terça-feira, 1 de julho de 2014

Escola modelo em Caluquembe

 

 

Domingos Mucuta | Lubango
29 de Junho, 2014

Fotografia: Arimateia Baptista

O sector da Educação em Caluquembe, na Huíla, vai, no próximo ano, ser reforçado com a construção de uma escola modelo, no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP).

As obras de construção da futura escola, com 24 salas, estão orçadas em cerca de 601 milhões de kwanzas e ficam concluídas no primeiro trimestre do próximo ano. A entrada em funcionamento do estabelecimento de ensino vai absolver mais 2.500 crianças no sistema de ensino.
A escola, a primeira do género no município de Caluquembe, vai dispor de auditórios, anfiteatros com capacidade de 300 pessoas, jangos, bibliotecas, pátios, refeitório, laboratórios de química, física e biologia, campos polivalentes, gabinetes administrativos e outros espaços.
A população sentem-se feliz pela construção de uma escola na comunidade e esperam que outras obras de impacto social sejam igualmente erguidas. “É um momento de alegria, porque felizmente os nossos vão poder estudar numa boa escola”, disseram.
Além do município do Caluquembe, o Governo Provincial  da Huíla vai igualmente construir, ainda este ano, escolas do género no Lubango e Quilengues, numa altura em que Jamba, Matala, Caconda já dispõem de unidades escolares com dimensões e condições idênticas e cuja experiência está a ser aplaudida pela população. No município de Caluquembe, as autoridades trabalham na ampliação de salas de modo acolher mais crianças no sistema de ensino e também na criação de condições de acomodação para os professores, à luz do Programa Municipal Integrado de Combate à pobreza.
O ministro da Educação, Pinda Simão, inaugurou na localidade do Gando, comuna da Negola, uma escola primária com seis salas e residência do tipo T3 para professores.
A nova escola primária, orçada em 33 milhões de kwanzas, vai acolher centenas de crianças que estudavam em condições precárias na localidade A residência, que custou sete milhões de kwanzas e está mobilada, foi erguida com para evitar a fuga de professores, antes obrigados a voltar à sede do município por falta de casa na localidade.
Ao lado do recinto da escola foi instalado um sistema de abastecimento de água potável com capacidade de bombear 500 litros por hora, que beneficia cerca de 20 mil habitantes, num investimento avaliado em nove milhões de kwanzas.
A rede escolar  no município comporta 31 estabelecimentos de ensino que acolhem cerca de 50 mil alunos.

 

Fonte: JORNAL DE ANGOLA

domingo, 29 de junho de 2014

Apelo aos CALUQUEMBENSES (Convívios da Huíla)

 

Apelo aos CALUQUEMBENSES (Convívios da Huíla)

Apesar de um pouco extensa, peço a vossa benevolência para lerem esta carta até ao fim. Antecipadamente muito grato.

Como é sabido realiza-se há 36 anos o Encontro Anual dos Huilanos (destinado naturalmente à confraternização de todos os antigos habitantes dos concelhos do então distrito da Huíla) organizado pela “Associação Recreativa e Cultural “Os Inseparáveis da Huíla”. Nos primeiros anos os Convívios tiveram lugar no Luso mas já há muitos anos têm acontecido nas Caldas da Rainha. Esse Encontro, onde gente relacionada com a Huíla pode rever-se, conhecer-se ou reconhecer-se, é certamente, nos tempos que correm, a maior concentração em Portugal de pessoas oriundas de Angola, ou mesmo de todo o ex-ultramar, e que se vem realizando com êxito ininterruptamente devido ao trabalho dum grupo de entusiastas que integram os corpos gerentes daquela prestimosa Associação (da qual poderíamos todos ser sócios até porque a quota anual é simbólica).

Pena é porém que tantos, tantos, Caluquembenses, que sabemos existirem e morarem pelo Portugal inteiro, deixaram de aparecer (ou até nunca participaram!) por este ou por aquele motivo, alguns decerto por causa nenhuma...mas apenas por desinteresse... Isto é, a maioria dos patrícios não se desloca às Caldas. Apenas uma minoria aparece! Quantas vezes em cada Encontro, os presentes, andam por ali procurando…, procurando…mas poucos conterrâneos veem. E se acontece encontrarem alguém, reveem-se com enorme contentamento.

Embora se saiba que infelizmente já muitos desapareceram fisicamente - e a esses evocamo-los com muitas saudades - existem ainda centenas de pessoas da Diáspora Caluquembense e seus descendentes pelo Portugal inteiro. E podíamos, no Encontro anual das Caldas, comemorar uma fraterna vivência e raiz comum, e dessa forma matar saudades, contar histórias, curiosidades, chamar ligações que confluem em salutares emoções; conhecer filhos, netos, bisnetos e outros familiares ou amigos. Lembremos agora algumas famílias (cujos membros residem em Portugal): Almeida, Andrade, Baião, Banqueiro, Barreira, Batista, Cabral, Caires, Caldas, Cardoso, Carvalheira, Carvalho, Castilho, Correia, Costa, Diniz, Farinha, Fernandes, Ferreira, Freitas, Garção, Godinho, Gomes, Gouveia, Henriques, Jesus, Lino, Lodeiro, Lopes, Machado, Martins, Matos, Mendes, Mendonça, Monteiro, Moreira, Moura, Mota, Nunes, Paiva, Pelicano, Perestrelo, Poeiras, Ramalho, Rebelo, Rocha, Rodrigues, Rosa, Santos, Seirós, Sereno, Silva, Tavares, Teixeira, Tenreiro, Tyller, Veiga, Ventura, Vilhena, Xavier e tantas outras famílias que seria difícil citá-las completamente mas todas estão naturalmente incluídas nesta evocação.

Esse alegre e grandioso Encontro da Huíla, nas Caldas, é já quase o último grande palco…, renovado ainda cada ano, relacionado com o sentimento comum que dedicamos àquelas terras em geral e em particular ao nosso querido e inesquecível CALUQUEMBE, Princesa da Huíla, região que tanto orgulha a todos os conterrâneos certamente. Somos CALUQUEMBENSES de alma e coração. E o reencontro é quase a derradeira manifestação visível do elo que nos liga à comungada memória afetiva da nossa terra, mas também ao Lubango e à Huíla em geral. Tem sido um evento reconfortante para quem comparece, ainda que por somente dois dias mágicos, em que se vive um espírito simples no sentir comum, baseado nessa rica, insubstituível e elevada herança da terra Caluquembense a qual nos viu nascer a muitos de nós e/ou onde morámos, brincámos, estudámos, trabalhámos, divertimo-nos, bailámos, namorámos, amámos, casámos, praticámos a religião, caçámos, sepultámos entes queridos e amigos, etc. e onde estivemos historicamente radicados, uns por muito tempo, outros por menos, pouco interessa, e sobretudo onde todos sonhámos...sonhos lindos... Que triste é pois constatar que esse sentimento tão forte pareça (mas não queremos acreditar) estar um pouco apagado ou adormecido em muitos de nós e por isso esses estão sempre ausentes… ou têm faltado nos últimos anos dos Encontros... Que maravilhoso seria pois que a maior parte dos membros das famílias de Caluquembe (do concelho mas não só) pudessem comparecer para se reencontrarem em cada verão enquanto a idade e saúde o permitirem.

A maioria de nós, vivemos tempos e vidas inesquecíveis naquelas épocas até quando pudemos estar na amada terra, e assim nas conversas, no sentimento comum, no Convívio, teremos oportunidade de recordar com salutar saudade as nossas famílias, amigos, professores, empregados, autoridades, funcionários, missionários católicos e evangélicos, médicos, enfermeiros, mecânico, barbeiro, sapateiro, cauteleiro, operários, camponeses, agricultores, etc.; de lembrar as casas, lojas, armazéns, indústrias, moagens, salsicharia, talhos, oficina, pensões, restaurantes, bancos, administração, correios, missões, hospital, igrejas, clube, campo de futebol, escolas, parque infantil, piscina, cacimbas, hortas, fazendas, pista de aterragem, cerâmica, armazém da “Junta”, rios, anharas, serras, termas do Tambe, etc; e não esquecer as nossas animadas festas que vivíamos muito intensamente com seus bailes, torneios de tiros e de futebol, ralis, corridas, quermesse, quinos, enfim, um nunca mais acabar de belas lembranças fortemente gravadas…

Reunamo-nos pois, ligados que estamos ao nosso concelho de Caluquembe e às povoações comerciais ou outras: Caluquembe (Sandula), Bulo, Bunjei, Cacomba, Cahala, Calépi, Camúcua, Camucuio, Camuíne, Chicala, Chinuangolo, Chirunda, Cucala, Duma, Gando, Lomupa, Qué, Tambe, Vila Branca, Bomba, Cuando, Cuílo, Negola, Vatuco, etc e mesmo de outras terras vizinhas, se bem que não fazendo parte administrativa de Caluquembe, a esta vila estavam os seus habitantes muito dedicados como por exemplo: Bissapa, Capala, Chicuma, Chicomba e outras.

Com efeito, nos dois dias do maravilhoso Convívio das Caldas, ou pelo menos no domingo, podemos confraternizar com os nossos conterrâneos, viver assim momentos altos e pacíficos de recordações, na agradável Mata, na missa campal onde se evocam os ausentes…, no piquenique, nas tendas, na barraca de comes e bebes, nos discursos, nas fotos antigas que emocionam e nas recentes, enfim, viver o prazer espiritual que isso tudo dá.

Apelamos aos Caluquembenses para que estejam presentes no Próximo grandioso CONVÍVIO, em 12 e 13 de julho de 2014 nas CALDAS DA RAINHA (e nos dos anos seguintes). Não deixemos morrer o prazer do reencontro e a alegria de viver das gentes ligadas a Angola que não deve ser um conto mas uma realidade ou uma maneira de ser…

Agradeço que mostrem esta carta a outros conterrâneos, se necessário imprimindo ou tirando fotocópias. Um grande e fraterno abraço deste Caluquembense que tem saudades de todos vós.

Júlio H. Rodrigues (em Sesimbra, aos 28 de junho de 2014)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Faleceu no Lubango aos 103 anos Juliana Sokópia

 

Ao ler hoje esta noticia, não podia deixar de prestar a minha homenagem à nossa querida Juliana. Quem diria, que 40 anos depois, iríamos ter noticias tuas através da Internet. Não tenho dúvida que és mais uma estrela a brilhar no céu. Que saudade dos bons momentos que partilhaste comigo. Não me esqueço da tua cazinha no quimbo Tshissoka, onde muitas vezes te visitava para beber a tua quissangua. Fica em paz minha querida amiga. Jamais te esqueceremos.

 

JULIANA

 

A idosa mais velha e mais antiga do Lar de 3ª Idade do Lubango, Juliana Sokópia, faleceu terça-feira aos 103 anos no hospital “Agostinho Neto”, na capital huilana, na sequência de uma pneumonia que padecia há mais de três anos.

A “velha Sokópia”, como era chamada, deu entrada no Hospital Central do Lubango no fim-de-semana e acabou por falecer na manhã de terça-feira, segundo revelou à Angop, uma fonte hospitalar.

Em declarações hoje, quarta-feira, a directora do Beiral do Lubango, Valéria Ngueve, referiu que o clima na instituição é de consternação, até porque se tratava de uma pessoa que chegou ao lar em 1981.

“Foi alguém que todo mundo prezava neste lar, não só por ser a mais velha do grupo, mas a que há mais tempo chegou ao lar e apesar da idade era lúcida”, lamentou.

O lar da terceira idade do Lubango está situado no bairro do Tchioco e foi criado em 1981. Actualmente interna 61 idosos, que para além de um quarto, recebem assistência alimentar e médica, através de uma cozinha comunitária e um posto construído no local. (portalangop.co.ao)

Fonte:  PortaldeAngola

quarta-feira, 4 de junho de 2014

24º Piquenique anual de familias amigas de Caluquembe

 

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CALUQUEMBE Princesa da Huíla…

O prazer do reencontro e a alegria de reviver, não são contos, são a nossa maneira de ser e estar…

24º Piquenique anual de familias amigas de Caluquembe

Como é nosso hábito desde 1990, irá realizar-se no dia 6 de julho de 2014 – 1º domingo do mês - o convívio piquenique anual no sítio dos pinheiros mansos (Cabeço da Flauta) na zona da Lagoa de Albufeira (EN 377, cerca do Km 30), a partir do início da manhã e até à tardinha...

Para além dos “ingredientes” comestíveis a partilhar entre todos (peixe, carne, saladas, doces, bolos, frutas, água pª beber, bebidas diversas, café e açúcar, etc. que se pode combinar antes entre convivas) e do material próprio de piquenique (talheres, pratos e copos apropriados, saca-rolhas, sabão, fósforos, carvão, fogareiros, sacos pª lixo, água pª beber e lavagens, jornais e revistas, fotos antigas, câmaras para fotografar/gravar, música, bola, etc.) permitam relembrar que são precisas mesas e cadeiras de campismo pª conforto geral.

Contamos todos com a presença de muitos. Será um dia bem agradável certamente. Este tipo de convívios é quase a última evocação do elo forte que nos une pela vivência comum de alma e coração na nossa querida terra Caluquembe.

Compareçam. Levem familiares e amigos.

Ausência: o CAMILO partiu… a 22 de maio de 2014. Evoquemos aqui a sua memória certos q estará connosco… nesse dia

2 de junho de 2014.

De todos para todos…

Lembrança: precisamente no fim de semana seguinte, 12 e 13 de julho, realizar-se-á nas Caldas da Rainha o 37º Convívio Anual de “Os Inseparáveis da Huíla”, outra jornada de grande interesse, convívio e emoção. Quem não vai lá há muito ou nunca foi, não deve perder essa oportunidade.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Faleceu Camilo Reis Rodrigues


 
 CAMILO REIS RODRIGUES
 
Faleceu em 22 de maio, aos 80 anos num hospital de S. Paulo, Brasil.
Nasceu a 20 de Abril de 1934 em Caluquembe (Huíla, Angola), ficou órfão de mãe aos três anos, estudou no Liceu Nacional Diogo Cão no Lubango (ex-Sá da Bandeira)
 
 Adeus meu querido tio, foste um exemplo de coragem e amor. Deus recebeu-te e guardou especialmente para ti um lugar muito especial, para que estejas em paz. 
Ficarás para sempre nos nossos corações.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Recordando as capas dos livros publicados dos Convívios ou Encontros de “Os Inseparáveis da Huíla”



Painel recordando as capas de grande parte dos livros que foram sendo publicados ao longo dos anos com o programa, e tudo o demais relacionado, dos Convívios ou Encontros de “Os Inseparáveis da Huíla”, nos segundos fins de semana de julho de cada ano, nas Caldas da Rainha.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

37º CONVÍVIO DE “OS INSEPARÁVEIS DA HUÍLA”


37º CONVÍVIO DE “OS INSEPARÁVEIS DA HUÍLA” – 12 e 13
de julho.2014-Caldas da Rainha

Os sócios da Associação Recreativa e Cultural “OS INSEPARÁVEIS DA HUÍLA” já receberam o livro respeitante ao próximo Convívio – O 37º - o qual se realizará como habitualmente nas CALDAS DA RAINHA, na mata Rainha D. Leonor nos dias 12 E 13 DE JULHO.
O convívio iniciar-se-á na manhã de sábado 12 e à noite haverá a sempre animada Farra abrilhantada por João Pereira Show (Capelão). No domingo 13 terá lugar às 11 H a Missa campal em memória dos que já partiram…, depois discursos, sorteio, quinamigos, e dança de novo, convívio…, convívio…
O livro referido acima apresenta mensagens, vários artigos, poesia, fotos e imagens diversas antigas e recentes de eventos e de paisagens, listas, publicidade, etc.
CAROS “CHICORONHOS em geral” e CALUQUEMBENSES em particular: agendem a vossa presença no convívio; quem nunca foi ou pouco vai não se arrependerá em comparecer nessa agradável jornada de reencontro e salutar saudade cada ano, a fortalecer e que deve ser imperdível.
O Convívio – provavelmente o maior que se realiza por Portugal - é quase o último elo forte que colectivamente nos liga à Huíla e a CALUQUEMBE e aos nossos amigos desde que nascemos ou desde que vivemos por lá até 1975, e ali nas Caldas podemos pois revê-los, matar saudades e conhecer filhos, netos, etc., podendo levar-se sempre alguém mais connosco.
O prazer do reencontro e a alegria de viver, nas gentes ligadas a Angola, e nomeadamente à Huíla, não é um conto mas uma maneira de ser e estar...
TODOS ÀS CALDAS DA RAINHA EM 12 E 13 DE JULHO DE 2014.

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

PARQUE NACIONAL DO BICUARI – Histórico





Parque Nacional do Bicuari

Histórico

No 76º ano da instituição como Reserva (1938) e 50º ano da classificação como Parque Nacional (1964)



CARATERIZAÇÃO, LOCALIZAÇÃO E LIMITES

Este artigo refere-se ao histórico do Parque Nacional do Bicuari (escrito à frente abreviadamente PNB ou só Parque), principalmente na pré-independência de Angola, 1975, embora haja naturalmente aspetos imutáveis ou intemporais. Pontualmente fazem-se alusões à atualidade nos pontos que se ache oportuno e se tenha conhecimento.

O PNB, que também aparece escrito nalgumas fontes Bicuar ou Bikuar, tal como todos os parques nacionais é uma área sob direção e fiscalização públicas de proteção da natureza na sua globalidade, fauna selvagem, sua propagação e habitats, vegetação espontânea e solo, sem exploração humana, sendo obviamente proibido caçar, abater ou capturar animais e destruir ou colher plantas tendo em vista a conservação das espécies ou biodiversidade, ecossistemas ou paisagens tendo também por objetivo o interesse científico, educacional, cultural e recreativo e o respeito pelas caraterísticas geomorfológicas ou estéticas.

Situa-se no sul de Angola ou mais precisamente no coração da província da Huíla nos municípios de Quipungo e Matala, margem direita do rio Cunene.

Limites Geográficos - 14 55' a 15 36' de latitude sul e 14 14' a 15 19' de longitude este.

Limites - O único limite natural é o troço do rio Cunene que delimita o PNB a leste. Os outros são limites “artificiais” e foram objeto de infelizes alterações em 1968 e 1971 pois estas não tiveram em linha de conta os ecossistemas na sua integralidade. Os limites norte, oeste e sul, são referenciados por diversas mulolas. Considera-se fastidioso nomear aqui esses limites cuja indicação nem sempre é coincidente nas várias fontes consultadas.

O PNB é percorrido por várias mulolas que correm quase todas de poente para nascente mas confluindo numa principal no sentido norte-sul. Mulolas são depressões alongadas do terreno em forma de vale onde se forma água que conserva o solo húmido, algumas mesmo na época seca, dita cacimbo, pelo que mantêm pasto verde e tenro, predileto dos herbívoros. São afinal linhas de drenagem natural.

Nas mulolas da periferia, ou seja, nas que delimitam o Parque, foram abertas picadas por desmatações que as acompanham, com largura aproximada de 5 a 6 metros, entre 1969 a 1973, sobretudo pelo trabalho intensivo do pessoal privativo daquele orientado por topógrafo, com o uso de trator de lagartas e motoniveladora da Brigada Especial de Engenharia. Tiveram como objetivo a mais fácil identificação visual dos limites do Parque no terreno para efeitos de óbvia orientação e de melhor fiscalização, embora também facilitassem a ilegal caça. Para além das picadas do perímetro há estradas de acesso e rede interna de várias picadas de penetração rasgadas ao longo dos tempos; todas juntas devem perfazer mais de quatro centenas de Km.

A altitude média do PNB vai dos 1200 aos 1250 m, e o terreno apresenta-se praticamente como uma planície, existindo somente raras elevações de pequena altura já que a diferença entre o ponto mais alto e o mais baixo é de cerca de 50 m. É coberto pelas areias oriundas do deserto do Calaári. O clima é tropical húmido a norte e seco a sul. A queda pluviométrica ou precipitação média anual atinge os 960 mm anuais. Uma chana (planície desarborizada) impressionante pelos aspeto paisagístico e sua dimensão é da Uieva, de configuração quase circular com cerca de 12 km de perímetro.

A temperatura varia entre os 11 e os 28 graus celsius, média anual de cerca de 18,7 graus; sofre muita variação entre o dia e a noite, ou seja, a amplitude térmica diária é grande. Durante parte da época seca ou cacimbo as noites são mesmo muito frias (junho e julho). A humidade média anual é 50%.

A superfície atribuída ao PNB é de 7900 Km2. Ou seja, tem uma área de cerca de 790.000 hectares que representa 10% da superfície da província da Huíla. Calcula-se ter como comprimento e largura máximos de cerca de 86 e 110 Km. De notar porém que há fontes que indicam uma área um pouco menor.



CRIAÇÃO E ESTATUTO

Em 16-4-1938 a zona do Bicuari foi constituída Reserva de Caça passando a Reserva Parcial em 1957; e finalmente foi elevada à categoria de Parque Nacional em 26-12-1964, há cinquenta anos (a perfazer no final de 2014), categoria que se mantém.image

FAUNA E FLORA
Em Angola há vários biomas, isto é, “comunidades de plantas e animais com características próprias que resultaram da interferência dos climas com os seres vivos e o solo duma região e que ocupam uma vasta área”. O PNB situa-se na transição dos biomas de brachystegia (ou zambeziano) e o bioma árido do sudoeste (Karoo-Namibe). Diz-se bioma de brachystegia atendendo a que são dominantes árvores deste género botânico (conhecido também por mata de miombo) o qual ocupa a maior parte do território angolano, cerca de 70%. Os sistemas ecológicos do PNB ou ecossistemas, ou seja, as “comunidades particulares de animais e vegetais e sua associação com o meio físico que as rodeiam” incluem pois matas de árvores e arbustos com capim e gramados de diversas espécies e apresenta-se com muitas mulolas como já se referiu. É pois uma savana típica com árvores de porte apreciável, arbustos e capins.

Em épocas anteriores ao seu estabelecimento como zona protegida a área foi objeto de grandes explorações de madeira para exportação mas as mesmas foram sendo abolidas ou abandonadas. E a Reserva também foi vítima do triste período de caça livre na província da Huíla de 1950/52, de nefastas consequências pois foram dizimadas vastas populações animais que até então abundavam. Mas não só: a zona foi durante longos anos em tempos anteriores e recuados o paraíso de caçadores mas graças às medidas tomadas nomeadamente a criação da Reserva e depois Parque Nacional a fauna foi-se regenerando.

Citemos (por ordem alfabética) os mamíferos selvagens que têm povoado o PNB em maior ou menor número ao longo dos tempos (ocorrência histórica): babuíno-amarelo (ou macaco-cão-amarelo), bambi-comum, búfalo (ou búfalo-preto), burro-do-mato (ou quicema, por vezes escrito quissema), cachine, caracal, chacal-de-flancos-raiados, chita, cuio (ou lebre-saltadora), elefante, esquilo, facochero (impropriamente chamado por vezes de javali), gálago-grande (ou de-cauda-grossa), gálago-pequeno, gato-bravo-comum, geneta, gimbo (ou porco-formigueiro), gnu, gunga, hiena-malhada, hipopótamo, impala-de-cara-preta, leão, lebre, leopardo (que erradamente há quem chame de onça), lontra-malhada, mabeco, macaco-de-cara-preta (também conhecido por macaco-cinzento), nunce (ou sembo), olongo, oribi (ou muinha), palanca-vermelha (castanha ou ruana), pangolim-vulgar (ou do-Cabo), porco-bravo (ou potamochero ou javali-africano), porco-espinho, protelo, punja, raposa-orelhuda, serval, zebra-da-planície (ou de-Burchell) e outras espécies há certamente. É provável que algumas das atrás indicadas possam apresentar pequenas ou raras populações mas prevê-se a sua regeneração natural.                                          
                      
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No que respeita a répteis existem: crocodilo no rio Cunene, jiboia e várias outras espécies de répteis.

O PNB é também povoado por muitas espécies de aves tais como: abutres, águias, capotas, codornizes, corvos, garças, cegonhas, corujas, grous, java, perdizes, pombos, rolas, patos, peru-do-mato ou pumumo, tuas, etc.


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ADMINISTRAÇÃO, FISCALIZAÇÃO E OUTRO PESSOAL

Na pré-independência de Angola o PNB, tal como todos os parques nacionais e reservas parciais e integrais, e coutadas públicas, eram administrados pelos Serviços de Veterinária de Angola através da sua Repartição Técnica da Fauna designada a partir de 1973 por Direção de Serviços de Proteção à Fauna bem como era da sua responsabilidade a fiscalização da atividade cinegética no território angolano em geral (“terrenos abertos”) através das comissões venatórias.

No PNB residiram fiscais de caça, depois designados auxiliares de ecologia, e pessoal de apoio operacional tais como guardas de parque, serventes, pedreiros, ajudantes, cozinheiro e outros bem como alguns técnicos superiores.

Apurámos os seguintes fiscais de caça/auxiliares de ecologia que prestaram serviço no PNB quer integralmente quer colaborando na sua fiscalização ou supervisão: Fernando Eduardo Taborda Teixeira; Armando Neto; Armando Costa; Rocha de Azevedo; António Joaquim Seixas (meados da década de 60); João Carneiro; Manuel Beijinho Branquinho (de 1969 a 1975, tendo sido também adjunto de administrador residente); e decerto outros mas que não foi possível identificarmos.

Trabalharam e residiram o ecólogo sul-africano Brian John Huntley e o técnico inglês David Wearne. Também ali prestaram serviço residencialmente o engenheiro técnico agrário Rui Nogueira e os médicos-veterinários: Armando Namorado Malacriz, João Serôdio de Almeida e por pouco tempo Júlio Henrique Rodrigues.

Não podemos deixar de citar um antigo caçador que foi um grande amigo do Parque, o conceituado comerciante Pedro Luís Carmo, residente no Lubango, sua visita frequente e importante conselheiro na gestão, sempre disponível e que foi formalmente membro da comissão administrativa.

Algumas vezes, populações circunvizinhas dirigiam-se às autoridades administrativas da zona para apresentarem queixas sobre destruição de culturas nos arimbos (lavras) por parte sobretudo de elefantes, gnus e palancas que saíam da área protegida sobretudo à noite, visto que não havia quaisquer vedações do Parque.

O turismo não estava institucionalizado até 1975 pelo que as visitas, que tinham de ser autorizadas, eram raras e quase apenas de caráter técnico, científico ou de estudo; outras visitas aconteciam mais raramente ainda e mediante prévia autorização também. Mas previa-se abrir o Parque ao turismo nos anos seguintes.

No período que nos vimos a reportar, ou seja, até à independência, no respeitante a população humana existiam núcleos junto ao rio Cunene sendo detentores de gado (bois, cabras, ovelhas e porcos) e galináceos. Quanto ao interior propriamente, ou seja, na maior parte da área do Parque, a razão da quase inexistência de população, é naturalmente devida à escassez de água. Porém, a zona norte era utilizada por populações que não residindo verdadeiramente no Parque frequentavam-no para pastoreio de gado, recolha de lenha, mel e frutos silvestres

Problemas que se colocavam com frequência à administração do Parque eram a caça furtiva e as queimadas incontroladas.

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Atualmente (2014) a gestão das áreas de conservação de Angola, especificamente dos Parques Nacionais e demais Reservas, é da responsabilidade do Ministério do Ambiente – MINAMB. Mantêm-se os limites oficiais antigos do PNB. Neste existem administração, meios e um grande efetivo de pessoal de fiscalização; e tem havido um grande esforço de reabilitação de acampamentos e picadas. No que respeita a fauna selvagem têm sido observados animais das espécies atrás citadas de ocorrência histórica.



INSTALAÇÕES: ACAMPAMENTO E OUTRAS

Segundo Eduardo Teixeira, filho do fiscal de caça Fernando Teixeira, foi decidida a criação dum local turístico, eram os anos dos primórdios da Reserva/Parque, pelo que foi instalado junto à mulola da Matemba, onde também foi construído um dique, o centro administrativo, a que vulgarmente se chamava acampamento, constituído pela primeira casa do parque, de pau a pique, rebocada, com dois quartos e uma enorme sala, onde numa das paredes aquele jovem, na altura, pintou, a preto e branco a cabeça de um elefante.

Mais tarde, provavelmente por altura de 1967 ou 1968, foi transferido para outro local definitivo junto à mulola do Gando, a cerca de 50 km de Quipungo e 40 de Capelongo, onde gradualmente se construíram residências, casa para visitas, instalações coletivas de pessoal, sanitários, cozinha e forno, depósito elevado de água, escritório, abrigo para gerador, garagem, oficina, arrecadação, sala aberta para refeitório e aulas ou formação, etc., tudo em alvenaria. Tinha água canalizada e instalação elétrica geral. Neste acampamento não havia vedação pelo que, sobretudo à noite, era frequente ser transposto tranquilamente por animais, incluindo elefantes. Defronte há um dique ou barragem de terra e pequena albufeira com abrigo para observação da fauna.

Bem distante dali, junto ao rio Cunene, no Matunto, adaptou-se a casa dum antigo comerciante (Zé Gato), situada num ponto ligeiramente elevado com vista sobre o rio, que foi adquirida pelo Parque para residência dum fiscal ou para alojamento de visitas. Na entrada norte do Parque, no local chamado Chilambo, situado na estrada a partir de Quipungo, a 30 km desta vila, foi montada uma casa pré-fabricada de boa qualidade para instalação da segurança ou guarda de parque. Também na outra entrada, a partir da estrada de Capelongo para o Parque, havia uma casa em madeira para o mesmo efeito.



COMUNICAÇÕES, VIATURAS E OUTROS MEIOS

O PNB no primeiro lustro dos anos setenta dispunha de várias viaturas: jipes e um Unimog; um trator agrícola e atrelado; um camião de tração integral.

Um posto de rádio fixo garantia ligações com a sede dos serviços em Luanda e com outros serviços distritais e ainda com postos móveis instalados nas viaturas.

Estavam atribuídas ao pessoal de fiscalização e para segurança o armamento oficialmente fixado.

As picadas que percorriam o parque ou que o limitavam na sua periferia eram reparadas quando necessário e mantidas com cortes anuais da vegetação.

Um plano de fomento plurianual projetado para 1975 a 1977, mas não concretizado, previa verbas vultosas para infra-estruturas, residências, novo centro administrativo e instalação do centro turístico, depósitos de água, melhoramento das vias de comunicação, apetrechamento em viaturas pesadas e ligeiras, maquinaria diversa, geradores, central elétrica, etc.

ABEBERAMENTO DA FAUNA

Embora o rio Cunene seja a fonte natural de abeberamento da fauna principalmente na estação seca ou cacimbo, mas com a finalidade de garantir a existência de água durante todo o ano foram construídos diques ou pequenas barragens que represavam bastante água formando albufeiras de alguma extensão tornadas pontos de convergência da fauna. E, posteriormente, já nos primórdios dos anos 70, como também tivessem sido criadas restrições, resultantes das desanexações para o Gabinete do Plano (de colonização) do Cunene, com cortes nas vias de acesso ao rio, ainda se sentiu mais essa necessidade de se implementarem mais bebedouros artificiais no interior do PNB.

Resumindo, existiam em 1975 criteriosamente colocados pela área os seguintes:

Quatro diques ou pequenas barragens, em terra e uma em cimento, em linhas diversas de drenagem natural.

Três chimpacas, ou seja, escavações apreciáveis nas quais se acumulava água das chuvas ou mesmo nascia água.

Quatro bebedouros os quais eram abastecidos por água bombeada de furos de alguma profundidade; os geradores dessas eletrobombas de profundidade estavam instalados em abrigos subterrâneos a fim de abafar ou reduzir o ruído do seu funcionamento não agredindo desse modo o ambiente habitualmente tranquilo da fauna. Funcionavam automaticamente com arranque e disparo pré programado. Tal equipamento foi instalado por uma empresa especializada do Lubango. Abriram-se outros furos sem que fosse encontrada água pelo que foram abandonados. A entidade responsável pelas perfurações era o Serviço de Geologia e Minas.

As razões dessas captações e disponibilização de água, de que poderiam resultar a prazo alterações no equilíbrio ecológico, assunto a estudar, tiveram a ver acrescidamente, como já se referiu, com a problemática adveniente do grande Plano do Cunene que estava a instalar uma linha de alta tensão, a efetuar construções (aldeamento), etc. tudo pouco compatível com a vida animal selvagem; e daí o recurso às citadas alternativas “artificiais” de abeberamento, que serviam também para os animais se banharem e barrarem, obviando-se assim de certa forma que corressem riscos ao movimentarem-se rumo ao Cunene.

Nessa época preconizava-se ainda uma alteração realista dos limites do próprio PNB, como adaptação forçada aos tais condicionalismos impostos. E também se programava a construção de centros turístico e administrativo fora do parque embora próximo, bem como a criação de reservas parciais compostas pelas áreas a desanexar e abertura de novas picadas para maior fiscalização.

No Parque há ainda algumas lagoas naturais (zona de Pombaíma), com concentração salina atrativa de fauna, que acumulam água na época das chuvas mas só algumas a preservam durante todo o ano.



INTERRUPÇÃO DE ATIVIDADE

Em virtude de atraso no envio por parte da sede dos serviços em Luanda de fundos para pagamento de salários do pessoal operacional, os trabalhadores fizeram uma “greve” em agosto de 1975 pelo que regressaram às respetivas residências no exterior do Parque. E, quase logo de seguida, devido à histórica e conhecida situação da guerra interna eminente no período próximo à independência de Angola, que determinou escassez de meios que foram sendo retirados ao PNB, e tendo-se gerado concomitantemente grave instabilidade e insegurança com consequentes riscos numa área tão vulnerável devido ao isolamento, o restante pessoal que ali residia e trabalhava, e respetivas famílias, foi obrigado a abandoná-lo nesse mesmo mês de agosto de 1975 refugiando-se em localidades mais seguras, mais ou menos distantes, interrompendo-se assim na época a administração direta e serviços no Parque Nacional do Bicuari.



AGRADECIMENTOS E FONTES

As cinco fotos deste artigo foram efetuadas pelo autor em 1975.

Agradece-se a Manuel Beijinho Branquinho que forneceu privilegiadamente muitos e imprescindíveis elementos, descrições, datações referentes ao PNB. Grato também a Eduardo Teixeira pelas notas que me transcreveu de um seu livro acerca do primeiro acampamento e a M. Christoph P. Ley sobre informações da situação recente.

Porém, foram várias outras as fontes onde encontrei descrições ou referências sobre o PNB nomeadamente em relatórios do ecólogo Brian John Huntley e de J. Serôdio de Almeida, livro de A. Paias Simões, na net e noutras origens mas seria longo indicá-las num trabalho de simples referenciação ou divulgação histórica como este.

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“Artigo publicado no Livro do 37º Convívio `Os Inseparáveis da Huíla’ – Dias 12 e 13 de julho de 2014 – Mata Rainha D. Leonor – Caldas da Rainha”










sábado, 29 de março de 2014

REGRESSO AO PASSADO

 

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REGRESSO AO PASSADO

Sonhei que era criança,
Alegremente corria pelo sertão,
Entre cubatas feitas de nada.
Corria com toda a confiança,
Pela terra vermelha daquele cantão,
Linda terra por Deus abençoada.
Entre montes e serras em desalinho,
Brincando e cantando entre a poeira,
Com os companheiros da minha infância.
Um pau entre as pernas, fazia de cavalinho,
Pulava e corria sempre na brincadeira,
Tendo nos amigos, inteira confiança.
Cresci assim, na simplicidade da vida,
Levava no pescoço a fisga pendurada,
Os bolsos cheios de arredondadas pedrinhas
E no coração a verdadeira amizade sentida.
Com a atenção necessária à grande caçada,
Caminhava entre arbustos de folhas verdinhas.
Amigos de infância, com a pele de outra cor,
Companheiros da minha passada juventude,
Caminhávamos lado a lado sem distinção,
Por caminhos de terra vermelha com amor.
Crescemos juntos, com a mesma atitude,
Angolanos de nascimento como condição.
Já crescidos, mantivemos a nossa amizade,
De amigos e irmãos nascidos naquela terra.
Aquele povo humilde a quem dava a mão,
Sempre que sentisse alguma dificuldade,
Até ter aparecido nas nossas vidas a guerra,
Que talhou lamentos e fissuras na bela união.
Hoje, ainda pergunto ao senhor do tempo,
Pelo irmão que comigo cresceu e viveu.
O tempo responde-me com um lamento,
Entre o compasso do tempo e contratempo,
Que o meu amigo de infância já morreu,
Levando a nossa infância no pensamento.


Carlos Cebolo

Radio  Global

quarta-feira, 5 de março de 2014

Inauguração da repartição municipal de identificação civil e criminal e de dois postos de emissão de bilhetes de identidade e registo criminal em Caluquembe.

 

 

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Infraestruturas da Justiça inauguradas esta quarta-feira

As novas infraestruturas da Justiça vão ser inauguradas na província da Huíla.
A inauguração da repartição municipal de identificação civil e criminal em Quilengues e de dois postos de emissão de bilhetes de identidade e registo criminal em Caluquembe e Lubango ficará a cargo da secretária de Estado da Justiça e Direitos Humanos, Maria Isabel Tormenta.
No programa de visita da governante está ainda prevista a inauguração de infraestruturas semelhantes no município de Caluquembe e um posto fixo de emissão de bilhetes de identidade e registo criminal no estádio da Tundavala.

Fonte

domingo, 16 de fevereiro de 2014

UMA MISSA NO TCHISSOCA - CALUQUEMBE

 

* Conto *

Finais dos anos 50, ou princípios dos 60, do século passado, claro. Tchissoca era um aldeia rural muito próxima, no sentido nordeste, da vila comercial de Caluquembe. Na atualidade julgo constituir um bairro desta (agora) extensa cidade.

O padre saletino, leia-se da congregação dos Missionários de Nª Sr.ª de la Salette, de nacionalidade suíça, Francisco Eggs o qual missionava na Missão Católica do Cola a duas dezenas e tal de km de Caluquembe encontrava-se com uma forte infeção, panarício, num dedo da mão pelo que necessitando de tratamento frequente no hospital da Missão Evangélica Filafricana (hoje Igreja Evangélica Sinodal de Angola) a poucos km também do centro de Caluquembe, pelo que se hospedara em casa de meus pais, José Maria Rodrigues e Irene da Conceição Rodrigues, dada a sempre hospitalidade do nosso lar para com amigos, missionários, caixeiros-viajantes ou outros passantes, às vezes simples conhecidos ou até desconhecidos, que ali encontravam agradavelmente sempre almoço ou jantar e quantas vezes dormida.

Mas a estadia do Padre Francisco era diferente, um tanto prolongada por necessidade de frequentes idas ao hospital para tratamento pós-cirurgia, até que ficasse melhor do preocupante problema do dedo… Assim, o tempo dava-lhe para ler o breviário e naturalmente outros livros que tinha consigo, e conversar sobretudo com os mais disponíveis; eu era um deles pois na ocasião sendo estudante estava de férias, e até pratiquei um bocadito a língua francesa uma das línguas faladas por aquele a quem eu pedia por vezes para falarmos um pouco em francês mas expressar-me-ia muito primariamente decerto… Porém a língua primordial do P. Francisco era o alemão embora na época já se exprimisse razoavelmente em português. Questionava-o sobre religiões diversas cristãs e não só do mundo ao que me explicava pausadamente com a ajuda de um dicionário apropriado e falávamos de outros assuntos também. Mostrava fotos da sua terra. Terá cofiado muitas vezes as suas longas barbas pretas, era um homem novo.

E fez questão de naqueles dias ou semanas, já não consigo precisar por quanto tempo esteve hospedado na nossa casa, em dar alguma doutrina à Maria, a rapariga que meus pais criaram desde muita nova e até à juventude, e julgo lembrar-me que eu também recebia alguma catequese. Quanto a meu irmão Gino não me recordo da sua participação nestas.

Nosso outro irmão, Camilo, tinha uma lambreta, estranha lambreta ou scooter cinzenta, de nacionalidade Checoslovaca, salvo erro, vinda de Benguela de um fornecedor do estabelecimento comercial de meu pai, firma que muito lhe vendeu mas também muito encaixou alguns monos, embora o evoquemos naturalmente com benevolência claro. Logo nas primeiras vezes que se tentou pôr o motor a trabalhar da recém chegada motoreta foi o cabo dos trabalhos!, mesmo sendo nova a estrear. Mas enfim, lá se conseguiu que pegasse empurrando-a e depois começou a pegar melhor mas nem sempre foi pacífico… Várias vezes pedia ao Camilo que ma emprestasse para dar uma voltita ou para ir tratar de qualquer assunto que eu inventava e sugeria. Aliás se me encarregassem de ir ao correio ou a outro sítio isso era muito agradável pois surgia assim uma oportunidade assumida por ele ou pelo nosso pai para grande prazer meu. Qual o jovem que não gosta de andar de mota?! Gino e eu já tivéramos anteriormente uma motorizada NSU Cavalino mas na ocasião já não a possuíamos.

Num daqueles dias da sua estadia combinámos o P. Francisco e eu: iríamos na manhã seguinte à tal aldeia do Tchissoca para ele celebrar uma missa pontual em local para improvisado culto. E assim foi: com natural expetativa, estava uma linda manhã de sol suave, como tantas da nossa terra, ele havia preparado a sua mala apropriada com o cálice, hóstias, vinho de missa, panos ou toalha apropriada e provavelmente um paramento fácil de transportar para a celebração, e lá fomos cedo, requerida com deferimento a lambreta, eu conduzindo-a, e ele seguindo sentado atrás com a santificada malita decerto e envergando a sua batina, que teve de ser arregaçada para montar a mota. Era hábito na altura assim trajarem os sacerdotes, no caso batina de zuarte cinzento.

O caminho de terra com largura suficiente qual moderna ciclovia, na época desenvolvia-se na mata de savana ora a direito ora serpenteando as árvores ou arbustos verdes ou acastanhados, mas muito liso devido à frequente passagem de zorras, meio de transporte de arrasto, estruturado em tronco em forma de forquilha, puxado por uma ou duas juntas de bois e que transportava um ou mais sacos de milho ou outros produtos agrícolas, materiais ou até animais de criação (porcos, cabritos, galinhas, etc.) para venda. Os caminhos eram pois lisinhos, dava gozo andar de bicicleta, motorizada ou mesmo a pé, seria como andar em pista suavemente consistente mas de piso bem direitinho, num ou noutro local um pouco arenosa mas sempre agradável, confortável… Mais ainda se fruía em tempo ameno e sobretudo na época seca ou cacimbo.

A nossa chegada e a missa foi um pequeno acontecimento na aldeia que saiu fora do quotidiano. Os aldeões, na sua maioria camponeses mas também alguns trabalhadores de folga ou não e seus familiares foram-se juntando. Improvisado o altar numa mesita colocada numa divisão duma casa tradicional dos quimbos, de pau-a-pique ou de adobo coberta a capim, lá deu guarita aos fiéis que se dispuseram até à porta aberta e certamente alguns no exterior. Homens, mulheres, meninos e meninas; velhos, novos e crianças.

Foi um momento singelamente interessante, inesquecível; os habitantes tiveram uma missa imprevisível, quase campal, que acredito muito os terá confortado.

Um dos empregados de meu pai, o simpático, sempre disponível e muito trabalhador António Tomé, estava de “baixa”, como hoje se diria, por doença. Quando se aproximaram as pessoas que iam assistir à missa ele também apareceu um tanto embaraçado com a minha presença, ou seja, do filho do patrão já que estava de parte de doente… Saudámo-nos todavia muito amigavelmente e entendi que mesmo doente ou indisponível para o trabalho pode participar-se em ato religioso e espiritual que não exige esforço físico. Éramos, somos, bons amigos, espero ainda revê-lo um dia…quem sabe…

Terminada a eucaristia, arrumada a malita, conversado um pouco com os aldeões, o simpático P. Francisco e eu, fizemos o caminho de volta para nossa casa em Caluquembe, ou mais especificamente como alguns diziam, para Sandula. Tal como a viagem de ida, a de regresso correu sem percalços e regressámos contentes com a jornada acontecida. Esperar-nos-ia decerto um bom, como era hábito, pequeno almoço ainda ou já o almoço.

Foi um dia diferente que partilhando recordo com muita saudade de outros tempos…

Deixei de ver o P. Francisco quase logo a seguir e durante décadas mas alimentei sempre com muita saudade a ânsia dum dia o reencontrar mas que nunca aconteceu ou quase nunca se daria… Até que, muito, muito, ocasionalmente, Deus proporcionou-me isso, reencontrei-o imprevisivelmente em 2003 no Lubango no centro pastoral da respetiva congregação de forma casual, pois ele missionava ou missiona na província de Benguela e deslocara-se ao Lubango por acaso e por pouco tempo. E eu era a primeira vez que fui a Angola após a diáspora de 1975! Assim providencialmente nessa visita àquele centro pastoral, sem sequer imaginar minimamente que ele estaria por lá, com emoção súbita foi-mo anunciado e finalmente revi-o passadas mais de quatro décadas depois de nos conhecermos e convivermos e após tanta minha alimentada esperança de anos, que já quase se extinguira, dum reencontro mas que acabou mesmo por acontecer nessas circunstâncias felizes. Com alegria devo ter-lhe falado com exuberância de Caluquembe, de nossa casa, de meus saudosos pais, de minha família, de mim, de episódios consigo vividos da minha juventude, factos que eu registei indelevelmente e tenho bem presentes na memória, pois esses tempos marcaram-me agradavelmente dada a grande convivência de nossa família com os missionários saletinos. Mas fiquei com a sensação que ele pouco se lembrava daquela estadia em nossa casa em Caluquembe. Registei esse encontro de 2003 em fotos. Pediu-me para quando eu regressasse a Portugal, telefonasse a uma família sua amiga residente em Lisboa para lhe dar suas notícias o que cumpri.

É assim a vida: uns gravam natural e inapagavelmente uns factos, outros outros, mas tudo fazendo parte das estórias pessoais…que ora se encontram ou não…

                                                                                                                         imageJúlio Henrique Rodrigues

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hospital de Caluquembe






No final do século XIX foi fundada por Héli Chatelain a Missão Evangélica num local próximo ao que viria a ser a povoação de Caluquembe.
Chamar-se-ia de Filafricana com Hospital Missionário e Leprosaria. Hospital de referência que teve (e tem) importante e notável ação médica, cirúrgica e profilática.
Nomes como os dos drs. Rodolphe Bréchet, este um eminente leprólogo a nível mundial, Lennart e Elisabeth Hoffmann, Straüb, Julião Kirb e outros, não só médicos-cirurgiões como enfermeiros, mas também vários missionários suíços e não só, ali trabalharam ou dedicaram parte ou toda a sua vida missionária e profissional, pelo que ficaram ligados historicamente à missão em si, mas do mesmo modo a Caluquembe e à região.
Na vila, na época da administração portuguesa, também foi aberto um salão evangélico com cultos dominicais.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vila Branca–Caluquembe


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Rio Qué
 
No tempo da Administração Portuguesa, Duarte Moura, grande empreendedor, deu o nome a esta vila. Da Chicala, Caluquembe, Lubango e Bomba, fixou--se na margem direita do Rio Qué onde, em 30 anos, ergueu o grande complexo “Agró-pecu-industrial” com especial destaque para a moderna fábrica de salsicharia, a maior e melhor em maquinaria e qualidade das cinco que laboravam no distrito da Huíla. Este complexo foi baptizado de Vila Branca, nome de sua filha.

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Imagens de 2003

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Regresso ao passado em Caluquembe

 

Pretendo nestas páginas, partilhar as  filmagens feitas pelo meu avô,(1950/1970) José Maria Rodrigues, com todos os que viveram, vivem,  e amam esta terra.

 

Quem não se lembra do Hospital de Caluquembe da Missão Evangélica e do pessoal que lá trabalhava?

 

Filmado pelo meu avô José Maria Rodrigues na década de 50.

E quem não se lembra da Missão de Santiago, do padre Otto, padre Luis, padre Casimiro, padre Miguel, padre Victor etc… e das irmãs que nos davam a catequese?

 

imageEscola Primária Paiva Couceiro – Foto J. Melo

 

 

 ANGOLANO

 

Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição

Mas, será que tem cor o coração?

 

Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De língua, de costumes ou maneiras...

 

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças doutras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento.

 

Neves Sousa



 



Videos de autoria de José Maria Rodrigues

sábado, 28 de setembro de 2013

38 ANOS PASSADOS SOBRE O FALECIMENTO DE JOSÉ MARIA RODRIGUES

 

 

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Passaram 38 anos no dia 26 de setembro de 2013 que, quase no final da manhã de 26.setembro.1975, José Maria Rodrigues nosso Pai, Avô, Bisavô, ascendente ou Tio ou amigo, “partiu”…após três semanas de internamento na então casa de saúde do sindicato (hoje maternidade pública) no Lubango (antiga Sá da Bandeira).
O seu velório teve lugar na casa mortuária inserida na Sé Catedral do Lubango. Era quase inacreditável o triste acontecimento. E na cidade, afinal na Angola inteira, viviam-se tempos muito difíceis em q quase tudo estava a colapsar em termos de estruturas económicas, comerciais, administrativas, de abastecimentos e sobretudo de falta de segurança e de assistência médica o que fez agravar o seu mal sem alternativa de procura de outro centro médico.
Recordemos sempre o nosso ente querido, esse Homem muito grande, q no dia seguinte ao seu passamento foi a sepultar ainda com muita gente presente não obstante a situação, entre familiares, amigos e conhecidos, no cemitério chamado novo do Lubango. Só se pôde fazer uma campa sumária até porque a permanência da mulher (Irene) e filhos (Gino e Júlio) no Lubango só foi possível durante mais duas semanas e meia sobre o infausto acontecimento (isto é, até 13 de outubro de 1975). Porém, a campa definitiva q ainda hoje perdura, e que está localizada quase próximo a uma entrada do cemitério, embora precisando de renovação (o q é muito difícil), foi mandada construir depois por uma prima, sobrinha do falecido, Maria de Lurdes Rodrigues Teixeira q vive no Lubango a quem muito ficámos a dever por lhe ter proporcionado uma sepultura condigna, o que queremos hoje aqui registar e sublinhar. Esse túmulo pôde ser visitado pelo filho (Júlio) várias vezes aquando da sua viagem ao Lubango em jan.2003 e em jan.2013 e conseguiu q fossem reparados, mais ou menos, pequenas estragos do tempo (foto caída, partes e jarras partidas, etc.) e aplicada uma lápide identificadora (2003) em granito polido, q não existia originalmente.

JHR

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O 23º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE

 

CALUQUEMBE Princesa da Huíla…
O prazer do reencontro e a alegria de reviver, não são contos, são a nossa maneira de ser e estar…
O 23º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE
Como se anunciou oportunamente, realizou-se no passado dia 7 de julho de 2013, domingo, mais uma edição do habitual e anual Piquenique de Famílias Amigas de Caluquembe no mesmo sítio dos anos anteriores, ou seja, na herdade do Cabeço da Flauta próximo à Lagoa de Albufeira, Sesimbra.
Neste ano, contudo, por motivo de falta de saúde de alguns amigos e por esta ou aquela causa de outros, foram poucos os convivas: 14 apenas, 10 adultos e 4 crianças.
Mas, mesmo assim, decorreu muito agradavelmente e com bastante tranquilidade e bem-estar gratificante. Voltou a ser uma bela jornada.
Para 2014 lá estaremos todos se Deus quiser no primeiro domingo de julho.
JHR

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sábado, 14 de setembro de 2013

Entrevista a uma Caluquembense

 

Entrevista a Luísa Maria Baptista em 12 de Setembro de 2013, no programa a TARDE É SUA na TVI.

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Veja a entrevista clicando aqui ou na imagem

Parabéns à avó Luísa pela sua vivacidade e boa disposição.

Bem hajam os familiares que levaram a cabo esta missão, pois para nós que tanto amamos a nossa terra, é sempre com muito agrado que recordamos a terra e pessoas que nela nasceram e viveram. Por coincidência o meu avô José Maria Rodrigues e esposa Irene da Conceição Rodrigues também aparecem no minuto 00:38.

À família o meu OBRIGADO. Para a avó Luísa um grande abraço e que mantenha essa boa disposição.

Caluquembe ganha uma nova imagem

 

Estanislau Costa | Caluquembe
12 de Setembro, 2013

Fotografia: Arimateia Baptista|Caluquembe

As principais avenidas da vila de Caluquembe, com cerca de três quilómetros de extensão, inauguradas pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, tornaram o trânsito mais fluído e cómodo.

A construção de novas ruas na vila e a reabilitação das antigas constam do projecto de urbanização do município, que prevê a colocação de lancis, passeios, sinalização horizontal e vertical, implantação de sistemas de drenagem das águas residuais, cuja fase inicial orçou em 90 milhões de kwanzas.
A administração municipal de Caluquembe, que executa o programa em parceria com construtoras locais, prevê atingir 20 quilómetros de ruas terraplenadas e asfaltadas. Foram já abertas novas ruas nos bairros  4 de Fevereiro, Etonga, Campo de Aviação, 25 de Abril e Camangando, cujas obras vão abranger algumas áreas suburbanas.
O governador, João Marcelino Tyipinge,  apelou aos administradores municipais a “pautarem-se por um tipo de trabalho inovador e exequível para dar nova imagem às vilas e torná-las mais acolhedoras, com a criação e renovação das vias, jardins, passeios e outras áreas de lazer e recreação”.
O administrador Arão Nataniel enalteceu a colaboração dos munícipes que facilitou a execução da primeira fase do programa de urbanização e requalificação da sede. “Os bairros têm, hoje, vias de acesso favoráveis aos serviços de socorros médicos, segurança e ordem pública e outros”.
Neste momento, disse, decorrem os trabalhos de limpeza dos novos acessos dos bairros, terraplenagem, projecção de plantação de árvores e espaços verdes.  “O envolvimento dos habitantes é fundamental para que seja rápido o surgimento de áreas arborizadas e benéficas para o estudo ou recreio”.
Iluminação pública
Etonga, um dos primeiros bairros dos arredores da sede de Caluquembe a ser abrangido pelo projecto de urbanização do município, está a beneficiar da implantação do sistema de iluminação pública.
O empreiteiro da obra, Manuel José, disse ao Jornal de Angola que a requalificação das vias do bairro prevê a instalação de mais de 70 postes, equipamento para o saneamento básico, jardins, incluindo a plantação de um grande número de árvores.
A obra, executada com fundos do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, está orçada em 30 milhões de kwanzas. A entrada em funcionamento do sistema de captação e distribuição de água potável no bairro da Tchisoca vai contemplar acima de 80 famílias que tinham de percorrer longas distâncias para acarretar o produto.
O sistema bombeia 3.000 litros/­hora e capta a água num poço de 80 metros de profundidade.
Inaugurado pelo governador João Marcelino Tyipinge, o sistema de captação de água, orçado em 8,5 milhões de kwanzas, resulta da materialização do Programa Água Para Todos, que está a minimizar a carência de água potável em várias povoações da província da Huíla.  Os munícipes de Caluquembe ­estão satisfeitos com a execução dos vários projectos que estão a dar à sede uma imagem mais acolhedora, bela e com capacidade e condições para atracção de quadros qualificados de outros pontos do país e do estrangeiro. O soba João Calupanhe a­firmou que existem já na localidade casas para acomodar os técnicos, novos terrenos para a autoconstrução dirigida, hospitais, escolas, antena do ensino superior e avenidas asfaltadas.
O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, criado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, disse, está a resolver os problemas do povo que vive nas sanzalas, povoações, aldeias e comunas.

Jornal de Angola

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL




OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL é uma importante síntese dos reflexos causados na sociedade nacional pelo trágico regresso dos portugueses residentes em África nos anos de 1974 e 1975, naquele que constituiu um dos êxodos mais trágicos do Ocidente.
Quase quatro décadas depois, muitas centenas de milhares de portugueses continuam a carregar esse sentimento de amputação, essa saída forçada de uma terra que consideravam sua. Como conseguiram vencer, integrar-se numa sociedade que os olhava com desconfiança e os recebeu com hostilidade? Continuam a trazer África no coração? Esta obra de Fernando Dacosta é porto de abrigo para essas e muitas outras inquietantes perguntas, uma voz dá voz às frustrações, aos anseios, às carências de milhares de outras vozes.
OS RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL é uma obra de leitura obrigatória para se compreender a sociedade portuguesa actual.
Fonte - Livraria Almedina

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