacionados a quadrinhos, figuras colecionáveis e toy arts. Subindo uma estreita escada em espiral, o cliente encontra uma disposição diferente, definida pelo próprio Jorge como “um sebo de quadrinhos”. Edições mais antigas ficam armazenadas em nichos e prateleiras, esperando a chegada de um colecionador garimpeiro. “Na juventude, gostava muito de ler”, conta o patriarca. Atualmente, a visão debilitada não permite que leia muito. Uma exceção é Príncipe Valente, história criada em 1937 pelo canadense Hal Foster. “Gosto dela porque fala de tempos antigos, assunto que me interessa bastante”.

Hoje o pai e dois filhos administram o negócio. O irmão Camilo José – que não fica o tempo todo na loja, mas comanda o depósito de publicações – começou a trabalhar na banca em 1995. Jorge, que também já tinha trabalhado em bancas de jornal, entrou para o time da Comix em 2000. O fundador, Carlos, que também criou uma editora de quadrinhos, a extinta Opera Graphica, decidiu deixar o comando da loja em 2008.

A Comix tem 26 funcionários fixos, contando com a loja online, o depósito e o setor administrativo. Em época de Fest Comix, são criados pelo menos 120 empregos diretos, além de seguranças, bombeiros e faxineiros. Como a feira surgiu? Todo mês de janeiro, Carlos fazia uma grande liquidação para atrair clientes no mês de férias. Em 2001, a família Rodrigues decidiu dar mais pompa ao evento e o batizou de Fest Comix. Além das vendas, o evento procura aproximar os autores das histórias em quadrinhos do público. Na primeira edição, que foi realizada na rua mesmo, em frente à loja, o público foi de 200 pessoas. Este será o último ano do Fest Comix no Centro de Convenções São Luís. “Estamos atrás de um lugar ainda maior para o ano que vem”, diz Jorge.

Serviço:19ª Fest Comix19, 20 e 21/10Centro de Eventos São Luís – R. Luís Coelho, 323, Metrô ConsolaçãoEntrada: R$ 10Comix Book ShopAl. Jaú, 1.998, Jd. Paulista, 3088-9116(Com colaboração de Míriam Castro)

Fonte:http://blogs.estadao.com.br/curiocidade/a-familia-que-comanda-a-fest-comix/


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O 23º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE

 

CALUQUEMBE Princesa da Huíla…
O prazer do reencontro e a alegria de reviver, não são contos, são a nossa maneira de ser e estar…
O 23º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE
Como se anunciou oportunamente, realizou-se no passado dia 7 de julho de 2013, domingo, mais uma edição do habitual e anual Piquenique de Famílias Amigas de Caluquembe no mesmo sítio dos anos anteriores, ou seja, na herdade do Cabeço da Flauta próximo à Lagoa de Albufeira, Sesimbra.
Neste ano, contudo, por motivo de falta de saúde de alguns amigos e por esta ou aquela causa de outros, foram poucos os convivas: 14 apenas, 10 adultos e 4 crianças.
Mas, mesmo assim, decorreu muito agradavelmente e com bastante tranquilidade e bem-estar gratificante. Voltou a ser uma bela jornada.
Para 2014 lá estaremos todos se Deus quiser no primeiro domingo de julho.
JHR

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sábado, 14 de setembro de 2013

Entrevista a uma Caluquembense

 

Entrevista a Luísa Maria Baptista em 12 de Setembro de 2013, no programa a TARDE É SUA na TVI.

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Veja a entrevista clicando aqui ou na imagem

Parabéns à avó Luísa pela sua vivacidade e boa disposição.

Bem hajam os familiares que levaram a cabo esta missão, pois para nós que tanto amamos a nossa terra, é sempre com muito agrado que recordamos a terra e pessoas que nela nasceram e viveram. Por coincidência o meu avô José Maria Rodrigues e esposa Irene da Conceição Rodrigues também aparecem no minuto 00:38.

À família o meu OBRIGADO. Para a avó Luísa um grande abraço e que mantenha essa boa disposição.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL




OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL é uma importante síntese dos reflexos causados na sociedade nacional pelo trágico regresso dos portugueses residentes em África nos anos de 1974 e 1975, naquele que constituiu um dos êxodos mais trágicos do Ocidente.
Quase quatro décadas depois, muitas centenas de milhares de portugueses continuam a carregar esse sentimento de amputação, essa saída forçada de uma terra que consideravam sua. Como conseguiram vencer, integrar-se numa sociedade que os olhava com desconfiança e os recebeu com hostilidade? Continuam a trazer África no coração? Esta obra de Fernando Dacosta é porto de abrigo para essas e muitas outras inquietantes perguntas, uma voz dá voz às frustrações, aos anseios, às carências de milhares de outras vozes.
OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL é uma obra de leitura obrigatória para se compreender a sociedade portuguesa actual.
Fonte - Livraria Almedina

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Voltar – Memória do Colonialismo e da Descolonização - SARAH ADAMOPOULOS


 
SARAH ADAMOPOULOS


Um livro de História e de memórias, de discursos e identidades múltiplas.   Em 1975 começaram a voltar a Portugal aqueles que ficaram para o nosso imaginário e a nossa história recente como «os retornados», mas que, na verdade, em muitos casos, não «retornaram» pela simples razão de que nunca de cá...
 
Um livro de História e de memórias, de discursos e identidades múltiplas.
Em 1975 começaram a voltar a Portugal aqueles que ficaram para o nosso imaginário e a nossa história recente como «os retornados», mas que, na verdade, em muitos casos, não «retornaram» pela simples razão de que nunca de cá haviam saído, nascidos e criados que foram em África, de famílias que para lá haviam emigrado por vezes há várias gerações.
O regresso deste contingente, calculado em perto de meio milhão de pessoas, foi segundo uns traumático, segundo outros exemplar. Um problema social e uma indiscutível riqueza para a sociedade e a economia portuguesas. Passadas quase quatro décadas, Sarah Adamopoulos foi em busca de memórias dos que regressaram das várias ex-colónias portuguesas e registou testemunhos e imagens do Portugal de então que permanecem muito vivas. São retratos de corpo inteiro de famílias, vidas e mudanças que a todos tocaram, de diferentes formas e com diferentes graus de desilusão e esperança. A esperança continuará, de novo ou ainda, virada para essa África? Certo é que a terra que tão marcada está ainda na identidade de tantos nos é de novo apontada como destino de um futuro e de uma prosperidade uma vez mais adiados.
Numa época em que, como reporta Diana Andringa no Prefácio, a tomada de consciência dos povos africanos criou uma identidade irrevogável em cada cidadão, Voltar é um título que ecoa em duas direcções e surge para muitos como uma pergunta. Estarão fechadas as feridas deste regresso?






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sabor de Maboque de Dulce Braga

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Dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) uma jovem nascida e criada no coração de Angola, passa como de costume, suas ultimas férias escolares no verão europeu. Foram três meses de prenúncio, do rebuliço que sua vida seria dali em diante. Com o fim das férias e consequente retorno para a ainda colônia angolana, ela se vê vivendo e temendo por seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio econômica, no epicentro do rodamoinho da guerra civil angolana. É um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injetam em todos os seus participes, ativos ou passivos. Um ano depois de sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava ser ela uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar. Trinta anos depois o personagem por ela adotado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar ereta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido de seu marido e seus filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfativas, gustativas, sonoras, visuais, emocionas... A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.

 
 

 
 
 
 
 
Saiba mais clicando aqui

sábado, 19 de novembro de 2011

A vinda de Angola não foi um retorno nem um regresso


Nasceram em Angola e era lá que viviam: em Luanda, Lobito, Sá da Bandeira (Lubango) ou Nova Lisboa (Huambo). Vieram na ponte aérea de 1975, que terminou exactamente há 36 anos, a 11 de Novembro de 1975, data da independência do país. Leram o último livro de Dulce Maria Cardoso, O Retorno, sobre os retornados de Angola e falam das suas experiências. Para eles, a vinda não foi um retorno. Nem sequer um regresso.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dulce Maria Cardoso fala sobre «O Retorno» no Câmara Clara

 

 
O Retorno
Dulce Maria Cardoso
«Dulce Maria Cardoso, a partir deste "O Retorno", deve ser incluída no panteão dos escritores maiores.»
 
 

 


O Retorno


Dulce Maria Cardoso


«Dulce Maria Cardoso, a partir deste "O Retorno", deve ser incluída no panteão dos escritores maiores.»

 

1975 Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras.

Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos não têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa.

Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia.

A adolescência torna­-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança.

África sempre presente mas cada vez mais longe.

Veja aqui os outros livros da colecção de ficção portuguesa.


 


Na imprensa:


«É muito, muito difícil um livro assustar-nos e comover-nos desta forma. Comover-nos com a fragilidade daquela mãe, com a sua necessidade de acreditar que o pai vai voltar. Comover-nos com as lágrimas de uma miúda que é apalpada por ser retornada. Com a amizade entre o puto e o porteiro do hotel que lhe oferece uma bicicleta velha. Com aquela irmã que tenta fingir que é de “cá”. (...) É um país pequeno, desconfio que pouco sereno, neurótico porque rejeita a sua agressividade, mas é também um país que tem meia dúzia de pessoas que se recusam a enterrar a cabeça na areia, que retiram camadas à mentira que cobre os nossos dias. É gente de coragem, é gente de brio. É gente como Dulce Maria Cardoso que, a partir deste "O Retorno", deve ser incluída no panteão dos escritores maiores, aqueles que escrevem com vísceras.»


João Bonifácio, «Público», 5 estrelas


 

«Dulce Maria Cardoso encontra o registo certo em todas as cenas, emocionado e seco, triste e orgulhoso, cheio de culpa e incerteza, de palavras africanas que eram o português angolano, de recordações epocais, como fotonovelas ou marcas de uísque. É essa história visivelmente vivida, sem demagogia nem rasuras, que faz de "O Retorno" um romance há muito aguardado.»

Pedro Mexia, «Expresso», 4 estrelas

 

«(...) uma precisão narrativa e uma clareza de estilo absolutamente admiráveis.»

José Mário Silva, «Ler»

 

«Dulce Maria Cardoso, provavelmente a mais importante escritora da sua geração, publica "O Retorno", o primeiro caso sério de reflexão literária sobre os 500 mil retornados que aterraram em Portugal em 1975. Embora a escritora, vinda de Angola, fosse um deles, isto não é “um ajuste de contas” com o passado. Mas talvez seja um ajuste de contas com a obra dela.»

José Riço Direitinho, «Público»

 

«Há quem a considere uma autora genial. (...) Os seus livros têm tido mais fortuna fora de Portugal, tanto em edições estrangeiras como na atribuição de um prémio europeu de literatura. O quarto romance poderá aproximá-la de um público mais vasto. Desde logo pelo tema. "O Retorno" narra a saga dos 600 mil portugueses que regressaram de África em situações dramáticas depois do 25 de Abril.»


Carlos Vaz Marques, «Ler»

 

 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

“Abandonar Angola” Aida Viegas – Um olhar à distancia


 
Publicado em 2002,  é dedicado aos retornados, muitas vezes incompreendidos, gente corajosa que soube reerguer-se das cinzas do infortúnio. Transcrevem-se 9 dos 24 capítulos que compõem esta obra.
Um olhar à distância
A distância no espaço e no tempo apaga a dor e a revolta, clarifica o discernimento, estabiliza, e deixa que floresçam novas esperanças no nosso olhar que pode ser selectivo ou abrangente, transmitir raiva ou ternura, inconformismo ou resignação ... Feitiço, lenda, realidade, pesadelo e ... saudade!... Tudo é Angola.
A Angola do verbo abandonar conjugado a doer tem profundas cicatrizes cujo testemunho, “a geração dos retornados,” não poderia deixar de legar...

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Aida Viegas
 

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