domingo, 6 de março de 2011

A barragem de Chicomba




A barragem de Chicomba irriga os campos e possibilita a existência de duas colheitas ao longo do ano agrícola

Fotografia: Arimateia Baptista


A reconstrução de escolas, postos de saúde e do sistema de captação e distribuição de água no município de Chicomba, na província da Huíla, estimula as populações há muito fugidas da guerra a regressarem e a apostarem na produção agro-pecuária, beneficiando dos estímulos do Executivo e do Governo Provincial.

O acesso à sede do município de Chicomba é feito numa picada com mais de 110 quilómetros, rasgada numa zona com matagal acentuado e capinzal apropriado para a criação de gado. Para trás fica a estrada Lubango-Quipungo que foi reconstruída e asfaltada no âmbito do programa de reconstrução nacional, que na Huíla já beneficiou mais de 700 quilómetros de vias.

O Hospital Municipal, os postes de iluminação pública e as estruturas do sistema de captação e abastecimento de água potável são bem visíveis em Chicomba, localidade que foi destruída durante a guerra.

Lúcia Francisca dirige os destinos do município há quatro anos. A administradora confessa que no princípio foi difícil dirigir a circunscrição por causa do péssimo estado das vias e das infra-estruturas estarem em ruínas. Sublinhou que o Programa de Intervenção Municipal (PIM) e o Programa de Investimentos Públicos (PIP) reanimaram a vida do município com obras públicas concluídas e outras ainda em fase de acabamento.

Os sectores da educação, saúde, energia, águas e agricultura foram as prioridades. Os recursos humanos e financeiros disponibilizados permitiram a construção de novos imóveis e a reparação dos antigos, num processo que abrangeu as comunas e povoações.

As 105 escolas espalhadas pelo município, são frequentadas por 42.300 alunos e têm 845 professores. A administradora Lúcia Francisca informou que estão em construção 11 salas de aulas, para integrar as 2.500 crianças que estão fora do sistema de ensino.

O Hospital Municipal de Chicomba, construído e apetrechado há três anos, no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento dos Serviços Sociais Básicos às Populações, elaborado pelo governo da província, está a dar valor às condições sanitárias da população.

As estatísticas atestam que mais de mil consultas são realizadas de três em três meses. Doenças como malária, febre tifóide, diarreias agudas e tuberculose são as que mais afectam os pacientes. O Hospital Municipal vai receber, em breve, dois médicos.

A construção de postos de saúde nas comunas do Quê, Cuteta, Cabire Comercial e Libonge, visa descentralizar os cuidados de saúde no município. Quando as obras estiverem concluídas fica garantida a assistência médica e medicamentosa a milhares de pessoas.

Lúcia Francisca disse ao Jornal de Angola que a execução dos projectos nas áreas da educação, saúde, energia e águas está orçada em 85 milhões de Kwanzas, disponibilizados no quadro do Programa de Intervenção Municipal (PIM).


Menos doenças

A construção de um sistema de captação de água numa albufeira, a montagem de 3.200 metros de uma nova rede e a aplicação de um reservatório metálico, permitiram a canalização, pela primeira vez, de água para mais de 60 domicílios.

As casas com água a jorrar nas torneiras possuem contadores para o controlo do consumo e respectivo pagamento. A execução do “Programa Água para Todos”, com as obras a cargo de uma construtora nacional, fez com que as doenças provocadas pelo consumo de água imprópria fossem reduzidas e as populações já não têm que percorrer longas distâncias para ir buscar água.

A administradora Lúcia Francisca garantiu que as comunas Cutenda, Quê, Libonge, e outras, contam já com seis furos apetrechados com bombas manuais, dos 20 previstos para abastecimento público.

As comunidades rurais, afirmou a administradora Lúcia Francisca, estão no topo das atenções das autoridades do município “por serem as mais vulneráveis no concernente ao abastecimento de água potável, assistência sanitária e enquadramento de crianças nas escolas”.

Lúcia Francisca está satisfeita com os programas realizados até ao momento nas zonas rurais, por reduzirem o foco de doenças das pessoas e dos animais. “Os técnicos e activistas de ONG sensibilizam e mobilizam as pessoas a beberem água dos furos”, disse a administradora do município de Chicomba.

Os beneficiários reagem positivamente aos apelos e ensinamentos dos técnicos. Catarina Candembe, 52 anos, disse à nossa reportagem que há três anos apenas dá aos filhos e netos água do fontanário: “agora a água está perto, por isso não tenho razões para ir ao rio”.

Catarina Candembe de Chicomba, para lavar a roupa da família. O chafariz é mais confortável e seguro do que o rio: “aqui não há gatunos como no rio, donde tínhamos de evitar sair tarde para evitar assaltos e agressões”.

Produção agrícola

Os municípios de Chicomba, Caluquembe e Caconda são considerados, pelos empresários agrícolas da região, como o “triângulo produtor” de milho, feijão, ervilha, batata-doce e outros alimentos. 

As colheitas da campanha agrícola passada, segundo as estatísticas da Direcção Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, atingiram 187.939 toneladas de produtos.

Desta safra, Chicomba alcançou 35.238 toneladas. As melhoras na produção resultam da distribuição de sementes, fertilizantes, instrumentos de trabalho, gado para tracção animal, parcelas de terreno para o cultivo e do envolvimento de um número considerável de famílias na prática da lavoura.

A organização dos agricultores em cooperativas, que já são 1.200 no município, constitui a força motriz para o aumento da produção, captação de créditos e escoamento da produção para outros pontos da província da Huíla e do país.

Para a colheita da campanha agrícola 2009/2010, a previsão é superior à produção do ano passado, meta que se pode atingir devido à regularidade das chuvas registadas e à realização do cultivo em duas épocas.

Os resultados positivos que o município de Chicomba está a alcançar têm a ver, em parte, com o regresso de dezenas de famílias à sua zona de origem. O soba Lote Eduardo, de uma das povoações de Cutenda, contou ao Jornal de Angola que “as pessoas que fugiram da guerra estão a voltar e a ocupar as suas lavras”.

As famílias que regressam, afirmou o soba, recebem apoios dos ministérios da Reinserção Social, Agricultura, agências das Nações Unidas e organizações não governamentais nacionais. “A direcção da agricultura dá sementes, enxadas, gado para tracção animal e charruas a crédito”, referiu.

O regresso dos camponeses às zonas de origem fez com que o número de habitantes de Chicomba aumentasse de 105.375 pessoas em 2007 para 110.400.  

O aumento da produção de milho no município fez descer o preço do produto. Um quilo de milho é comercializado no mercado informal entre 5 e 10 kwanzas. Estes preços atraem inúmeros clientes de outras províncias.

A pecuária na circunscrição de Chicomba está igualmente a ser fomentada com a distribuição de novilhas para reprodução e abate. Há quatro anos, o rebanho era de 20 mil animais, mas com o projecto de repovoamento, há agora mais de 45 mil cabeças de gado.



terça-feira, 1 de março de 2011

Faleceu Júlia Rodrigues Machado


Após doença prolongada, Júlia Rodrigues Machado casada com António Machado mãe de dois filhos :Kitocas e Alexandra  faleceu hoje 24-02-2012 em Caldas da Rainha

Júlia Rodrigues Machado
nasceu em 1-10-1928 no Cubal
Viveu a sua infância e adolescência no Chinuangolo
Após o casamento passou a morar na povoação do Chituto.
 
À  família enlutada  os mais sentidos pêsames.
Paz à sua alma

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dª Beatriz


d beatris

Beatriz Teyller

Muitas pessoas passaram pela minha vida, mas só algumas  ficaram na minha memória, entre elas: a Dona Beatriz.
Capturdar
Não me esqueço dos bons momentos passados nesta casa, a casa da Dona Beatriz,  onde com outros miúdos passei horas a comer amoras.
Para além das boas recordações que tenho desta Senhora, sempre ouvi da parte dos meus pais e de muitas outras pessoas tudo quanto de bom existe num ser humano. Pessoa inteligente e boa conselheira, sempre pronta a ajudar o próximo.

Nasceu em 1902, no Humbi.
Filha de Frederico Augusto Teyller e Ana Teresa.
Em 1930 foi viver para o Cué onde conheceu e casou com Abílio Augusto Correia.
Não teve filhos. Criou os sobrinhos, entre eles a Catarina a Sofia e o Abílio.
Dedicou-se ao comercio e agricultura.
Em 2004  faleceu no Lubango, com 102 anos.

Os dados biográficos foram fornecidos por Sofia Teyller.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

INSTITUTO BIBLICO DE KALUKEMBE - MISSAO URGENTE (IBK-MU) ABRE AS PORTAS PARA 2011


Decorreu na sede historica da IESA em Kalukembe uma semana intensa de actividades que visaram a abertura oficial do Ano Lectivo 2011 do Instituto Biblico de Kalukembe-Missao Urgente (IBK-MU), sob orientacao do Presidente da IESA o Rev. Mestre Dinis Marcolino Eurico acompanhado por outros membros do Coimite Executivo Nacional.
Tais actividades comecaram com um seminario de refrescamento dos professores nos dias 2 e 3 de Fevereiro, de salientar que o IBK-MU conta com cerca de 50 professores teologos e outros formados noutras areas do saber;  seguiu-se o retiro com todos os alunos nos dias 4 e 5 e o no dia 6, domingo, finalmente realizou-se o culto a Deus com presenca de mais de 2500 pessoas no lugar largamente conhecido por muitos pelo nome de "Usolo".
Nste ano, foram matriculados no IBK-MU, vinte e sete casais e mais tres solteiros para o primeiro ano do curso medio e basico de Teologia, vinte e tres casais e dois solteiros para o segundo ano e catorze casais no terceiro ano estes ultimos regressados de um estagio curricular de um ano no minimo. Foram ainda inscritos para o denominado curso geral que corresponde a um ano de formacao biblica para todos os alunos que optaram em adquirir conhecimentos na Escola Tecnica de Saude de Kalukembe (ETSK), como diziamos, quarenta e seis solteiros e mais seis casais.
No computo Geral o IBK-MU recebeu para 2011 setenta casais e cinquenta e um solteiros o que obrigou a um desdobramento administrativo intenso para acomodar a grande moldura humana que acorreu ao IBK-MU no regime de internato com todos os encargos suportados pela Igreja.
Todos aqueles que quiserem contribuir na formacao de obreiros para a Seara do Senhor atraves do IBK-MU, nao exitem em contactar a Administracao Geral da IESA atraves dos terminais 923505107, 923528192 ou se preferir podem usar a conta nr. 4204426.003 - IESA do Banco de Fomento Angola (BFA).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Caluquembe espera colher 80 toneladas de abacaxi





Caluquembe  - Camponeses associados de Caluquembe esperam colher até Fevereiro do próximo ano 80 toneladas de abacaxi, cultivados numa área de 105 hectares, informou hoje o chefe de repartição municipal da Agricultura, Joaquim Chiculumula.

Em declarações à Angop, o responsável adiantou que 98 hectares foram cultivados no sector de Calepi e sete na comuna da Negola.

Joaquim Chiculumula disse que o projecto desenvolvido por 31 agricultores foi apoiado com material como enxadas, catanas, fertilizantes e gado de tracção animal.

Entretanto, o chefe de secção da agricultura, acrescentou ser importante que estes agricultores sejam incentivados com meios, na perspectiva de que os mesmos aumentem a sua produção.

O município de Caluquembe tem uma população estimada em 231 mil e 039 habitantes, ocupa uma área territorial de quatro mil e 240 quilómetros quadrados.


Fonte: Angop Angolapress

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O homem grande e os homens pequenos!


Homem muito, muito grande.
Hoje excepcionalmente não irei falar de Angola, do Chicoronho ou da Huíla!
Mas, de um homem muito, muito grande!
Um homem que combateu o que de mais repugna qualquer ser humano minimamente informado e equilibrado – RACISMO.
Raça, um termo ainda hoje tão utilizado, mas que academicamente não tem qualquer significado, porque é um termo em si, vazio. Um termo criado politicamente. Não há raça humana, apesar de se ouvir muitas vezes essa designação, inclusive de professores universitários.
Há a Espécie Humana, pertencente ao Reino Animal. Com a evolução da espécie humana e com a sua diáspora pelo mundo fora houve a necessidade da sua pele se adaptar à Latitude que se encontrava. Assim resultaram as peles mais escuras com diferentes tonalidades, ou seja, do negro ao encarnado entre os trópicos de Cancer e de Capricórnio, como adaptação aos intensos e perigosos raios UV; Mas, à medida que o ser humano se foi instalando nas latitudes mais elevadas, a sua pele teve outras necessidades e por isso são peles mais claras. Simples de perceber!
Não há raças, mas sim etnias. Mas, mesmo em relação às etnias há confusões de interpretação.
Todos aqueles que vivem no mesmo espaço geográfico e partilham em grosso modo os mesmos hábitos ao nível da cultura, língua, musica, costumes, gastronomia, danças entre outros, então estamos perante o mesmo grupo étnico.
Claro que ainda hoje, muitos não conseguem desligar o conceito de etnia da cor das pessoas, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Portanto, isto significa que podemos academicamente ter um negro, castanho, vermelho, amarelo ou branco pertencentes todos à mesma etnia, desde que estes convivam no mesmo espaço geográfico e partilhem os mesmos pressupostos acima mencionados.
Voltando ao homem grande que orgulhosamente eu sou contemporâneo, foi preso exactamente por defender que não havia raças humanas e muito menos que havia raças superiores e raças inferiores.
Foi preso por combater um sistema hediondo profundamente rácico.
Quando foi preso era um jovem adulto e permaneceu encarcerado durante décadas, quando saiu, já era idoso. Volto a repetir: ficou preso durante décadas. Ele tinha perdido toda a sua vida de juventude e de auge físico e intelectual numa prisão. Lembro que nenhum de nós vive duas vezes, ou seja, ele não teve segunda oportunidade de voltar a ser jovem.
Por conseguinte, quando foi anunciado a sua eventual libertação, os homens pequenos pensaram:
«ele sairá revoltado e quererá a vingança de quem lhe tirou as melhores décadas de vida»
Mas, quando um homem é grande, as suas acções e atitudes também o são, assim, depois de ele ser libertado, fez um discurso num estádio completamente lotado e para espanto dos homens pequenos, ele apelou ao dialogo em vez da divergência, ele apelou à compreensão em vez do ódio, ele apelou à tolerância me vez do seu contrario, ele apelou à reconciliação em vez da divisão.
O homem grande foi libertado no dia 11 de Fevereiro de 1990 e chama-se Nelson Mandela.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Angola: Chuva mata e destrói ponte na Huíla






12 Jan 2011
Uma pessoa morreu na Huíla em consequência de uma descarga eléctrica ocorrida no município da Chibia enquanto outras sete da mesma família recebem assistência médica num hospital local como resultado das fortes chuvas que se abatem sobre a província nos últimos dias.
Sobre os estragos das chuvas há ainda a registar o desabamento da ponte sobre o rio Binji que liga as circunscrições de Caconda e Caluquembe no norte da Huíla.
Neste momento a circulação de pessoas e bens é feita com muita dificuldade estando o Instituto Nacional de Estradas de Angola INEA a preparar a instalação de uma ponte metálica para acudir à situação.
Perante as chuvas que se abatem sobre a província, o serviço de protecção civil e bombeiros diz que as demolições de casas em situação de risco ocorridas o ano passado ao longo do rio Mukufi, estarão a contribuir para a inexistência de desabamento de habitações.
“De um modo geral não temos aqui grandes dados também fruto da situação em que a província hoje vive, sobretudo município Lubango com a demolição de algumas residências que existiam em algumas zonas de risco sobretudo nas margens dos rios muito daquilo que eram as ocorrências ligadas as chuvas diminuíram, portanto, não há de uma maneira geral situações que chegaram ao nosso conhecimento é preciso enfatizar isto”.
O porta-voz do serviço de protecção civil e bombeiros da Huíla, João Saldanha, anunciou também o levantamento nos próximos três meses de todas as zonas consideradas de risco.
João Saldanha disse que o processo irá dar lugar a elaboração de um plano de contingência e resposta quer a nível municipal e provincial.“
De modo a possibilitar que se elabore o plano de contingência e preparação e resposta a esses riscos e outros que possam surgir nos municípios para permitir que os municípios elaborem os seus planos de contingência os seus planos de resposta aos diversos tipos de sinistros que possam ocorrer e melhorar a coordenação do alerta às entidades que possam intervir em caso de sinistro”.
O serviço de protecção civil e bombeiros ambiciona também alargar as suas acções com abertura de núcleos em mais municípios em 2011. Actualmente está presente em 3 dos 14 municípios que compõem a província da Huíla.

Fonte:

Voz da América ▪ Português

Noticias em Português






segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Etnia Chicoronho




Etnia Chicoronho
Lá de longe, vieram as minhas origens
Terra apelidada de pérola do oceano
Com bravura e coragem embarcaram
Em direcção ao desconhecido
Que sobretudo era temido
Pelas mitológicas histórias
Mesmo assim duzentas e vinte e duas almas partiram
Num Outubro, chuvoso de dor
Dor de quem partia
Desespero de quem ficava
Por uma separação que amargava
Com lágrimas de sangue
O Índia desapareceu
No horizonte do oceano atlântico
Para os que partiram
A pérola do atlântico desaparecia
Mas surgia no horizonte a conhecida jóia da coroa
Situada do outro lado do hemisfério
Hemisfério sul, onde tudo era mistério.
Novembro foi o mês
Que a nova terra os conheceu
Moçamedes, assim se chamava desde 1849
Não seria aí que o grupo ficaria
Homens, mulheres e crianças
Partiram a pé pela savana dentro
Ajudados por carros bóeres
E nada mais
Escalaram ao sol
Com a dor da saudade dos entes queridos
Que ficaram para trás sofridos
Na véspera de natal chegaram ao seu destino
Em condições de facilmente perder o tino
Porque suas moradas mais não eram que barracões
Que lhes fez doer os corações
A promessa foi uma
A realidade foi outra
Não desanimaram
Porque àquela terra amaram
Em poucos anos
Chegaram mais conterrâneos
Juntos tomaram aquela terra como sua
Muitos enrolaram-se e juntaram-se com os muílas
Mal amados pelo omuputu
Estimados pelos muilas
O Omuputu tratava-o por colono
Por não terem direito ao seu nome
O muila apelidou de chicolonio
De tribo branca também foram chamados no Puto
Venceram os desafios
Porque na Huíla não estavam sozinhos
Os muilas foram seus amigos
E com eles surgiu a nova etnia
A mais recente de África - CHICORONHO
Rodrigues Caluquembe


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Contudo, importa esclarecer que a definição do termo etnia é a única cientificamente correcta para categorizar grupo de pessoas. Nunca confundir Etnia com o termo «raça»
Ou seja, no sensos latos ainda se houve muito o termo «raça». O termo "raça caucasiana" foi criado pelo filósofo Christoph Meiners no século XVIII, mas só se popularizou no século XIX. Desde o século XVIII, termo raça passou a ser usado como instrumento politico e é sobretudo associado a discursos rácicos. Infelizmente devido à ignorância de muitas pessoas, inclusive de professores universitários, o termo «raça» é ainda muito utilizado.
O termo «raça» para além de ser ignóbil é estúpido porque, na classificação dos seres vivos, nomeadamente na dos seres humanos só se pode classificar de espécie Homo sapiens – na qual, não há ausência de diferenciação genética. Portanto, inexistem raças humanas do ponto de vista biopolítico matematicamente convencionado pela maioria. No "Código Internacional de Nomenclatura Zoológica" (4ª edição, 2000) .
Todos os membros da espécie são semelhantes, então a espécie não pode ser dividida em subcategorias com significado biológico.
Por tudo isto que acabei de explicar, surgiu o termo ETNIA.
O conceito etnia deriva do grego ethnos, cujo significado é povo. A etnia representa a consciência de um grupo de pessoas que se diferencia dos outros. Esta diferenciação ocorre em função de aspectos culturais, históricos, linguísticos, raciais, artísticos e religiosos. A etnia não é um conceito fixo, podendo mudar com o passar do tempo. O aumento populacional e o contato de um povo com outros (miscigenação cultural) pode provocar mudanças numa determinada etnia. Geralmente usamos o termo etnia para nos referirmos à grupos indígenas ou de nativos. Porém, o termo etnia pode ser usado para designar diversos grupos étnicos existentes no mundo.
Contudo, ponho actualmente a hipótese do termo etnia ser eliminado porque no mundo globalizado é cada vez mais dificil termos etnias no seu verdadeiro sentido do termo.
Por outro lado, o termo etnia não sendo grave como o termo «raça», não deixa também de ser um terno em certa medida politico. Quando no século XIX os europeus se aproximaram das sociedades africanas começaram a usar o termo “Tribo” no sentido claramente pejorativo. “O que é curioso, é que quando os europeus se referem a si próprios nunca usam o termo “etnia”, eles se designam de “Povos”, mas aos africanos dizem “etnia ou tribo”. Da mesma forma que os Bascos e os Catalães, na Espanha, são povos o mesmo deve ser atribuído aos Nganguelas Bailundos, entre outros. Por isso coloco a hipótese da mudança de nomes para designar os povos africanos.

Rodrigues Caluquembe

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Água para Todos chega a comunas


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O município conta com mais um fontenário que passa abastecer a população
Fotografia: Jornal de Angola


O director provincial da Energia e Águas na Huíla afirmou, na terça-feira, à imprensa, que, este ano, mais 400 mil habitantes de várias comunas passaram a beneficiar de água potável, no quadro do programa “Água para Todos”.
Abel da Costa, que apresentava o balanço do ano, referiu que o programa foi desenvolvido nas comunas dos municípios de Caluquembe, Caconda, Chibia, Matala, Chicomba, Jamba, Humpata, Cacula, Quilengues e Jamba.
O director provincial disse ser positiva a execução do projecto “Água para Todos” na província.
“O nosso objectivo visou fornecer água potável às sedes municipais e a algumas comunas, numa cobertura geográfica superior a 90 porcento”, referiu. Abel da Costa salientou que a água potável chegou, pela primeira vez, às comunas da Bata-bata, missão do Tchivinguiro, Caholo, Quihita, Gungui, Cusse, Vicungo, Mulondo, Tchamutete e Galangui.
A execução física do programa, a criação de bombas manuais, de centros de captação e de condutas, instalação de sistemas de canalização foram, afirmou, as principais acções realizadas na periferia.
A Huíla tinha uma cobertura insuficiente de distribuição de água antes da materialização do programa, lembrou, acrescentando que transcorridos oito anos, a região deu um salto quantitativo e qualitativo. O programa “Água para Todos” na província, disse, orçou em mais de dez milhões de dólares.  A província, sublinhou, já transitou, em termos de abastecimento de água, de um contexto de emergência para a etapa do desenvolvimento. Para o próximo ano, anunciou, está previsto o acompanhamento e incentivo às construtoras envolvidas no programa para cumprirem com os prazos indicados.
Abel da Costa garantiu que a cidade do Lubango vai melhorar, no próximo ano, o abastecimento de água potável, com o aproveitamento de um dos sistemas de captação instalados na zona da Tundavala.  “Há um manancial de água na Tundavala que pode entrar em funcionamento em 2011, com capacidade para abastecer a 40 mil habitantes”.
Entre os beneficiários, contam-se as famílias concentradas nas áreas da Tchavola, Tchimukwa, Akwa e Nambambi.  “A capacidade de abastecimento da cidade é baixo, confirmou, lembrando que o sistema, herdado do tempo colonial, criado para 30 mil habitantes, serve mais de 1,2 milhões.
“Com o fornecimento da água potável, a população está contente”, disse João Manuel.            

Jornal de Angola

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Programa de Segurança Alimentar está a incentivar a produção agrícola

Domingos Mucuta | Lubango – Hoje

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Um projecto denominado "Segurança Alimentar" está a incentivar cerca de 15 mil famílias camponesas, nas províncias da Huíla e Cunene, a aumentar e diversificar a
Famílias camponesas têm possiblidade de aumentar e diversificar a produção agrícola
Fotografia: Domingos Mucuta|Lubango
produção agrícola, para garantir reserva de produtos alimentares e melhorar as rendas familiares.
O projecto, que está a ser desenvolvido até 2012, pela Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental, é destinado às famílias camponesas associadas em cooperativas dos municípios da Cacula, Caluquembe, Gambos, Humpata, na Huíla, e Ombadja, no Cunene.
A directora da ADRA Antena Huíla, Mariana Soma, explicou que o projecto é financiado pela organização internacional Oxfam Novib da Holanda, que disponibiliza, anualmente, cerca de 60 mil dólares para estimular a produção nas zonas rurais.
O coordenador do projecto de segurança alimentar em Caluquembe, João Alberto, garantiu que, no município, o projecto beneficia mais de 4.452 famílias de quatro cooperativas das aldeias de Vissapa-Yela, Vissap-Caloneva, Cavisha, Tanda e Giraul.
João Alberto referiu que a ADRA distribui de forma colectiva parcelas de terra, instrumentos agrícolas, sementes e fertilizantes.
“Cada família ocupa em média três hectares de terra, onde desenvolve a produção de milho, feijão, batata rena e doce, mandioca, soja, café, couve, repolho, cenoura, cebola, alho, entre outros produtos agrícolas. Trabalhamos em interacção com a administração do município, para o desenvolvimento local”, disse.
No quadro do projecto, pequenos agricultores são formados em técnicas agrárias e identificação dos potenciais mercados para facilitar o escoamento dos produtos.
“Também temos ajudado os camponeses a evacuar os produtos das aldeias para as zonas onde é possível comercializá-los”, indicou o representante da ADRA, uma organização fundada em 1990.
A ADRA assinalou 20 de existência no passado dia 16, na aldeia de Vissapa-Yela, em Caluquembe, onde implementou, em 1991, o primeiro projecto de desenvolvimento comunitário. A cerimónia foi assistida por um dos fundadores da instituição, Fernando Pacheco, o presidente do conselho directivo, Guilherme Santos, e o director-geral, Sérgio Calundungo.
O município de Caluquembe está localizado na zona norte da província da Huíla, a 215 quilómetros do Lubango, e tem uma população calculada em cerca 170.210 habitantes.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Milhares de camponeses com crédito agrícola


Momento em que os camponeses agrupados em associações recebiam os créditos



Fotografia: Arimateia Baptista
Milhares de camponeses da província da Huíla estão a beneficiar de apoios no âmbito do crédito de campanha concedido pelo Banco Sol, com vista a melhorar a produção e garantir a suficiência alimentar.
Numa primeira fase, o crédito contempla na Huíla 2.074 camponeses dos municípios da Chibia, Cacula, Jamba, Gambos, Chipindo, Caluquembe, Matala e Quipungo.
A directora do micro crédito do Banco Sol, Carla Van-Dune, disse no acto de lançamento oficial do crédito de campanha, na comuna do Dongo, município da Jamba, que a sua instituição disponibilizou mais quatro milhões de dólares para a Huíla.
“O Banco Sol concedeu crédito a oito municípios da província da Huíla, num valor superior a quatro milhões de dólares, resultante 211 contractos efectuados com 40 cooperativas, 54 associações e beneficiando 2.074 camponeses”, explicou.
Carla Van- Dunen esclareceu que os valores concedidos são depositados na conta do fornecedor, seleccionado pelo projecto, e ele por sua vez vai converter o dinheiro em fertilizantes, sementes e instrumentos de trabalho.
“ Os fornecedores vão trabalhar em parceria com as administrações municipais, comunais e os comités de pilotagem criados para acompanhar todo o processo e prestarem assistência técnica aos camponeses”, disse.
Na província da Huíla, a empresa Fertecenter foi a seleccionada para fornecer as sementes, fertilizantes e instrumentos de trabalho que os camponeses solicitaram a crédito ao Banco Sol.
O representante da Fertecenter, Sebastião Colhe, disse que a sua empresa está preparada para iniciar o processo de distribuição dos produtos, mas quer que o banco defina quais sãos quantidades.
Sebastião Colhe informou que tem em stock sementes de milho, feijão, batata, cebola, alho, adubos de vários tipos, adubadoras, fertilizantes, charruas, enxadas e até gado para tracção animal.
Para o director provincial da Agricultura na Huíla, Lutero Campos, este apoio vai permitir aos camponeses passar da agricultura de subsistência para a produção de excedentes, garantindo a segurança alimentar.
“ O Executivo pretende com esta acção melhorar a produção agrícola, reduzir a fome, melhorar os rendimentos das famílias camponesas, combater a fome e reduzir a pobreza”, disse.
Lutero Campos apelou aos beneficiários para aproveitarem da melhor forma possível esta apoio e trabalharem arduamente para que nos prazos estabelecidos possam fazer o reembolso dos valores ao banco.

Beneficiário

   Alberto Cambinda, 61 anos, deficiente motor, está filiado na cooperativa dos Antigos Cambatentes da comuna do Dongo, município da Jamba e é um dos beneficiários do crédito de campanha.
    Na vila do Dongo, localizada a 240 quilómetros da cidade do Lubango, Alberto Cambinda, tem cultivado de milho, feijão, massango, batata, alho e hortaliças na sua lavra de três hectares.
Apesar de se movimentar em cadeira de rodas, ele conta com ajuda dos filhos e sobrinhos para produzir.
Depois de assinar o contrato de crédito com o banco Sol, Alberto Cambinda não escondeu a sua satisfação, uma vez que o dinheiro lhe vai permitir adquirir mais sementes, fertilizantes e adubos para melhorar a produção.
Alberto Cambinda disse que pediu três mil dólares que vai converter em sementes de feijão, batata, cebola e alho, adubos e charruas.
Para Doroteia Senemole, camponesa da comuna do Caculuvar, município da Chibia, este apoio permite aumentar a produção na presente campanha agrícola.
Doroteia, que está filiada na cooperativa de Caculuvar, disse que a maior parte dos camponeses da sua localidade tem enfrentado dificuldades para adquirir sementes e instrumentos de trabalho para produzir.
Referiu que a ajuda vai permitir melhorar a produção e contribuir para a redução da fome e da pobreza no seio da população e melhorar os rendimentos das famílias camponesas.
Para Doroteia Senemole, os 140 camponeses da sua cooperativa que beneficiaram de crédito, estão em condições de aumentar a produção e devolverem os valores ao banco no prazo de um ano, caso as chuvas caiam com regularidade.
Jornal de Angola



    sábado, 18 de dezembro de 2010

    Caluquembe - Fiéis da Igreja Evangélica falam sobre papel do obreiro


    Namibe - Os fiéis em retiro nacional anual da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), desde esta quarta-feira, dissertarão os temas "Obreira como parceira de oração do seu esposo", e "Obreiro perante os desafios na Angola de hoje", e "Elementos que promovem a unidade da igreja".
    Provenientes de diversas congregações do país, os 491 obreiros reunidos sob o lema "Com, por e para Cristo, conquistemos Angola com fé, esperança e amor", analisaram no primeiro dia do encontro o papel do obreiro no seu lar, dissertado pelo pastor Moisés Miguel.
    Na cerimónia de abertura, o Presidente da denominação religiosa,  reverendo Diniz Marcolino, afirmou ser tempo de renovação e reflexão para que o ano 2011, possa ser recebido no poder do Espírito Santo.
    Por sua vez, o administrador-geral da IESA, Oseas Chingui Matias, afirmou que anualmente a sua igreja realiza retiros de género, com vista a renovar o estado espiritual dos obreiros, para melhor servirem a igreja.
    Fez saber que a igreja, através do seu departamento Bom Samaritano, tem vindo a desenvolver acções, visando a recuperação dos alcoólatras e pessoas envolvidas em drogas.
    Com mais de um milhão de fiéis, agrupados em cerca de 500 igrejas locais, a IESA foi fundada há 112 anos, no município de Caluquembe, província da Huíla, e actualmente está espalhada por todo país, excepto nas províncias do Zaire e Uíge.
    Angop angolapress


    domingo, 12 de dezembro de 2010

    Caluquembe 2010



    Fotos e comentários de Marisa Rodrigues

    Obrigado à Marisa, pelas imagens da nossa saudosa terra.
     

    1

    Espero com estas fotos... trazer um pouco do passado.... dos bons velhos tempos....

    2

    E como recordar é vive.... k vivam as belas recordações de outros tempos....

    3

    Alguém há-de reconhecer... kem sabe.... a casa onde viveu...

    4
    e mais uma foto para o album de memória de todos k me são keridos...


    5

    Como ás recordações já me falham... fui fotografando as casas k na minha ideia poderiam pertencer a minha família...

    6
    Ser criança é maravilhoso.... emocionou a simplicidade deste brinquedo... k diferença de toda a tecnologia k temos á disposição... e a alegria k este estava a proporcionar ás crianças... deveras triste...


    7

    Mais estrada no horizonte... Kalukembe ficava para trás, mas... a emoção estava ainda estava patente no olhar...

    8
    Se há coisa fora do vulgar nesta terra.. é o céu... aki fica uma pekena amostra...


    9
    Os carrinhos das compras... versão afro...


    10
    O mercado á saída de Kalukembe... Como costumo dizer.... "Uma animaxão"....


    11Muitos selos ajudei a colar.... Espaço pekeno mas k nos era muito kerido...


    12

    A velha estação dos correios... Tenho a certeza que trará belas recordações a algumas pessoas...

    13

    O "célebre" Clube Recreativo... dos bailes... das sessões de cinema...

    14

    Penso k esta seria a escola... já lá vão muitos anos para as memórias de uma criança que deixou à muito esta terra...

    15



    Sem Título-1

    A minha "triste" casinha... tão bonita k ela era...

    Sem Título-2

    Como a memória e a saudade ainda vivem...

    Sem Título-3O forno da padaria do pão bem kentinho....


    Sem Título-4
    o parque das brincadeiras de criança...


    Sem Título-5

    Sinais da infância perdida... e não só....

    Sem Título-6


    Sem Título-7
    A "velha" e saudosa pensão do Ruas... o nosso kerido tio...

    Sem Título-8

    Se bem me recordo... o restaurante da pensão dos nossos tios...

    Sem Título-9
    Uma vista da "avenida"....


    Sem Título-10Com sinceridade... não sei se é uma casa da família... mas por via das dúvidas... aki fica a imagem...


    Sem Título-11
    Mais uma imagem, k penso irá despertar memórias á minha família... com carinho para todos vocês...


    Sem Título-12

    Este espaço agora faz concorrência á "Pensão do Ruas"... k saudades dos bons velhos tempos...

    Sem Título-13
    Esta praça fica em frente à antiga" Pensão do Ruas". Um pouco mais á eskerda compramos o melhor pão k já haviamos comido.... fica a dúvida... seria da fome... ou o pão era mesmo bom... acho k a 2ª prevalece... a minha filhota e os amigos não me deixam mentir...


    Sem Título-14
    A trágica e fatídica rotunda de Kaluquembe... para kem a conhece... boas ou más memórias... mas ainda persiste... contra guerras e marés...


    Sem Título-15

    A igreja de Kaluquembe...

    quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

    Fotos Antigas Vila de Caluquembe


    corrida de bicicletas 1966
    Corrida de Bicicletas em 1970
    Venda de cereais junto a loja de Jose Maria Rodrigues
    Venda de cereais junto a loja de Jose Maria Rodrigues
    Untitled-24 copy
    Casa e Loja de José Maria Rodrigues
    CASA AVÔ2
    Casa, Loja, e armazéns de José Maria Rodrigues
    2
    Casa de Jorge e Lucília Rodrigues
    1
    Casa e loja de Jorge e Lucília Rodrigues
    GRUPO AVO copy
    Festas de Caluquembe


    Fotos da colecção de amigos e familiares

    terça-feira, 7 de dezembro de 2010

    Vamuíla e Vacuvalê.


     Sem Título-1 Mulher mumuila- Foto de Cecile Martin
    “A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR …”
    Vi - não interessa por que meio - no programa do Jô um Rui Morais e Castro a preleccionar com palavras e gestos, de forma ignominiosa, sobre a cultura (práticas, costumes e tradições) de duas tribos do sul de Angola: Vamuíla e Vacuvalê.



    Ante tais dislates, movido pelo respeito àquele povo, não devo calar a minha indignação; mas sim, de forma sucinta, reprovar e corrigir o chorrilho de disparates proferidos.
    1. Nasci e vivi  na povoação da Huíla (a mesma Huíla que deu nome à Província e foi mãe da sua capital - Lubango) no meio do povo mumuíla, no singular; vamuíla, no plural. Esta tribo, dispersa por uns cem mil km2, faz parte da etnia Nhaneca - Humbi, uma das nove etnias de Angola, segundo  a divisão etnológica.       
    2. As vamuíla não praticam nenhum tipo de excisão genital nem a absurda dilatação e bissecção do clítoris. Só os homens (ovalume), orgulhosamente, são cicuncidados (excisão do prepúcio) (etanda).
    3. Os seus penteados, trabalhados conforme a idade, passam por diferentes formatos . Na adolescência  (ovacaínto) usam finas tranças adornadas com missangas. Ao atingirem a puberdade, em grupo e ambiente festivo (ohicô), com uma pasta feita com manteiga rançosa (ongundi) e pó de hematite (oncula), solenemente, é-lhes moldado no centro da cabeça uma elevação em forma de crista (otxipuquica). Cerca de um ano depois, como confirmação da sua maturidade, a crista é enfeitada com tachas amarelas (eriquê). Segue-se - num espaço de tempo variável - a substituiçao do "eriquê" por outra, de dupla saliência, moldada com a mesma pasta, na horizontal occipital, de orelha a orelha (ohundia). Este penteado indica que a rapariga (omuhicuena) está na idade de escolher, entre inúmeros namorados, o seu preferido. Ao acontecer é acertado o casamento. Pago ao pai ou a um tio da noiva  pelo pai ou um tio do noivo o dote acordado (ovitumbicô), sem quaisquer cerimónias, o casal  vai para a sua casa próxima dos pais do marido. O penteado (ohundia) é transformado em tranças espalmadas (omampútia). Com o nascimento do primeiro filho as "mampútias" são desfeitas dando lugar a novas tranças, mais numerosas e redondas e aplicada uma anilha de caniço. Com o nascimento de mais filhos são aplicadas mais anilhas, sem limites, até cobrirem toda a cabeça (olunhonga).
    As mulheres maninhas (estéreis) usam tranças iguais as mostradas no parágrafo anterior; porém, sem anilhas. Só em caso de morte de uma irmã com filhos herda o direito a aplicação de anilhas. De registar  que as maninhas são olhadas com desdém e até humilhadas pelas parideiras. Por vezes são repudiadas pelos maridos ou terem que suportar, com resignação, a presença de outra mulher levada pelo marido-bígamo.
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    Tranças com anilhas de caniços
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    Vahicuena
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    Penteado eriquê
    4. Os búzios (onompandê), de preferência helicoidais, presos sobre uma chapa de latão a uma cinta de couro, oferecidos pelo pai, tio ou marido, além de adorno e elevado estatuto social, simbolizam o grau de riqueza do ofertante. As mulheres gozam dos seus direitos; excepto o direito de posse de bens próprios.
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    Ostentação de búzios
    5. O adultério não é considerado crime. Nem por isso é praticado a esmo: raro e irrelevante entre as classes de nível económico e social baixo. Acontece, por vezes, entre mulheres bonitas e homens abastados. Estas mulheres, de concerto com o marido, seduzem homens ricos. Descobertos em flagrante pelo marido, por um irmão ou primo deste, o amante é obrigado a entregar um objecto de uso pessoal (oviumbô)  como prova do acto. O caso é levado a "tribunal", presidido pelo sova (rei), que estipula o pagamento (ucoi): em bois (uma ou duas cabeças) ou  em dinheiro.
    6. Nem só as vamuila mas também noutras etnias, o herdeiro é sempre o primogénito da irmã mais velha do falecido. Sempre foi  assim, por tradiçao, cuja origem e razões se desconhece. Daí, susceptível a especulações.
    7. Vestuário: As vamuíla não usam roupas costuradas: rejeitam-nas. Os seus trajes resumem-se a um pano em pregas à frente (otxitati) e a uma pele curtida com adornos atrás (omuhoti), suportados por uma cinta de couro. Á volta do tronco, nú, usam uma cinta entrançada ou de couro sob ou sobre os seios. (omavele).
    8. O penteado occipital exibido no programa, imbecilmente interpretado como via de diante, não existe em nenhuma tribo do sul de Angola. Deve tratar-se de algum arranjo fotográfico, originário dos cafundórios ou de uma E.T.
    9. Calaári: Não é propriamente um deserto. Está classificado como zona semi-desértica, 520 000 km2, cerca de 86% da área do Botswana. Rica em diamantes, pecuária, paraíso de várias espécies de vida selvagem.
    10. Deserto Namibe: Este, sim, é um dos maiores desertos da Terra. Estende-se ao longo da costa da Namíbia (cerca de 1 900 km) prologando-se por mais uns 400 km pelo litoral sul de Angola. Daí o agora nome de Namibe a antes Provincia de Moçâmedes.
    11. Vacuvalê: Esta tribo pertence a etnia Herero dispersa pelo noroeste da Namíbia (Hererolândia) até a encosta da Cordilheira da Chela - Angola, a uns mil km do Calaári e a aproximadamente 100 km do deserto Namibe.
    As mulheres usam o cabelo empastado com óleo espesso e forte odor extraído do fruto nompeque. Sobre o penteado uma armação circular, feita de varas leves, coberta, até à nuca e parietais, por um pano floreado, limpo, com uma prega acima da testa. São robustas, expressão nobre, feições correctas. Indumentária semelhante a das vamuíla.
    É um povo pastor, criador de gado bovino, caprino e ovino, logo obrigado à transumância. A sua dieta alimentar é a carne e leite azedo (omavele).
    São apodados de ladrões de gado. E são-no, de facto. Mas, pergunto: Que apodo se deve dar a um Soto-Maior, governador-geral de Angola, que em 1941 ordenou, sob seu comando, uma batida a toda zona habitada por estes (guerra dos mucubais), matando muitos, aprisionando outros, roubando-lhes todo o gado (cerca de vinte mil cabeças). E não só: Os presos foram enviados, por quatro anos, para as roças de cacau na ilha de São Tomé e para as pescarias da Baía dos Tigres, entre o mar e as dunas do deserto Namibe. As mulheres, habituadas a boa alimentação, agora sem gado nem homens, experimentaram, a juntar à sua angustia, uma negra fome! Mas não vergaram; conservaram a sua nobre personalidade.
    12. Quanto à ridícula representação do pau de vassoura, atribuída aos cuvales, não passa de nojenta invenção. Este povo é suficientemente pudico para se admitir a prática de tal aberração. Eles nunca leram o Kama Sutra.
    Por fim: aconselho o Sr. R M C a estudar geografia, fabricar facas de sapateiro de arcos de barril, a cortar argolas de “bambu” e oferecê-las às “mamuilas”. Ao Jô, recomendo a leitura da obra Etnografia de Angola (centro e sul) de Padre Carlos Estermann.


    Nota: As palavras sublinhadas indicam, no idioma e pronúncia próprios, o substantivo referente ao assunto que o precede. A primeira sílaba (ô) equivale ao artigo definido a/o, quer no singular quer no plural. As vogais precedidas de h são aspiradas (como no alemão).
     
    Imagens da Internet

    domingo, 5 de dezembro de 2010

    Momento de poesia

     

    Longe dessa terra amada

    Que jamais será esquecida

    Toda a malta retornada

    Tem ligada à sua vida

     

    Não há palavras que digam

    O que no peito sentimos

    Essa profunda saudade

    Sentida quando partimos

     

    Terra morena

    Quem no teu sol se aqueceu

    Tenho a certeza

    Que nunca mais te esqueceu

     

    E sempre em nós

    Havemos de recordar

    Toda a beleza

    Do teu luar.

     

    Ora suave, ora agreste

    Por todo o lado há beleza

    Melodiosas cascatas

    Criadas pela natureza

     

    À noite nas batucadas

    Tristes ou com alegria

    Mergulham corpos e almas

    Envoltos em poesia.

     
     
                                                        Poema de Ariete Varanda
     



    Paulo Flores - Saudades

    Angola - 100 grandes musicas dos anos 60 e 70

    Memórias de África -As grandes músicas dos anos 60, 70 e 80. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau,

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